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Três meses do Centenário do Galo…
Enquanto cuidava de alguns afazeres domésticos (vida de mulher independente tem destas coisas), fiquei matutando com meus botões qual alegria o Galo trouxe à sua torcida após o 25 de março de 2008. E me dói demais dizer que não consegui encontrar nenhum momento de êxtase coletivo, vivenciado junto à torcida alvi-negra, pós Centenário.
Nenhuma contratação que merecesse visitas ao aeroporto ou à Sede (o Marques veio antes, para encher nosso coração de falsas esperanças). Pelo contrário, algumas recepções à delegação foram recheadas de protestos, alguns tímidos até.
E vieram outros protestos, alguns mais violentos, com direito a bombas e correria na porta da Sede, naquela reunião do Conselho que nunca dá em nada. E que inveja eu tenho às vezes dos torcedores do Vasco por poderem votar contra o Eurico. Ainda que sejam poucos. Ainda que isto não queira dizer muita coisa. Pelo menos torcem pro Vasco. Os membros do Conselho do Galo não me parecem ter tanto amor assim ao nosso time… Se tivessem, as coisas não estariam mais pra negras que pra alvas no Clube.
Nestes três meses, a única alegria verdadeira que tive foi ter uma foto minha exposta na Galeria da Sede, ao lado de algumas (bem mais importantes e significativas, diga-se de passagem) que retratam a história do Clube e as comemorações do Centenário. Mas foi uma alegria dividida com meus amigos. Não é uma alegria contagiante, daquelas de lavar a alma da gente. Esta alegria a gente só sente quando o time vai bem.
Eu sei… Não é comum um Clube homenagear uma torcedora. Fico honrada com o reconhecimento ao meu amor à flor da pele. É uma foto que retrata um dos momentos mais marcantes da minha história. Foi tirada na Vigília do Centenário. E aquela alegria sim, era contagiante! Aquele segundo reveillon que fizemos em BH vai ficar pra sempre na memória da cidade… E ela retrata também todo meu amor pelo Clube. Fico feliz em representar a paixão dos torcedores lá na Sede.
Mas mulher nunca está satisfeita com nada. Pra minha alegria ser completa neste ano do Centenário, é preciso mais que algumas homenagens, que grandes concentrações de seres apaixonados (seja pra torcer, pra comemorar ou protestar), que alguns shows de axé music (eca!). É preciso que o time acredite que faz parte da história do Galo. Como eu acredito que agora faço parte porque um rapaz muito bacana cismou de colocar uma foto numa Galeria… E daí este time ser capaz das maiores loucuras por puro amor ao Clube. Porque, se precisasse, eu daria a vida pelo meu Clube. E eu sei que o Galo representa tudo aquilo que eu acredito, o que eu sou, o que eu sonho, o que eu pretendo construir de bom e deixar neste mundo. E eu também sei que não estou sozinha, que não sou a única pessoa que ama o Galo louca e incondicionalmente.
Só falta convencermos os jogadores a também acreditar e fazer do Galo a sua vida… Nem que seja por um ano apenas.
A foto que está na Galeria é parecida com esta aqui. Ela sofreu algumas alterações tecnológicas antes de ser emoldurada, mas os créditos pelo registro são do Bruno Cantini (que tirou a foto) e do Emmerson Maurílio (que é o rapaz bacana citado ali em cima)!!
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É inacreditável a falta de amor à camisa dos jogadores do Galo! Inacreditável e inaceitável! E eu não vou nem comparar com a mesma falta de amor que ronda a Seleção Brasileira desde a Copa de 90. Nem relembrar que, há bem pouco tempo atrás, vestir uma destas duas camisas era motivo de orgulho, uma honra concedida a pouquíssimos eleitos.
Porque mulher é um ser dotado de uma capacidade meio maluca que a faz acreditar que ainda exista, em pleno século XXI, uma coisa chamada consciência. E eu espero que os jogadores do Galo, assim comos os da Seleção (mesmo que eu jamais tenha torcido pra Seleção Brasileira e isto é assunto pra um outro post), um dia olhem pro escudo gravado na camisa e comecem a carregar o time consigo.
Não sei se podemos colocar a culpa no mundo globalizado. Hoje em dia tudo acontece tão rápido: o menino que jogava bola no interior do Rio Grande do Sul vai pra Europa e se torna ídolo lá fora sem que a gente sequer tenha ouvido falar o nome dele. E de repente ele aparece na sua frente, vestindo a camisa canarinho e você faz um esforço incrível para acreditar que ele realmente ama o país onde nasceu e que, pra ele, é uma honra perder tempo e dinheiro disputando uma Eliminatória da Copa, enquanto ele poderia descansar em qualquer canto do mundo ou assinar algum contrato com uma marca esportiva de renome internacional no seu período de férias.
Tudo bem então. Sejamos profissionais. O cara não tem mais obrigação de “servir” à Seleção Brasileira. Não tem mesmo! Ele ganha muito mais lá fora, seu país não lhe deu a menor chance de ser alguém na vida, ele teve que “optar” por ser jogador de futebol e, graças à Deus, deu sorte e hoje conta os milhões de euros que ganha (e que ele gasta lá fora, obviamente, pra não correr risco de ser sequestrado quando vier pra cá. Que jogador da Seleção disse isto mesmo?). Parabéns pra ele! No fundo, ele está apenas sendo extremamente profissional, cumprindo com seus contratos e optando por abdicar da Seleção em troca de representar algum time europeu em algum torneio mais importante (financeiramente falando) lá fora.
Mas e os pobres coitados dos jogadores que ainda estão aqui? Que têm que vestir a camisa de times como a do meu amado Clube Atlético Mineiro e ainda aguentar uma torcida apaixonada, que pega no pé, que reclama, que cobra atitude… profissionalismo! Que sonham um dia serem descobertos, ganhar milhões de euros e, finalmente, ter o direito de vestir a camisa da Seleção (não sabia, querido leitor, que pra jogar na Seleção, você tem que antes jogar na Europa?).
Que espécie de amor à camisa nós, pobres torcedores, ainda esperamos encontrar no país do futebol? No país exportador de jogadores de futebol. É triste assistir a um Brasil e Argentina e ver que os hermanos, pelo menos, ainda apresentam alguns profssionais que jogam em sua terra natal, que não se venderam pra Europa logo cedo e que amam o time para o qual trabalham (sim, jogar bola é uma profissão!) e que jogam pela Seleção com a mesma garra e amor à camisa com que jogam pelo Boca, por exemplo.
Como é triste assistir a um Rússia x Holanda com meu pai, morrendo de inveja do amor e da raça daqueles jogadores, do sangue, suor e lágrimas que eles derramaram por amor ao seu país, numa partida que, não fosse tão decisiva, podia muito bem acabar empatada. E ouvir meu pai, também se mordendo por dentro, dizer: “E pensar que o Galo já jogou assim, pelo tudo ou nada em cada partida, por mais insignificante que fosse”.
Na época do meu pai e em boa parte da minha também, existiam jogadores profissionais no Brasil. Que honravam suas camisas até serem descobertos, porque sabiam que nada era garantido, nem o salário em dia, nem o grito apaixonado da torcida. Eles sabiam que, mais cedo ou mais tarde, o reconhecimento viria. E que não tinha preço ser carregado nos ombros da torcida do Galo, ser recebido no aeroporto mesmo que o campeonato não tivesse sido ganho. E os outros times tremiam ao entrar em campo contra eles. Havia uma mística que rondava o Galo. Que nos fazia virar um jogo praticamente perdido contra o Grêmio (o Grêmio do Éder ainda por cima!). 4a2. É este 4a2 que quero ver no Mineirão! Não um 4a2 contra o Ipatinga…
Não é querer demais que os jogadores do Galo sejam profissionais. Isto é o mínimo que se exige de qualquer cidadão que trabalha neste país. E ser jogador de futebol, eu já disse, é uma profissão. Muito bem remunerada pro pouco de alegria que tem nos trazido. A mim não interessa se o Danilinho joga pensando no Benfica ou se o Pet acorda achando que um dia vai voltar pra Sérvia e se tornar técnico de algum time de lá. Enquanto eles estiverem no Galo, eu exijo que sejam profissionais. Que vistam a camisa e imponham respeito ao adversário.
Porque não existe coisa mais triste neste mundo do que torcer pra um time que joga sem paixão. Como a minha Seleção Italiana jogou hoje, completamente apática, fria, sem amor e acabou perdendo nos pênaltis pro lindíssimo Casillas – porque a Espanha também jogou feia e mornamente mal…
Será que existe uma síndrome da falta de amor à camisa cercando o mundo do futebol?
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Novidade nenhuma afirmar que brasileiro adora futebol. E que cada jogo carrega em si uma história, seja ela qual for. Se o torcedor for atleticano então, ela sempre ganha um ar meio épico, meio dramático e, de vez em quando, até engraçado. Mas esta história provavelmente já deve ter acontecido com qualquer torcedor mais entusiasmado, de qualquer lugar do mundo.
Tudo que ronda uma partida de futebol merece uma história. É a confusão na hora de entrar em campo, é a revista policial, é o ingresso que nunca passa naquelas porcarias de catracas eletrônicas, é o cheiro irresistível do bolinho de feijão que te pega logo no primeiro lance de escadas até a arquibancada, é o Mineirão sempre lotado e a luta pra encontrar um lugar decente até a partida começar, é o celular tocando no instante exato que seu time entra em campo e você não sabe se atende ou se mata o louco que te liga no momento mais sagrado do jogo!
Na verdade, o momento mais sagrado do jogo é quando seu time faz gol, né? E é neste momento, pra ser mais exata, nestes poucos segundos do gol até a comemoração, que podem acontecer as coisas mais inimagináveis. E aí são várias outras histórias: dos desconhecidos que se abraçam como irmãos, do choro incontido (de dor, de alegria, de nervosismo, da sua vida que dependia daquele lance e você nem sabe explicar porquê), das promessas e ameaças do tipo: “Eu não te falei que a gente ia virar?” ou “Não falei que ia ficar 2 a 0?”…
E da chuva de tropeiros e copos de refrigerante ou água (menos mal: a cerveja foi banida no Mineirão há um ano e meio) em cima de pessoas inocentes que só queriam comemorar o golzinho suado de seu time do coração.
Pois é, caros amigos, quantas vezes eu mesma já não joguei meu prato de tropeiro na cabeça destes pobres e inocentes irmãos alvi-negros, quantos litros de cerveja ou água, quantos picolés (com palito e tudo!, correndo o risco de furar um olho!) eu, este também inocente e pobre ser alvi-negro, já não joguei pro alto, quando o Galo fez um gol? Até celular já joguei no chão (na inacreditável comemoração do famoso gol no “Fábio de costas”).
E eis que os deuses que habitam o Mineirão e que tudo vêem, resolveram que era chegada a minha hora. Logo eu, que sempre amei Soda Limonada. Logo no gol do Marques, meu último ídolo (até o presente momento). Tive que segurar todos os palavrões conhecidos e desconhecidos naquele momento único, quase raro em se tratando do Galo de nossos dias, naqueles poucos segundos pós gol. Tomei um banho de Soda Limonada! E, pela primeira vez na vida, detestei o gosto desta maravilha de refrigerante. Que melou meu cabelo, meu rosto, minhas mãos e alagou meu cantinho na arquibancada.
E que moral teria eu pra brigar com um pobre coitado que não agüentou a emoção do gol? Nenhuma! Quantas vezes não fui eu quem pediu desculpas ou fiz cara de paisagem quando pega em flagrante? Como brigar com alguém no momento mais emocionante da partida? Impensável! Fiquei lá, rindo da situação, rezando pra partida acabar logo e eu tomar um banho (sem refrigerante!).
Coisas do futebol. E sorte de quem estava perto de mim: primeiro que a Soda veio inteirinha só pra mim e segundo, que eu tinha acabado de tomar um copo d’água, instantes antes do gol de Marques. Ia ser refri e água pra todo lado!
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Sejam bem vindos à minha mais nova morada na internet!
A idéia deste blog nasceu desde que a ferrramenta existe e eu decidi transferir minhas egotrips do papel para rede. Mas eu gostei tanto de escrever por aí que acabei misturando tudo num blog só e a idéia foi sendo adiada… Depois, num surto coletivo, eu e alguns amigos acabamos criando um blog pra falar do Galo. Até que todo mundo, três enrolados por natureza, desistiu.
E, vai saber porquê, sete anos depois, eis que finalmente surge o tal do “Atleticana”.
Vai ver é porque o Galo fez 100 anos em 2008. Vai ver é porque a tatoo que eu carrego nas costas me tornou uma atleticana mais próxima do fundamentalismo do que da paixonite aguda que nasce com todos os seres alvi-negros. Vai ver o amor que sinto pelo Galo extrapolou todos os limites possíveis da normalidade, da racionalidade, da convivência pacífica entre eu e o resto do mundo.
Então, como acontece sempre que eu rompo todos os limites, eu deixo os sentimentos espalhados por todos os cantos, como uma tentativa (nem sempre saudável) de não implodir. E a maneira que encontrei de fazer isto é escrevendo. Melhor que sair por aí gritando e batendo em todo mundo…
Algum dia, um ser humano dotado de certa genialidade (e provavelmente ele será atleticano), conseguirá explicar o que o Galo tem que transforma algumas pessoas em seres diferentes do resto da humanidade. A identificação do atleticano com seu time não tem uma explicação lógica, ainda.
E, a cada dia que passa, mais difícil se torna separar o que eu sou do que o Galo representa pra mim.
Este blog então nasce da necessidade, quase física, de colocar pra fora todo sentimento que eu possa nutrir pelo Galo. Quase sempre de amor incondicional. Às vezes uma mistura de mágoa, tristeza e rebeldia. Às vezes uma briga interna contra um amor doentio que me faz desabar como nenhum outro. Às vezes um sentimento puro, de esperança e alegria. Mas, como tudo em mim, sempre intenso, sempre por um fio, sempre à beira do precipício.
E, sendo assim, tão passional, eu não poderia torcer por outro time!
Espero que vocês gostem do que vão encontrar por aqui…
