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Blog temporariamente fora do ar por dois motivos. Primeiro: estarei literalmente fora do ar por alguns dias, totalmente desconectada. E segundo porque o Galo não tem me dado bons motivos pra falar sobre ele.
Mas estarei no Mineirão amanhã, abraçando-o, como todo (a) bom (boa) atleticano (a) que se preze deveria fazer também!
Saudações!
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Dizem que a gente cria os filhos pro mundo… E, num mundo onde não existe mais apego quando o assunto é futebol, fica cada vez mais difícil apontar alguém pra se tornar ídolo. Aquele ser, tipo o Marques, que honra a camisa que veste, que respeita a torcida de uma maneira geral, sem ligar para pequenas provocações isoladas, que chora quando entra em campo e ouve seu nome gritado da arquibancada, que se faz merecedor de ser carregado nos braços da torcida todas as vezes em que aparecer na cidade.
Uma pessoa que se emociona ao falar do time que lhe deu status, que lhe deu grandes momentos de felicidade, de realização profissional e reconhecimento da torcida por cada esforço seu. Uma pessoa que jamais falaria mal do time que lhe acolheu e onde ele jogou qdo entrou pra história do Campeonato Brasileiro como uns dos maiores artilheiros.
Um verdadeiro ídolo não desrespeita a camisa que um dia já vestiu e beijou o escudo. Um verdadeiro ídolo não manda a torcida que tanto o idolatrou calar a boca quando vai jogar vestindo a camisa do time rival. Enfim, ídolo é tudo o que o Guilherme jamais vai ser no Galo. Porque simplesmente NÃO FEZ POR MERECER. Pra ser ídolo não é preciso apenas ser artilheiro. É preciso muito mais que isso…
E, depois de Marques, a única pessoa que talvez chegaria a seus pés era o Danilinho. Que chegou morrendo de vontade de mostrar a que veio, que fez gols inesquecíveis, que nos deu tantas alegrias, que fazia dribles estonteantes… Não existia bola perdida pra ele: ele participava de todas as jogadas. Era incrível como meu neném tinha fome de bola!
Mas é muito novo ainda… Tem muitos gramados pela frente. Precisa amadurecer (não sair na balada e bater o carro em plena segunda-feira, só pra citar um caso…), como todo filho um dia precisa. Precisa desejar, do fundo do coração, se tornar um grande ídolo. E acreditar em sua capacidade, no seu dom de trazer alegrias ao coração dos torcedores. Acreditar que ele pode sim, vir a ser um grande profissional, em todos os sentidos da palavra.
Não jogar bem apenas quando estiver mais inspirado. Quando não estiver com a cabeça nas nuvens, apenas sonhando com o grande momento em que será chamado de ídolo, sem saber que, pra chegar lá, é preciso viver cada dia de uma vez, se entregar por inteiro em cada partida. É preciso que a carreira seja construída no dia-a-dia e não de uma hora pra outra. Não se torna ídolo de uma hora pra outra. Não é fazendo gols inacreditáveis (como o gol do Eduardo, goleiro, que correu o campo todo pra marcar um gol de cabeça, nos minutos finais de uma partida, deixando até o narrador incrédulo). Também não é declarando todo seu respeito à torcida, todo seu amor à camisa. Não adianta falar, se suas ações não condizem com suas atitudes.
Um ídolo de verdade mantém a ética acima de tudo, constrói uma carreira baseada na humildade e na retidão. Um ídolo de verdade fala com a alma, coloca o coração acima da razão. É capaz de qualquer sacrifício só pra fazer a torcida mais feliz, mesmo que seja por alguns minutos de jogo. E, se ele abandona o time de vez em quando, é apenas fisicamente. Porque o time já faz parte de si mesmo, tamanho o amor que sente por ele. E ele sempre volta pra casa… Um ídolo sabe, mas jamais demonstra publicamente, que seu amor pelo time é reconhecido pela torcida. Marques sabe disso. Danilinho não se permitiu saber…
Maldade fazer um gol incrível no último clássico, pra encher o coração alvi-negro de esperança e nos abandonar no dia seguinte… Maldade partir meu coração e o de tantos atleticanos que acreditam no seu futebol, nos abandonando quando mais precisamos dele… Mas mãe é mãe. E mãe sempre vai amar seus filhos, mesmo de longe. Estará sempre torcendo pela felicidade de seus filhos, ainda que esta felicidade lhe custe algumas noites mal dormidas e muitos litros de lágrimas…
Vai, neném, crescer e se tornar um grande profissional. Nunca se esqueça de que esta torcida lhe adora. Nunca se esqueça daquilo que o Galo representa pra sua vida. E volte, quem sabe um dia, pra ser carregado nos braços da torcida… Amo você incondicionalmente. Mesmo que me doa agora a sua perda, eu sei que você vai voltar. Porque, mesmo visando uma carreira melhor lá fora, você ama meu Galo. Porque você não é o Guilherme. E tem tudo nas mãos pra se tornar um grande ídolo. Eu sei que você não vai desperdiçar esta chance: você sabe do que esta torcida é capaz de fazer por amor a seus ídolos.
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Eu sei que prometi um texto pra falar do “aniversário” da minha tattoo, mas tô correndo contra o tempo hoje! Então fica um texto mais ou menos antigo que escrevi quando minha tattoo foi eternizada na Galeria da Sede de Lourdes, dias após a derrota do Galo pras marias por 5a0…
Então um dia você aprende a amar incondicionalmente. De uma maneira quase cega. Doentia na maioria das vezes. Mas é este amor que te impulsiona, que te motiva, que te faz se sentir viva. É este amor que não tem explicação, que a gente não sabe quanto começou, de onde veio nem muito menos no que vai dar. Que te fortalece, que te faz acreditar que cada dia é uma chance de melhorar, que tudo vai ficar bem, não importa o quão adversa seja a situação, o momento. Este amor que te faz sorrir, que faz seus olhos brilharem, sua voz se alterar e o coração bater acelerado toda vez que vai falar do seu objeto de adoração.
E não importa quantos momentos ruins, quantas decepções este objeto de seu amor lhe faça sentir: você sempre perdôa. Porque você ama. E quem ama perdoa, aprende com as diferenças. Acredita que tudo pode mudar a qualquer momento e você voltará a sorrir, a torcer para que seu amor melhore, evolua e cresça com você.
E eis que um dia todo amor é reconhecido e você não sabe o que fazer tamanha a alegria em seu coração!
Terça-feira, dia 29 de abril de 2008, foi um dos dias mais importante da minha história até aqui. E marca para sempre esta história de amor que tenho com meu amado Clube Atlético Mineiro. A minha maior declaração de amor ao Galo foi fotografada no dia da Vigília e hoje está exposta na galeria da Sede. Ao lado de fotos históricas que mostram os grandes times do Galo, as demonstrações inesquecíveis de paixão da torcida, as pessoas que marcaram a história do meu amor, como Telê Santana, o Galo Doido e eu e minha tatoo comemorando o Centenário.
Que time de futebol homenagearia uma torcedora apaixonada, tornando-a também parte de si mesmo? Que time mais eu poderia amar incondicionalmente nesta vida?
Como dizia o Roberto Drummond, “se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento.” Domingo passado ventou. Mas o vento passa. O Galo é eterno!
E agora eu também faço parte desta história…
P.S.: Se eu não voltar tarde pra casa, quem sabe o texto não vem?
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Tenho várias manias relacionadas ao futebol. Algumas eu herdei do meu pai, como a de criar algumas expressões ligadas a jogadores, por ex. Quando criança, era comum sair a família inteira pra passear no domingo e meu pai apresentar a galera pros amigos como “a família do Isidoro” que, segundo consta, além de um jogador boa praça, teve uns seis filhos. Meu pai era fã incondicional do Paulo Isidoro, registre-se! Eu guardei mais as risadas que a gente dava quando meu pai contava os casos relacionados a ele…
Vai daí que eu cresci com algumas manias parecidas. É comum me ouvir gritar “acredita!” a cada lance do time, seja “acredita, Galo” ou “acredita, Dudu” e por aí vai. Uma vez o Rafa, de tanto me ouvir gritar, me perguntou o motivo do tal “acredita”. Eu não consegui me lembrar… Vem desde que me entendo por gente. Mas me lembro que quando o Galo fazia gol o inesquecível Vilibaldo Alves gritava o seu “adivinha” antes de avisar que era gol. E eu gostava tanto daquilo que torcia desesperadamente pros jogadores fazerem logo o gol, só pra ouvir o “adivinha” e o grito da torcida. Então, o “acredita” pode ter saído daí. Da vontade quase incontrolável de gritar “gol”…
E tem mais. Chamar meus jogadores preferidos pelos apelidos carinhosos que invento quase sem querer quando estou no campo. Danilinho, por exemplo. é neném. “Vai neném!” “Acredita neném!”, “P****, neném!”, “Seu viado, como é que você faz isso com meu neném!” e a melhor: quando ele faz gol eu não grito “neném, te amo!”, eu olho pro lado e digo, orgulhosa: “É o meu garoto!” (isto serve pra qualquer lance mais ousado que Danilinho faz em campo).
Esta história vem desde que ele entrou pro Galo. Olhei praquele pedacinho de gente correndo em campo, numa fome de bola, que não hesitei um segundo: “que gracinha! Tão pequenininho, parece uma criança!”. No primeiro lance dele após o “que gracinha” já estava eu chamando o coitado de neném.
Marques eu chamo de amor. Daí é só substituir o neném por “meu amor”. Acho que não precisa dizer porque chamo meu atual ídolo de amor… Mas o Guilherme, seu grande parceiro, que eu sempre detestei, por toda sua arrogância e falta de modéstia (e depois que ele foi jogar nas marias e mandou a gente calar a boca num clássico, eu o odeio de morte), eu passei anos chamando de “galinha”, “cachaceiro”, “baleia”, FDP, “cachorrão da boca preta, nojento” (este eu dizia e caía na risada) e outros apelidos ainda menos carinhosos. Mesmo quando ele fazia gol, era: “Obrigação sua, seu ameba! Não faz nada sem o meu amor do lado!”
Marinho teve o mesmo tratamento. Nunca acreditei nele. E com ele, era assim: “volta pra arquibancada, Marinho!”. Acho que se o Marinho amasse tanto o Galo quando ele dizia, ele se dedicaria mais quando entrasse em campo. Colocar a culpa em algo sobrenatural para sua falta de competência em finalizações, é demais pra um coração atleticano…
Bilú me dá saudades até hoje… Se eu soubesse que o time fosse ficar tão ruim como agora, jamais teria xingado tanto o Bilú. Até quando ele não estava em campo, eu sempre colocava a culpa no pobrezinho. “A culpa é do Bilú. Olha lá, tá assombrando o time só porque não foi escalado!”.
O Rafael era na base da ameaça: “vou contar tudo pra sua avó!”. E juntar a palavra p**** ao nome dele era tão frequente quanto gritar “Galo”. O Leandro Almeida, era parecido, só que eu ia contar pro pai dele.
E por aí vai…
Isto tudo pra enrolar sobre o Clássico. E dizer que continuo amando o Marques e o Danilinho apaixonadamente. Que Danilinho fez um golaço que me fez lembrar daquilo que eu disse aqui há dois dias: queria alguém que fizesse um gol como o Danilinho nos 4a0 pra me fazer calar a boca… E ele mesmo foi lá e fez outro golaço, humilhando mais uma vez o topetudo (ah, os jogadores marias têm seus apelidos também, mais porque eu nunca sei o nome deles. Eu não sei nem o nome do time, se é esporte ou futebol clube até hoje, vou saber nome de jogador! Não sou maria pra ficar atrás de notícias do time adversário o tempo todo! Já reparou que eles sabem mais sobre o Galo que sobre o time deles? É amor mal resolvido, não canso de dizer!).
Mas neném não joga sozinho… Mesmo que ele sofra uma falta horrorosa (não expulsaram por quê? e teve outro chute nas costas também que só rendeu amarelo, PQP!) e continue jogando… Danilinho quando resolve jogar, precisa de companhia… Pena que a mamãe aqui não possa descer pra ajudar!
P.S.: amanhã, 14 de julho, minha tatoo faz um ano! Aguardem um texto especial sobre este acontecimento tão marcante da minha vida!
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Amanhã tem clássico de novo. Clube Atlético Mineiro x Palestra ou Yale ou Ipiranga ou Cruzeiro (esporte ou futebol, que eu nunca me preocupei em saber?) Clube. Enfim. Galo x smurfs, marias, bicharada.
Mas apenas 11.278 atleticanos compraram ingressos para assistir ao jogo. Beem menos que os 19.000 antecipados contra os urubus. Foram 27.709 ingressos vendidos no total para amanhã. E algo me diz que não chega aos 35.000…
Este clássico não me pega amanhã não. Mas o próximo, no dia do meu aniversário (19 de outubro para os desavidos de plantão), vai ter que ser uma festa à parte. Porque eu sozinha levarei pelo menos uns 30 atleticanos comigo neste jogo! Convocação para o aniversário da Beta: todos direto do boteco pro Mineirão! Até lá, espero que o time já tenha me dado muitas alegrias e razões pra subir pro campo…
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Dizem por aí que o Galo contratou o Lenílson, que “jogou” nos bambis entre 2006 e 2007. E que também já “jogou” por aqui em 2003. Ele chega na terça, para fazer exames médicos e assinar contrato de um ano. Eu só espero que ele seja bem aproveitado desta vez… Que faça gols, que tenha raça, que respeite a camisa e todas estas besteiras que eu sempre falo quando chega um jogador.
Na real? Tô é morrendo de inveja do Vitória, que acabou de subir da série B e já está no G4. E cujo elenco é quase todo formado pelas categorias de base do Clube… O Galo do final dos anos 70 e início dos 80 (aquele que eu amo) era assim.
Por que será que foi um dos melhores times que já tivemos? Porque os meninos cresceram dentro do Clube e, mesmo que não tivessem nascido atleticanos, se tornaram alvi-negros de corpo e alma e seriam capazes de mentir pelo Galo (como fez o João Leite naquele jogo do Galo contra o Wright), contrariando até suas próprias crenças pessoais.
Hoje em dia a única crença pessoal que estes meninos que jogam bola têm (e não tô falando só dos que jogam no Galo) é aquela que cabe dentro do seu bolso.
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Aiai..
Todas as noites, ao chegar do trabalho, sento em frente ao computador e páro no site oficial do Glorioso pra ler as últimas notícias, depois assisto aos vídeos da TV Galo e finalmente vou para comunidade oficial no Orkut, ver o que os torcedores andam falando sobre ele.
Há cinco minutos atrás, li uma notícia no site do Galo com o título ”Evolução deixa Gallo confiante para o clássico” (ainda não aprendi a colocar link dentro dos textos do wordpress). Nela, nosso ex-jogador e atual técnico diz que este time que ele montou ”nos dá esperança de crescimento, evolução. Fizemos dois jogos em um espaço curto, com intensidade física muito alta e, principalmente, querendo jogador futebol. O Atlético tem que ser um time que jogue futebol, que tenha luta, garra, determinação. Isso faz parte dessa camisa, faz parte desse escudo. Agora, o time está jogando futebol. Vamos confiantes para o clássico e podem ter certeza que vamos lutar muito para vencer esse jogo”.
Óbvio demais não é não?? O que se esperar de um time de futebol além dele realmente jogar futebol? Que o Atlético jogue com raça e amor está até no Hino! Só que parece que os meninos se esqueceram disso e de repente alguém precisa lembrá-los do óbvio, né? Eles precisam querer jogar futebol!! Mas esta não é a profissão dos caras? Sinceramente, estou no limite da minha paciência com este time.
E o Gallo, que já foi capitão do Atlético, que já jogou bola com a cabeça sangrando numa final de campeonato (e fez o gol de um título que depois demoramos anos pra comemorar novamente), que parece realmente torcer pro time que comanda, deveria ensinar estes meninos o que é vestir a camisa do Galo, fazê-los sentir qual o peso exato que ela carrega sobre os ombros de cada um.
E ele ainda quer mais. Quer ser parceiro da torcida: “Nós queremos a parceria dela e, para ser parceiro de uma torcida, você tem que se dedicar, lutar, jogar futebol, jogar com intensidade. Isso, tenho certeza que a torcida percebeu, um time querendo muito. Espero que ela possa novamente no domingo estar ao nosso lado para nos ajudar a fazer um grande jogo”.
Queria ver o que o Gallo vê… Queria ter a esperança e a confiança que ele tem no time… Um torcedor sentado ao meu lado no jogo contra o Flamengo desabafou comigo, ao me ver chorar: “Menina, eu não tenho esperança em ninguém mais neste time! Não salva um… Antes ainda dava pra apontar um ou outro que nos desse esperança de que o time ia pra frente…”
A vida fica tão sem graça quando a gente perde a esperança, quando a gente deixa de acreditar que tudo vai melhorar, que tudo evolui de forma positiva… Mas depois de tantos anos criando falsas esperanças, vivendo de ilusões, tentanto mascarar a realidade, mentindo pra mim mesma que o Galo tem um time competitivo que busca resultados, mas que apenas tem tido má sorte, coitado…
E fico aqui, pedindo intervenções divinas de Elias Kalil, do Trio Maldito, do Telê, do Roberto Drummond, do Adelchi Ziller (que ao nos deixar, teve o corpo cremado e suas cinzas foram jogadas no Mineirão num clássico inesquecível, e eu chorei muito quando isto aconteceu e quis fazer igualzinho – eu e a torcida inteira do Galo!), enfim. Até de Deus mesmo, que deve ser atleticano, coitado.
Mas não tem jeito. A realidade dói no início, me trouxe uma gastrite nervosa (que, às vésperas do clássico, tem me deixado de mau humor há intermináveis dois dias), mas precisa ser encarada. Não posso mais mentir pra mim mesma. Pra chegar no final do campeonato exausta de tanto torcer em vão e ainda ficar feliz porque o Galo não caiu pra segunda divisão ou terminou o campeonato entre os dez primeiros colocados. O time que eu aprendi a amar e respeitar sempre terminava o campeonato entre os quatro primeiros! E por isso estivemos durante anos como líderes do ranking da CBF…
Não quero mais viver de passado. Ficar comparando este time de hoje com os times que tivemos é até pecado. É injusto e cruel. E, ao mesmo tempo, é tão difícl acreditar nele… E havemos de acreditar, sempre. De repente aparece algum jogador inspirado, como o Danilinho no segundo gol dos 4a0 contra as marias ano passado. Que me dê um chapéu, me faça ficar caída no chão. De joelhos, agradecendo a Deus por ser atleticana.
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Confesso que ontem eu perdi a razão e, pela primeira vez na vida, senti ódio pelo time do Galo. Pelo time atual do Galo. Pelo Galo é impossível. E chorei sem parar por intermináveis quarenta minutos. Exausta de tanto brigar com o time no primeiro tempo do jogo, comecei a chorar de raiva aos 35 minutos e só parei quando a torcida resolveu cantar, lá pelos 10 minutos do segundo tempo. Até aquele momento a raiva tinha se transformado em uma confusão de sentimentos: mágoa, desespero, revolta, amor de novo, vontade de desaparecer do universo, tentativas frustradas de apagar definitivamente da memória que a minha identidade e a minha história se confundiam com o motivo que me fazia chorar inconsolável, de dar dó ao coração mais insensível, de fazer os olhos dos atleticanos ao meu lado também se encherem de lágrimas, solidários. Não havia abraço, nem palavra mágica que me consolasse. Demorou para secar os dois fios dágua que caiam incessantemente dos meus olhos, atrapalhando a visão do campo (e eu também não queria mais ver o jogo: queria que tudo acabasse logo, pra fugir dali, esquecer daquela noite pra sempre!). Não havia grito de incentivo: eu não queria mais perder meu tempo incentivando aqueles onze traidores que não respeitavam meu Galo e nem jogar bola direito estavam sabendo!
Mas bastou começar a cantar o Hino e a lembrança do dia em que o Galo caiu veio à tona… A torcida cantando e aplaudindo o time e eu desabando na arquibancada, aquele abismo que se abriu quando o jogo acabou, minha vida perdendo o sentido por alguns intantes, aquela sensação de vazio, do “agora não há mais nada a ser feito: acabou”… Acho que o medo de passar por tudo aquilo de novo conseguiu ser maior que tudo e roguei a praga pro Rafa: “esta merda deste jogo vai acabar em 1a1 só pra me contrariar, só pra me fazer ficar ainda com mais raiva deste maldito placar”. Dito e feito. Comemorei o gol com raiva, não sofri mais com nenhuma investida dos urubus pra cima do Edson ou erro de finalização do Galo: o jogo ia acabar 1a1. Ponto final. Eis a nossa sina até o momento.
Desesperadamente, rezo todo dia para que este placar desapareça da nossa tabela. Porque foi empatando quase todos os jogos que caímos em 2005… Mas ontem até que esteve de bom tamanho. E eu odeio ter que dizer isto!
Ontem eu também tive uma certeza: eu odeio o Flamengo. É incrível como nenhum outro time, nem São Paulo, nem Corinthians, nem aquele outro time de BH, me causam a mesma sensação de ódio, de vontade de desejar o mal pela eternidade afora como a que sinto pelo Flamengo quando ele entra em campo contra o Galo. É como se eu realmente estivesse num campo de guerra. E aí vale tudo. Até passar pela confusão maluca de sentimentos que contei agora a pouco… Os outros três times, que também mantenho na minha lista negra, me causam outra sensação: de repulsa, de indiferença, daquela do tipo: “quem este timinho pensa que é pra entrar em campo com este nariz empinado pra cima do meu Galo?”. Mas este é assunto pra outro texto…
Mas a noite até que começou divertida…
Estava em casa, 17h45, me preparando pra subir pro campo, quando Alisson me liga:
_ Beta, você vai ao jogo?
_ Que pergunta… Claro que eu vou. Não perco Galo e Flamengo nunca nesta vida!
_ Pois é… eu tô querendo ir mas tô sem ingresso. Será que rola de comprar na hora?
_ Claro que rola! Até ontem só tinham vendido 19.000 ingressos… Eu tô de passaporte, mas lá na hora a gente encontra ingresso fácil, fácil. Vambora!
E o Alisson rachando os bicos.
_ Que foi? – perguntei, também rindo. Ao que ele respondeu, me imitando:
_ Só 19.000 ingressos… Só atleticano mesmo pra falar que 19.000 ingressos vendidos é pouco pra um jogo!! Se fosse um smurf nem arriscava subir pro campo. Eles demoram umas três partidas pra contar 19.000!
E eu ainda completei:
_ É o que dá torcer pra um time de massa, amigo! A gente entra no Mineirão e vê 30.000 e ainda reclama que tá vazio, que a torcida não apóia o time!
Não só compramos o ingresso assim que saímos do estacionamento, como ainda deu tempo de tomar umas três cervejas antes do jogo! Ah, este Galo… É uma pena apenas que o Alisson tenha me abandonado pra assistir o jogo ao lado da Charanga e eu não tenha conseguido trocar o meu ingresso do 12 pelo 7A… Pena? Sorte do Alisson! Que correria o risco de sair com alguma parte do corpo machucada pela amiga aqui : pior é que acontece em todo jogo que ele assiste comigo, tadinho! Mas este também é assunto pra um outro texto…
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Recordar é viver…
No início de 2004 o Galo conseguiu a façanha de ganhar dois jogos seguidos, em casa, pelo placar de 5a3 (contra os smurfs, no primeiro clássico daquele ano) e 5a1 (contra uma tal de Catuense pela Copa do Brasil). Eu estava nos dois jogos, acompanhada do meu inseparável amigo Alisson e, a partir de então, comecei a acreditar em superstição: havia estreado uma camisa nova do Galo no primeiro jogo e a usei durante todo aquele ano. À medida que o tempo foi passando, ela ganhou um status quase místico e resolvi que ela deve ser usada apenas em momentos importantes. Quando eu sinto que o Galo precisa de algo mais pra fazer um bom jogo, não penso duas vezes em tirar a tal camisa da gaveta e ir pro campo com ela…
O texto que fiz à época dos jogos, dois dos mais emocionantes que já presenciei, segue abaixo:
Diga, espelho meu, se há, entre as montanhas de Minas, alguém mais feliz que um atleticano. Dez gols em duas partidas inesquecíveis. A primeira, contra o maior inimigo! Alisson já descreveu, maravilhosamente bem, as emoções do clássico. Mas eu gostaria de deixar registrado, pela enésima vez, todo meu amor a esta massa alvinegra. Calar a boca dos smurfs num Mineirão lotado é uma das sensações mais enebriantes que existem. Me arrepio só de lembrar do meu chôro incontido quando o Galo fez o quinto gol da partida. Fala sério: quando o Cruzeiro fez o terceiro gol deu vontade de descer da arquibancada e jogar bola pelo Galo… Até rezar eu rezei! Mas valeu a pena descer a Catalão zoando os smurfs (“Cabe mais 5 aí?”). Ouche, se valeu! No meio daquele silêncio de morte que cortava a avenida, a gente parava o carro do lado de algum maria azul e eu gritava “cabe mais cinco aí?” (e o detalhe: nosso carro estava lotado, gente sentada no colo, aquela zona) e era acelerar e devolver os palavrões e gestos rua abaixo… “Chora bicharada!” até o Coração Eucarístico!
E ontem teve mais. Que torcida, meus amigos, lotaria um estádio (35.700 pagantes) em plena quarta-feira, pra ver Atlético e Catuense? Pois é, demos um show!
Eu, Alisson, Daniel e Fred nos sentamos ao lado da Charanga do Galo e vimos o jogo se transformar numa festa inesquecível. A minha alegria era tanta que nem vi quando o Catuense fez um gol de honra… Só sabia rir da catimba do Dudu (“Dudu, eu te amo!”, foi uma das minhas frases mais empolgantes do clássico, aliás). Nos últimos 20 minutos eu só sabia dançar e cantar todos os sambas enredos e pérolas musicais junto da Charanga… “O Carnaval não vai acabar nunca mais!”, gritava o Daniel feliz da vida!
E saímos os quatro dançando atrás deste patrimônio alvinegro, atravessando o Mineirão, cantando os hinos, do Galo e da torcida: “Vou festejar”, obviamente… Enfim, dava vontade de ficar ali pra sempre. De não dormir nunca mais. De jamais acordar deste sonho lindo. A nossa alegria era tanta que nem percebemos que desabava uma chuva pesada no gramado…
Obrigada ao meu time do coração por me proporcionar momentos inesquecíveis como este. De fazer parte desta massa, que não separa classe social, cor, credo, que vive embalada apenas pela emoção, pelo amor incondicional ao Clube Atlético Mineiro. Saímos dançando e pulando sob a chuva. Lavamos a alma!
O Alisson, ao ler meu texto, completou com esta pérola aqui:
“Já estou começando a ficar mal acostumado com esse lance do Atlético enfiar cinco gols em todas as partidas. Minha amiga Beta, que esteve do meu lado no clássico de domingo e no jogo contra a Catuense no Mineirão, aposta na superstição: foi com a sua mesma blusa nova do Galo nos dois jogos. Ela está quase me convencendo da importância da sua presença - a da camisa e a da Beta, não necessariamente nessa ordem – em todos os jogos do time. Vamos ter que lançar uma campanha: Patrocine Beta no Mineirão e Veja o Galo Enfiando Mais Cinco. A sigla ficaria: PBMVGEMC. Meio complicado, mas nada que uma boa campanha de marketing não resolva.”
Ano passado também fizemos 5a0 em cima do Corinthians… Prefiro nem me lembrar dos últimos placares relacionados a este número e o Galo, mas bem que a gente podia fazer cinco gols nas próximas partidas, contra os urubus e contra os smurfs. Porque, com este time nosso de 2008, 5a0 contra qualquer um dos dois é preciso sonhar ou acreditar demais em superstição…
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Começando a série que pretende trazer textos antigos que escrevi sobre o meu amado Carijó e que, ao mesmo tempo, tenta fortalecer meu amor por ele…
Há cinco anos atrás eu e mais dois amigos, após tanto fazer declarações apaixonadas e/ou discutir energicamente sobre o Galo via MSN, resolvemos criar um blog para falar sobre nossa maior paixão. E daí surgiu o “Raça e Amor”. E esta amizade, à época ainda uma singela sementinha, se transformou em algo que transcende toda explicação.
Com eles vivi meus melhores momentos no Mineirão, com eles dividi as lágrimas (num abraço coletivo que eu jamais vou me esquecer) durante o “Parabéns” na Vigília do Centenário, com eles andei em procissão com a Galoucura da Sede até a Praça Sete e varei a madrugada do dia 25 de março, bêbada e rouca de felicidade, de tanto gritar pelo quatro cantos da cidade o meu amor pelo Glorioso. São eles que me seguram (na mesa do boteco ou na arquibancada) quando quero brigar com algum torcedor meia boca (porque eu sempre acho que ninguém tá torcendo o suficiente pro Galo e se alguém o xinga é discussão na certa. Xingar um jogador ou outro ainda vai, mas o Galo não! E isto inclui os meus dois amigos queridos…). Com certeza absoluta eles serão padrinhos dos meus filhos e vice-versa. Se um dia eu não acabar cedendo aos encantos de um ou de outro… (mulheres… tsc, tsc).
Mas eis que, às vésperas de completar 26 anos, logo no início do tal do blog alvi-negro, eu me saí com este texto aqui embaixo. Espero que gostem!
Minha última semana com 25 anos começa com o coração partido, os olhos inchados e a garganta arranhada. Mas por dentro, apesar da tristeza aparente, um sentimento se fortalece cada vez mais: meu amor incondicional pelo Atlético. Ontem, após o jogo, li cada declaração de amor que escrevi, lembrei cada lágrima de alegria ou dor que derramei, revivi na pele a energia de se estar num estádio lotado, cantando e percebi que quanto maior a decepção, maiores o amor e a esperança.
Sabe história de amor, daquelas de romance, tipo Nelson Rodrigues? A minha história com o Galo é assim. Eu não sei viver sem ele, por mais que ele me magoe, por mais que às vezes eu deseje, do fundo do meu coração, matar todo amor que eu sinto, odiá-lo, abandoná-lo, falar mal pelas costas, traí-lo com um time melhor (tipo o Santos do Diego e do Robinho), mas não dá. Não consigo! Sou fiel ao meu amor, ainda que ele não mereça.
Porque quando o Galo vence uma partida, é como se tudo na vida ganhasse um sentido novo, um colorido diferente. E, reconheçamos, leitores atleticanos, ultimamente torcemos por jogos, não por campeonatos. E assim é a vida: cada segundo é um presente carregado de emoções, não importando se são boas ou más. Tudo nos alimenta, nos enriquece, nos ensina. E torcer pelo Atlético é assim também.
É estar sempre por um fio. Ter sempre o coração nas mãos. É ouvir o jogo pela Itatiaia e só acreditar que tudo terminou quando o repórter começar a entrevistar os jogadores. É saber que o goleiro é capaz de atravessar o campo e fazer um golaço nos últimos instantes do segundo tempo. É saber que a torcida vai lotar o estádio e empurrar o time sempre e PRINCIPALMENTE quando o Galo mais precisa dela pra vencer. É jamais perder a esperança de que tudo pode mudar em questão de segundos e descobrir então que a nossa vida não está sendo vivida em vão…
Com o passar dos anos, descobri que pra ser atleticano tem que ter dois corações: um pra gente viver sossegado e outro só pra torcer pro Galo. Pra ser atleticano também é preciso saber curtir a vida em sua intensidade, saber que cada segundo é único, que tudo pulsa ao nosso redor, com força, com raça, com amor, paixão… Como se cada instante fosse palpável, como se fosse mesmo possível ter o coração nas mãos e entregá-lo inteiro, a cada partida.
Amar o Atlético é se entregar por inteiro, é ter consciência de que a gente vai morrer um dia e que o que vale a pena mesmo é ser feliz com cada oportunidade que aparecer. Porque cada vitória é única em toda sua extensão. Como a vida. Como o amor. Amar é respeitar as diferenças, é saber perdoar os erros de coração aberto. Amar o Atlético é tudo isso e de tudo o mais um pouco.
E você me pergunta: “mas porque você ama o Galo desta maneira, menina?”. Não sei. O amor, como todo sentimento, não tem explicação.
Bem, eu não sei o que o Galo aprontou comigo na época pra ter me feito perder a voz, mas no dia do meu aniversário de 26 anos, ele venceu e aquele outro time perdeu de goleada. Com certeza eu devo ter comemorado e muuuito esta vitória dupla!
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“Esse jogo não é um a um
Esse jogo não pode ser um a um” – Edgar Ferreira
Este trecho, de uma música que tanto gosto (na versão dos Paralamas do “Vamo batê lata”), tem se tornado quase um mantra pra mim, quando me dedico a assistir jogos do Galo. Dos nove jogos que o Galo disputou no Brasileiro, quatro terminaram em melancólicos 1×1.
Que zica mais sem graça. Que chateação!
Mas eu não estive lá presente. Por mais que me doa ficar longe do Mineirão e eu tenha ficado com o coração sangrando boa parte do jogo, tive que optar pelo bem estar da minha saúde física e emocional. Ainda que o fato de que, quando a torcida canta o Hino do Galo, meu corpo reage e se fortalece contra todo o mal e tudo pareça, ainda que por alguns instantes, possível, realizável, mágico, extasiante, divino e até milagroso, eu ainda não encontrei condições de pensar no Clube Atlético Mineiro e sorrir.
Por uma destas incríveis coincidências do destino, foi exatamente no dia 25, quando comemoramos três meses do Centenário, que passei do limite máximo do stress e tive provas concretas da existência de Deus. Se Ele é atleticano ou não, eu não sei. Mas que ele simpatiza demais com esta atleticana que lhes escreve, vocês tenham certeza.
Então, se de repente vocês começarem a encontrar coisas antigas por aqui, por favor não estranhem. Sou eu, tentando relembrar um tempo em que o Galo não me fazia chorar, por pior que fosse a fase dele e em qualquer situação que ele se encontrasse.
Ninguém falou que amar era uma coisa fácil. E amar o Galo, assim como a qualquer outra pessoa, ideal ou sonho, objeto ou bicho, tem dos seus altos e baixos. É só que às vezes a gente apenas espera que tanta dedicação e tanto empenho sejam reconhecidos e a gente mereça um pouco de paz no coração…
E só pra citar mais um poeta:
“É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir”