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Pois é, né? Voltamos à liderança. Já é, como se diz lá no Rio. Ou podemos brincar também com as iniciais dos jogadores que marcaram os três gols contra as marias: Júnior, Alessandro e Éder Luís.
Já não era sem tempo. Mesmo contra um time reserva, mesmo elas tendo um jogador expulso aos 12 segundos de partida (dizem que foi a expulsão mais rápida da história), mesmo que quase ninguém tenha ido assistir ao jogo (apenas 22 mil pessoas). Com destino não se brinca!
E hoje ele quis que voltássemos à liderança, mesmo que tenhamos jogado fora pontos importantes nas duas partidas anteriores. O passado não conta quando o destino quer decidir nosso presente. E voltar a ser líder após alguns tropeços, em cima do rival, é mais que um presente, é inesquecível. Não tem tempo que apague. Fica gravado para sempre.
Roberta de Oliveira, apesar de toda a felicidade, continua com os dois pés bem grudados no chão. Comemorar mesmo, só na última rodada do campeonato.
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A viagem da semana passada foi à Curitiba. Apesar da chuva intermitente da quarta e do frio congelante da quinta, voltei completamente apaixonada pela cidade: impressionante como tudo funciona, como as pessoas são educadas, como o Centro é lindo e incrivelmente limpo. E, claro, como todos os que eu conheci adoram o Galo.
Numa feirinha na famosa Boca Maldita, era quase inacreditável a quantidade de souvenirs… do Galo! Minha coleção agradece!
Não sei a simpatia pelo Galo vem porque eles também têm um Atlético por lá, mas o fato é que esta história de “torcida amiga” está se tornando cada vez mais furada pra mim. Mesmo que o outro Atlético estampe na camisa duas cores que me causam arrepios, mesmo que o Coritiba seja também um clube centenário e ainda: mesmo que ambos tenham estádios, como o tem o Grêmio e o Inter e exerçam a rivalidade saudavelmente, o que parece valer na hora de torcer “pela amizade” entre os clubes, é a identificação pessoal, que tem mais a ver com paixão do que com meros apertos de mão entre as organizadas de cada estado.
Como eu não canso de dizer: eu só sei torcer pro Galo. Mas me faz feliz encontrar, aonde quer que eu vá, pessoas que simpatizam e até torcem verdadeiramente pelo Galo, independentemente da “simpatia” ou não que as torcidas possam nutrir umas pelas outras.
Comentário sobre o jogo contra o Barueri: nunca, jamais, subestime um time considerado pequeno. Pé no chão, Galo! Pé no chão! O Campeonato está apenas começando. Não vamos começar a achar que ganhar do Bosta no Mineirão lotado é chutar cachorro morto, que jogar contra as marias e os bambis em casa será fácil só porque estamos na frente na tabela. Mais humildade, serenidade e cabeça fria na hora de entrar em campo, por favor!
Roberta de Oliveira também não ligou a mínima pra “virada sensacional” do Brasil contra os EUA. Na verdade, ela ficou p. da vida quando viu a arrogância falando mais alto e se dizia que perder por 2a0 era uma zebra sem tamanho. Os EUA chegaram à final por mérito, não por capricho do destino.
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Cheguei a Porto Alegre numa noite gelada e chuvosa, plena quarta-feira velha. Mas a cidade estava tensa: o Inter perdia por 2a0 pro Curíntia em Sampa e o Grêmio, apesar do 0a0 em pleno Olímpico, se classificava para as semi-finais da Libertadores.
O taxista sorria satisfeito, rádio ligado. Eu, estrangeira, me divertia com a narração do jogo colorado. O sotaque carregado do narrador inflamado, dizendo que o Inter haveria de virar o jogo no Beira Rio, os comentaristas denegrindo o pesado Fat Fenômeno (oh, dó… rsrs).
Na porta do hotel, ele sorriu satisfeito, querendo saber qual o meu time em Poa. Disse que só sabia torcer pro Galo, mas que achava engraçada a rivalidade entre gremistas e colorados. Eu ainda não sabia que passaria os dois próximos dias convivendo com torcedores inflamados dos dois lados, tentando me convencer qual time era melhor.
Eu sei que continuo não entendendo o porquê da torcida do Galo ser amiga da torcida gremista, já que o Inter é que o time mais popular de Porto Alegre. Não tenho preferência, mas saber que o Grêmio proíbia o acesso dos negros ao clube me deixa indignada. Daí o Inter adotar o Saci como um dos mascotes. Saber que o Grêmio tem azul no uniforme também me incomoda bastante. Já o Inter tem o vermelho da revolução. É… quase me convenceram…
Tentaram me contar a história dos dois times. E gaúcho adora ser bairrista, né? Sabem de cor o hino do RS e demoram pra lembrar o brasileiro; cantam o hino do RS após cantar o hino de seu time em todos os jogos. E isto é muito bonito. Eles valorizam cada detalhe de sua história. E a contam com os olhos brilhando de orgulho. E isto é muito bonito também.
Me contaram da festa do centenário do Inter. Do Beira Rio que recebeu grandes bandeiras brancas que transmitiam os jogos de todos os tempos do Clube. Do Gigantinho transformado em bola vermelho e branca. Da passeata que tomou a cidade. Me contaram que o Inter não é time de se entregar e que aquele campeonato roubado pelo Curíntia será vingado na final da Copa do Brasil. O Curíntia perdeu a final pro Sport ano passado, porque não pro Inter, que tem muitos motivos para se vingar?
Eu não sei. Sei que os taxistas eram todos gremistas e gostavam do Galo, um até me contou que assistiu a um jogo do Galo contra o Flamengo no Mineirão, uma goleada histórica (5a0, na década de 80, uau!). Sei que um dos correspondentes do banco também tinha tatuado o símbolo do seu time do coração às vésperas do centenário dele (”mas o símbolo original, de 1903, daí”, ele fez questão de dizer). Ele era gremista, tocava na banda da famosa geral, viajou o Brasil inteiro com o time e conhecia pelo nome quase todo mundo da Galoucura. Huuum…
Ao voltar pra casa, no caminho pro aeroporto, o taxista que viu o Galo golear o Flamengo me mostra um terreno enorme e aponta, orgulhoso: “É ali que nós vamos construir o novo estádio do Grêmio”. E eu, que apenas sonho em ter novamente um estádio pra chamar de meu, perguntei o porque de se fazer um novo estádio e ele: “ah, sim… a gente podia reformar o Olímpico, né? mas a gente preferiu fazer um novo, fica mais barato e é bom que daí a gente tem dois, né?”.
Ter títulos importantes para rivalizar um com o outro de igual pra igual, construir um estádio novo só pra sair na frente do rival, tentar convencer os forasteiros a todo custo que seu time do coração é o melhor do mundo, definitivamente, é coisa de gaúcho mesmo. Um ser bairrista e apaixonante por natureza.
Mas nem Grêmio nem Inter estão muito bem no campeonato. O Galo continua líder invicto no Brasileiro e eu continuo tentando entender este gaúcho esquisito chamado Celso Roth que resolveu fazer milagre no time este ano.
Roberta de Oliveira só torce pra outro time que não o Galo. Na verdade, é uma seleção: a italiana. Ela não sabe explicar o porquê, mas desde que se entende por gente é assim: Galo e Azzurra. Até o fim dos tempos.
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Na próxima sexta-feira, dia 19 de junho, este singelo blog completará um ano de existência. Como estarei fora de BH, deixo antecipados os meus agradecimentos às 1210 visitas que ele recebeu mesmo com tão pouca divulgação.
Aos amigos queridos que me incentivaram a escrever “oficialmente” sobre o Galo, fica meu mais forte abraço.
E aos leitores fiéis, o meu sorriso mais sincero de alegria.
Roberta de Oliveira vai à Porto Alegre investigar os mistérios que transformaram Celso Roth no último grande messias do Galo. A resposta, meu amigo, só o vento sabe…
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Então brinquei que iria chover hoje porque finalmente eu voltaria pro Mineirão pra ver o Galo jogar. Sei não porque: o coração simplesmente reclamou a semana toda e lá se foi todo o orgulho besta e a preguiça imensa de atravessar a cidade pra ver o Galo.
Acordei cedo e não era a ansiedade louca que sempre me acompanhou quando é dia de jogo. Tinha que acompanhar um amigo no ensaio da banda dele antes de subirmos pro campo. O ensaio terminou às 14h30 e eu ainda não estava tão pilhada quanto imaginei que estaria a quase uma hora do jogo. Há algum tempo atrás, eu já estaria no Peixe Vivo há horas…
Passamos por lá só pra dizer um oi pra galera e minha preguiça começou a dar sinal de vida: fila pra entrar (era de estudante: passei direto, ufa!), pra encarar a revista da PM, a catraca estragou justo na minha hora (xinguei que a Ademg não aprendeu até hoje a trabalhar nos jogos do Galo) e cheguei no bar sem fôlego (era taquicardia mesmo).
Comecei a sentir um nó estranho na garganta ao subir o último lance de escada. Não foi fácil encontrar o estádio cheio e ver o Galo Doido entrando em campo. Uma confusão sem fim de emoções à flor da pele. Como a tattoo exposta hoje, sendo fotografada sem que eu permitisse por uma turma do interior.
O Galo teve um jogador expulso logo aos nove minutos do jogo mas, por incrível que pareça, a organizada hoje resolveu dar uma de 105 e cantar o jogo todo. E o Galo foi pra cima do Náutico (e minha gastrite nervosa começou a dar sinais de vida). No intervalo o Danilinho apareceu no telão e eu fiquei rouca gritando seu nome, lágrimas nos olhos de saudade… Coração doendo de saudade…
Passei mal logo no início do segundo tempo. Tremia. E não era o frio da noite que caía. Continuei cantando o mantra do 105 pra me acalmar, que a organizada resolveu finalmente adotar: “Somos alvi-negros e apoiaremos o Galo para sempre”. Ou então: “ooooo, o Galo é o meu amor, oba oba oba”.
O Galo fez dois a zero e o Tardelli usou a bandeirinha do escanteio pra “tocar violão”. Não segurei as lágrimas com “Vou festejar”: cantá-la hoje nunca fez tanto sentido… Eu cobrava do Galo pela traição de ter me decepcionado tanto nos últimos meses e (quem sabe interpretar a mente de uma atleticana apaixonada me explique) o Galo me “respondia” que eu podia chorar sem medo, porque havia brigado com ele sem ter porquê. O terceiro gol foi apenas pra simbolizar a redenção final. Ainda não tô acostumada a ver o Massaraújo jogando tão bem…
Enfim: Galo líder, urubuzada foi goleada mais uma vez, as marias pegaram gripe suína em SP e eu finalmente, depois de meses, voltei feliz pra casa após um jogo do Galo.
Roberta de Oliveira não vai dizer que a boa fase do Galo deixa seu coração alvi-negro irradiando felicidade porque ela é muito pé no chão para isso. Mas ela não diz isto, principalmente, porque seu coração já está calejado demais para criar expectativas com apenas seis rodadas de Campeonato.
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Oh, Aleluia!! Finalmente o Galo se viu livre da peste do Juninho! Como prometido e honrando a cidade onde nasci, pelo menos uma caixa de fogos será lançada aos céus em agradecimento a Deus Nosso Senhor. Vá em paz e amadureça, Juninho!!
E as notícias por enquanto são boas, né? Continuamos reciclando o elenco, o time ainda não perdeu no Brasileiro e até que o Celso Roth não fez nenhuma besteira. Mas, como eu disse, por enquanto!
Espero do fundo da alma que esta boa fase do Galo continue assim até o final do ano, pelo menos. Mas se eu pudesse fazer como as crianças, eu prometia ser boazinha com todo mundo e não guardar rancor de ninguém (nem mesmo do Kalil), só pra ver o Galo campeão brasileiro de novo. E desta vez, da série A, por favor!!
Roberta de Oliveira tem rezado todos os dias pra ver se o Kalil cria juízo (é sério, gente! rsrs). Parece que a sua fé tem dado resultado… Ainda bem!
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Não quero que este blog se torne uma obrigação. Mas às vezes é muito difícil falar sobre o Galo. Eu tenho usado de muito sarcasmo e ironia pra falar dele nos últimos meses. Graças a um tal de Alexandre Kalil que insiste em querer destruir o Clube Atlético Mineiro como um Nero querendo incendiar Roma.
Então, vamos ao sarcasmo:
=> Vieram me contar que um tal de Júlio César vem pro Galo. E eu não me contive: Júlio César?? Da Inter de Milão?! Que grande jogada de marketing! Sério?? Quero ver o Curíntia ganhar desta em nível de “grandes surpresas do futebol nacional de 2009″!! Agooora sim podemos dizer que o time tem um goleiro! Sabia que o Bebeto de Freitas não me decepcionaria!!
Quem me contou esta ficou tão sem reação que até ensaiou outro assunto: sobre o tempo instável de outono e a gripe suína rondando BH…
=> Também me contaram que o Celso Roth escalou o Edson no gol mesmo conhecendo bem o time adversário, que ele ajudou a montar e, fato consumado, desenvolveu um bom trabalho por lá, até jogar tudo fora nos últimos instantes do campeonato brasileiro do ano passado. Você chama isto de escalação de gênio? Sim! De gênio da lâmpada: concederemos três desejos aos jogadores gremistas na partida de hoje. Quanta generosidade!!
Ou melhor: seria uma jogada de mágico. O Grande Celso quer confundir o adversário. Tipo ilusão de ótica: você vê o Edson no gol e acha que é o Pelé, daí treme nas bases e corre por todos os cantos do gramado, menos em direção ao gol. Quem teria coragem de fazer um gol no Rei, não é mesmo?
=> A situação tende a se agravar quando ouço que um tal de Aranha pode ser nosso goleiro. Grande técnica: ele vai tecendo suas teias ao redor do gol e a bola simplesmente fica ali, grudada. Pelo menos ela não entra, né? Seria o Aranha um super-herói? Que vai nos salvar de mais uma ameaça de rebaixamento? Uau!! Este nome deve mesmo impor respeito ao adversário. Como Rogério Ceni, Marcos, Julio César, Bruno, Eduardo, João Leite, Kafunga (tá bom, Kafunga não é um nome que mete medo, mas olha pro tamanho dele!).
=> Também pode ser que venha Carini. Pra quem é acostumada a ver campeonato italiano e ver o Amelia jogando no gol, não me espanto com o nome feminino do nosso provável novo goleiro. Melhor que Aranha. Mas não impõe respeito de jeito nenhum. Não estou sendo machista: apenas me resguardando de possíveis chacotas de marias no futuro próximo!
=> Eu vou guardar um pouco do meu sarcasmo pra mais tarde em vez de falar das demais contratações que o Galo andou apresentando nestes últimos dias. Melhor poupar um pouco das minhas risadas cínicas pra quando eles começarem a jogar.
Roberta de Oliveira tem cada vez mais ódio de Alexandre “Nero” Kalil. E nem é preciso muito esforço para alimentar este ódio. O cara tem uma capacidade quase inata de conseguir reunir ódio ao seu redor.
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Ok. Mais uma vez o filme se repete. Exatamente como ano passado. Só que desta vez eu não tenho uma homenagem na Sede me esperando alguns dias depois pra me consolar e apagar de vez qualquer tristeza ou me encher de esperança, de orgulho por ser Atleticana. Não. Desta vez eu vou ter que engolir a seco.
E é melhor que seja assim. Eu já não alimentava mesmo qualquer espectativa em relação ao Galo. Cheguei a uma certa idade, como diz meu amado pai, que a gente vira gato escaldado e tudo o que vier é lucro. A gente passa a viver das emoções e sentimentos. E só. Atleticano é o ser que mais entende o que é isso. Porque comemora o instante imediato, não o que vem depois, seja lá o que for o depois. Se for um gol, uma vitória, um título, tudo bem. E se for mais uma chance perdida, mais um jogo repetido, tudo bem também. O amor do atleticano não acaba assim tão facilmente. Ele se abala, às vezes, cria cicatrizes que só de olhar, doem. Porque trazem consigo a lembrança do tal instante imediato em que surgiram. Mas passa. Ele sabe que passa. A única coisa que nunca passa é a intensidade do seu amor. Esta, só aumenta com o passar do tempo.
Mas não posso deixar, mais uma vez, de criticar o atual presidente e a torcida. Ouvir o Kalil dizer que não foi ao Mineirão porque estava sem carro?? PQP! Que presidente é esse que fala merda a semana toda, cuja arrogância estrapola todos os limites do bom senso e na hora H não está no campo do lado da torcida que, agora que lhe convém, é sua grande aliada? Pedir desculpas à torcida pra que? Ela também abandonou o time no meio do jogo. E depois vem os dois se dizerem os mais apaixonados? Que paixão é essa que abandona o time quando ele mais precisa? Falar depois do jogo é fácil. Dar a cara a tapa depois do jogo é mais fácil ainda. Assim se esconde mais uma vez a total falta de competência técnica, que tenta, a todo custo, fazer milagres num time medíocre. Difícil mesmo é ser Presidente de verdade. É fazer as coisas andarem reto, sem floreios, sem meias verdades. Quero ver aonde vai parar tanta mediocridade, Kalil!
Roberta de Oliveira vive à flor da pele todos os dias. E reconhece que uns bem mais que os outros.
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O meu amor pelo Galo está diretamente ligado a duas pessoas: meu pai e Telê Santana. Impossível medir a intensidade deste amor, comparando-a entre os três. Eu simplesmente não consigo falar do Telê sem que lágrimas rolem pelo meu rosto, sejam elas de alegria, de orgulho ou de saudade.
Como não consigo ver imagens dele sem me emocionar profundamente. Se me perguntam qual o meu maior ídolo no Galo, eu, contrariando a máxima de se escolher um jogador, digo sem pestanejar: Telê Santana.
Quando nasci, Telê não estava mais no Galo. Foi dar ao Grêmio um título que eles amargaram oito anos pra tirar do Inter. Mas, influenciados pela verdadeira adoração do meu pai por ele, eu e meus irmãos acompanhávamos cada passo seu. As Copas de 82 e 86 foram um exemplo disso. Eu não torcia pela Seleção. Eu torcia pelo time do Telê. E vê-lo dirigir o Galo foi maravilhoso, ainda que por pouco tempo. Telê saiu do Galo magoado com a torcida (e talvez venha daí minha birra pelas organizadas: não sabem reconhecer um verdadeiro apaixonado pelo Galo).
Acompanhei Telê dirigindo o São Paulo, feliz da vida. Ainda não tinha me tornado uma atleticana fanática (fato que só ocorreu entre 93 e 95). Meu irmão caçula passou a dividir seu amor entre o Galo e o São Paulo, comprando camisas e tudo o mais, tudo porque simplesmente adorava o Telê.
E meu pai sempre enriquecia nossa memória afetiva, contando casos e mais casos do grande Mestre. Telê se tornou uma lenda lá em casa. E, em janeiro de 1996, quando eu tinha recém-adoecido pelo Galo (final da Commenbol de 95), Telê sofreu uma isquemia cerebral e foi afastado do futebol. Chorei dias seguidos, rezando pra ele não nos abandonar. E dez anos se passaram até que ele finalmente pudesse descansar em paz.
Hoje, 21 de abril de 2009, faz três anos que Telê se foi. Mas seu sorriso cativante continua gravado pra sempre na minha alma alvi-negra.
Roberta de Oliveira também chora toda vez que se lembra que tem uma foto dela na mesma galeria onde reina absoluto seu grande Mestre e ídolo Telê.
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Hoje, 19 de abril de 2009, faz 13 anos que BH me adotou como cidadã. Impulsiva por natureza, vim pra cá de repente, pra ver um show dos Paralamas para o lançamento do Fiat Palio (sim, também faz 13 anos que nosso ex-patrocinador lançava aquele que seria um dos seus carros mais populares, em cores divertidas espalhadas pela cidade, lembra?).
Então aproveitei a oportunidade e declarei pro meu pai: vou mudar pra BH e saí fazendo a mala. Na despedida, ele, segurando o choro, me deu várias recomendações, incluindo olhar pros dois lados da rua ao atravessar. Mas teve duas recomendações expressas que eu nunca esqueci: de jamais pisar no Mineirão em dia de Clássico e principalmente, jamais procurar briga nas arquibancadas. Falo recomendações expressas, porque uma ficou no bilhete que ele me deu pra ler no ônibus (nunca ir a um Clássico porque era perigoso).
Meu pai sabia que eu jamais cumpriria nenhuma das duas recomendações. Sabendo do meu gênio rebelde e explosivo, apenas quis garantir que eu soubesse que ele se preocupava comigo, numa tentativa frustrada de me persuadir a poupá-lo de possíveis infartos.
E não deu outra: primeiro Clássico logo após eu pisar em BH lá estava eu no Mineirão. Lotadaço. Fiquei espremida no 7A. Era uma luta pra acompanhar qualquer lance do jogo. Mas era a minha estréia no Mineirão e fiz questão de ligar pro meu pai pra contar que estava lá…
Depois deste jogo virou tradição ligar pro meu pai do campo, de preferência após um gol do Galo. Como o fiz no domingo passado, depois de dois meses e meio longe do campo. Acabei narrando o golaço do Éder Luis pra ele: “Ah, o jogo tá uma droga, morno pra c****, tá um tédio só. Eu te ligo quando Galo fizer gol então. Nãããão! Espera aí! Não desliga não! Não desliga não! Gooooooooooool!! Gaaaaaaloooo!” e virei o telefone pra torcida, crente que meu pai ouvia, já que ele não tinha desligado. Que nada! No dia seguinte liguei de novo e ele, rindo à beça, me contou que jogou o telefone longe e correu pra ver o replay do gol na TV!
Nestes 13 anos de BH já perdi a conta de quantos jogos e clássicos assisti no Mineirão. Já briguei várias vezes na arquibancada, já bati boca uma infinidade de vezes também. Às vezes como um Dom Quixote, brigando com a organizada porque ela está calada (e talvez por isso eu me identifique tanto com o Movimento 105).
Já chorei de alegria, de puro nervosismo num jogo já ganho que não acabava nunca, já chorei desolada quando o Galo caiu, quando perdemos de 5a0 pras marias, quando eu ia pro campo ano passado e só tinha cinco mil pessoas na torcida e eu tinha brigado com meio mundo pra me acompanhar e ninguém queria saber mais do Galo.
Já ri muito também. Já me diverti muito xingando Ronildos, Bilús e Caçapas, mesmo quando eles não estavam em campo. Coloquei apelidos em metade do time em cada temporada. Já quis matar o traidor do Guilherme quando ele mandou a torcida calar a boca num clássico (e não há nada que me faça perdoá-lo por isso). E quis a cabeça de alguns jogadores retardados das marias, como o Cris, que jogou um sinalizador azul pra torcida e apanhou do Dudu e pediu pra ir embora das marias após ameaças de morte.
Como quis matar o diretor que trouxe o Fábio Jr. pra jogar no Galo duas vezes. Eu não tenho nada a ver com a falta de amor do cara à camisa das marias! Outro que pediu pra sair chorando.
São momentos inesquecíveis, carregados de emoção e significado. Que voltam a mim toda vez em que ameaço largar o campo por pirraça contra o idiota do Kalil. Que me fazem recordar que já tivemos presidentes piores, diretorias e técnicos ainda mais medíocres. E Leão talvez seja a única coisa que me segura os pés no chão este ano. Saber que ele comanda o time me dá mais segurança, mesmo sem um goleiro pra honrar a camisa. É pelo time que o Leão tem tentado equilibrar que eu ainda não abandonei o Galo.
E é por todos os momentos inesquecíveis que vivi ao lado do Glorioso, que o meu amor pelo Galo vai superar o meu ódio pelo Kalil.
Roberta de Oliveira luta todos os dias pra equilibrar amor e ódio quando pensa no Galo. Mas ela sabe: amor e ódio, yin e yang, preto e branco, tudo se mistura e se equilibra. Este o tempero da vida!!