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É inacreditável a falta de amor à camisa dos jogadores do Galo! Inacreditável e inaceitável! E eu não vou nem comparar com a mesma falta de amor que ronda a Seleção Brasileira desde a Copa de 90. Nem relembrar que, há bem pouco tempo atrás, vestir uma destas duas camisas era motivo de orgulho, uma honra concedida a pouquíssimos eleitos.
Porque mulher é um ser dotado de uma capacidade meio maluca que a faz acreditar que ainda exista, em pleno século XXI, uma coisa chamada consciência. E eu espero que os jogadores do Galo, assim comos os da Seleção (mesmo que eu jamais tenha torcido pra Seleção Brasileira e isto é assunto pra um outro post), um dia olhem pro escudo gravado na camisa e comecem a carregar o time consigo.
Não sei se podemos colocar a culpa no mundo globalizado. Hoje em dia tudo acontece tão rápido: o menino que jogava bola no interior do Rio Grande do Sul vai pra Europa e se torna ídolo lá fora sem que a gente sequer tenha ouvido falar o nome dele. E de repente ele aparece na sua frente, vestindo a camisa canarinho e você faz um esforço incrível para acreditar que ele realmente ama o país onde nasceu e que, pra ele, é uma honra perder tempo e dinheiro disputando uma Eliminatória da Copa, enquanto ele poderia descansar em qualquer canto do mundo ou assinar algum contrato com uma marca esportiva de renome internacional no seu período de férias.
Tudo bem então. Sejamos profissionais. O cara não tem mais obrigação de “servir” à Seleção Brasileira. Não tem mesmo! Ele ganha muito mais lá fora, seu país não lhe deu a menor chance de ser alguém na vida, ele teve que “optar” por ser jogador de futebol e, graças à Deus, deu sorte e hoje conta os milhões de euros que ganha (e que ele gasta lá fora, obviamente, pra não correr risco de ser sequestrado quando vier pra cá. Que jogador da Seleção disse isto mesmo?). Parabéns pra ele! No fundo, ele está apenas sendo extremamente profissional, cumprindo com seus contratos e optando por abdicar da Seleção em troca de representar algum time europeu em algum torneio mais importante (financeiramente falando) lá fora.
Mas e os pobres coitados dos jogadores que ainda estão aqui? Que têm que vestir a camisa de times como a do meu amado Clube Atlético Mineiro e ainda aguentar uma torcida apaixonada, que pega no pé, que reclama, que cobra atitude… profissionalismo! Que sonham um dia serem descobertos, ganhar milhões de euros e, finalmente, ter o direito de vestir a camisa da Seleção (não sabia, querido leitor, que pra jogar na Seleção, você tem que antes jogar na Europa?).
Que espécie de amor à camisa nós, pobres torcedores, ainda esperamos encontrar no país do futebol? No país exportador de jogadores de futebol. É triste assistir a um Brasil e Argentina e ver que os hermanos, pelo menos, ainda apresentam alguns profssionais que jogam em sua terra natal, que não se venderam pra Europa logo cedo e que amam o time para o qual trabalham (sim, jogar bola é uma profissão!) e que jogam pela Seleção com a mesma garra e amor à camisa com que jogam pelo Boca, por exemplo.
Como é triste assistir a um Rússia x Holanda com meu pai, morrendo de inveja do amor e da raça daqueles jogadores, do sangue, suor e lágrimas que eles derramaram por amor ao seu país, numa partida que, não fosse tão decisiva, podia muito bem acabar empatada. E ouvir meu pai, também se mordendo por dentro, dizer: “E pensar que o Galo já jogou assim, pelo tudo ou nada em cada partida, por mais insignificante que fosse”.
Na época do meu pai e em boa parte da minha também, existiam jogadores profissionais no Brasil. Que honravam suas camisas até serem descobertos, porque sabiam que nada era garantido, nem o salário em dia, nem o grito apaixonado da torcida. Eles sabiam que, mais cedo ou mais tarde, o reconhecimento viria. E que não tinha preço ser carregado nos ombros da torcida do Galo, ser recebido no aeroporto mesmo que o campeonato não tivesse sido ganho. E os outros times tremiam ao entrar em campo contra eles. Havia uma mística que rondava o Galo. Que nos fazia virar um jogo praticamente perdido contra o Grêmio (o Grêmio do Éder ainda por cima!). 4a2. É este 4a2 que quero ver no Mineirão! Não um 4a2 contra o Ipatinga…
Não é querer demais que os jogadores do Galo sejam profissionais. Isto é o mínimo que se exige de qualquer cidadão que trabalha neste país. E ser jogador de futebol, eu já disse, é uma profissão. Muito bem remunerada pro pouco de alegria que tem nos trazido. A mim não interessa se o Danilinho joga pensando no Benfica ou se o Pet acorda achando que um dia vai voltar pra Sérvia e se tornar técnico de algum time de lá. Enquanto eles estiverem no Galo, eu exijo que sejam profissionais. Que vistam a camisa e imponham respeito ao adversário.
Porque não existe coisa mais triste neste mundo do que torcer pra um time que joga sem paixão. Como a minha Seleção Italiana jogou hoje, completamente apática, fria, sem amor e acabou perdendo nos pênaltis pro lindíssimo Casillas – porque a Espanha também jogou feia e mornamente mal…
Será que existe uma síndrome da falta de amor à camisa cercando o mundo do futebol?
3 Comentários até o momento
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“Será que existe uma síndrome da falta de amor à camisa cercando o mundo do futebol?”
Não acredito que esteja cercando o mundo do futebol, mas do futebol brasileiro sim.. pelo menos em grande parte dele..
semana passada eu consegui assistir aos ultimos quine minutos da partida entre Croácia e Turquia.. com um gol no finalzinho do jogo, a Croácia praticamente havia eliminado a Turquia, quando do nada, a Turquia consegue um empate.. que RAÇA!! Há muito tempo eu naum via tanta felicidade estampada na face dos jogadores..
sobre a Itália, podemos lembrar da ultima copa, quando F´bio Grosso fez o gol e saiu comemorando chorando..
Comment por Vinicius Junho 23, 2008 @ 2:53 pmisso naum se vê mais aki no Brasil.. infelizmente..
sobre o GALO, a ultima vez que fiquei muito feliz mesmo com o time foi em 99.. lembro dos 3 a 0 contra o Flamengo, contra os 2 a 0 contra o Santos e muitos outros.. naum era um time excepcional não, mas era um time raçudo.. sinto tanta falta dakele time..
hj moro no Rio Grande do Sul e naum tenho tempo de dedicxar tanto ao GALO qunto antes.. mas acompanhando pela net e sabendo de tudo q acontece com o time, começo a ficar com nojo de todo mundo q cerca esse imenso clube..
Falta amor…falta jogador..Falta tudo no Galo.Mas sobra incopetencia da diretoria,dos jogadores.
Comment por Renata Junho 23, 2008 @ 9:40 pmConheça meu blog também.Saudações ALvinegras
“Será que existe uma síndrome da falta de amor à camisa cercando o mundo do futebol?” no mundo do futebol nao no Brasil do futebol sim. Antes quando garotos começavam no Jr de qualquer time o sonho era jogar nos profissionais do proprio time, hoje em dia usam esse mesmo time para jogarem em times do exterior seja ele qual for, ucraniano ou italiano tanto faz o time o que diferencia sao os valores.
Comment por Humberto Junho 24, 2008 @ 4:15 pmAbraço