Atleticana


Para curar um coração partido
Setembro 26, 2008, 11:35 pm
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Sim, eu sei não existe luz no fim do túnel. E estava lá quando você disse, desacreditado, que a luz estava acesa, mas que eles foram lá e a apagaram…
Sim, eu sei que tudo que cerca o Clube Atlético Mineiro parece estar envolto numa nuvem negra e sombria. Mas você não pode se esquecer que o Galo possui duas cores e que, se uma delas se mostra mais forte hoje, um dia é a cor branca, da paz e da harmonia, que haverá de brilhar. Porque tudo na vida tem um ciclo. E tudo se renova…
Sim, eu sei que macularam seu amor pelo Clube, que você pensa em desistir, em abandonar o barco. Logo você que tanto tem feito em prol da memória do Galo. Logo você que eu acreditava que seria capaz, como eu, de dedicar a vida ao Clube. Mas, bem lá no fundo, eu sei que tudo é apenas tristeza. E esta tristeza vai passar, como a fase ruim que atravessamos.
Sim, eu também sei que estão se aproveitando da crise, criando possíveis heróis, fazendo politicagem. E sei também que a torcida tem uma parcela muito grande de culpa nesta história toda. Porque abandonou o campo, porque fez ameaças e porque comemora a desistência de mais um atleticano de coração partido, totalmente alienada, achando que está salvando um Clube quando na verdade não será ela quem elegerá seu representante na Presidência. O Galo não é uma Federação, não é um Município. Quiséramos nós que o Galo fosse mesmo uma Nação, onde o povo pudesse ter direito a voto, mas não é…
Sim, meu querido amigo, eu sei que não existe solução. Que as dívidas vão se acumulando, que ninguém quis assumir o lugar do Ziza apesar do golpe e que ele também não era nenhum santo, que não existe ninguém que possa nos apontar uma saída agora… Eu sei que vai demorar até sairmos deste inferno. Eu sei que as eleições não serão tranquilas, que o novo Estatuto não melhora em nada a vida do Clube, como nós gostaríamos que assim o fosse…
Mas o Galo é maior que tudo isso. Nosso amor pelo Galo é maior que tudo isso. É maior até que a nossa própria esperança num futuro melhor pro Clube. Maior que nosso amor-próprio, que nossa saúde física e emocional. E um dia me fizeram acreditar que o amor, quando verdadeiro, é capaz de passar por cima de tudo. De passar por cima da dor, da desilusão, da perda de nossos ideais, da desesperança.
E é assim, acreditando sempre no poder de superação deste amor que nós sentimos pelo Clube Atlético Mineiro que te peço, encarecidamente: por favor, não desita do Galo! Porque ele nunca mais será o mesmo sem você e sem o seu amor…



Ah, quantas lágrimas eu tenho derramado…
Setembro 23, 2008, 12:27 am
Arquivado em: Futebol

Temos que ser fortes para continuar na luta. Porque atleticano nunca desiste e luta sempre “com muita raça e orgulho, pra vencer”.
Temos que amar sempre e cada vez mais. Até que este amor seja tão intenso que a gente já não saiba mais discernir o que é o Galo do que somos nós.
Temos que acreditar que não há crise que possa abalar este amor. Que não há crise que consiga manchar a nossa alma, que nos faça desistir, abandonar nosso grande amor… 
Temos que acreditar que tudo vai melhorar, que esta não é a primeira nem será a última crise, que já passamos por momentos piores. 
E fazer todo mundo também acreditar que temos que semear a esperança, por mais que a gente esteja cansado da luta, por mais que nos doa ver este cenário desolador que abala nosso Clube…
Ainda que exista a vontade de desistir, de se isolar num canto qualquer deste mundo e apenas esquecer ou esperar o tempo passar rápido, nos mostrando logo um novo cenário…
Ainda que, agora, a gente só tenha lágrimas pra derramar, temos que ser fortes. E levar a esperança a outros corações, fazer todo mundo acreditar que é possível, que todo problema tem uma solução, que existe um tempo de renovação que, não demora muito, vai chegar e transformar toda esta tristeza de novo em alegria…
Mesmo que a sensação de estar mentindo pra si mesmo seja quase uma constante, há que se acreditar num futuro melhor. Pior que isto não dá pra ficar…
E assim caminharemos, cansados, desiludidos, feridos, com a vista embaçada das lágrimas que parece que não cessam nunca, respirando fundo e levantando a cabeça, gritando o Hino pra ver se a dor passa, arrancando energia sabe lá Deus de onde para se manter de pé e, ainda que seja pouca, distribuí-la entre os seus para que estes também não desaninem…
É semeando a esperança que se colhem os frutos de um futuro melhor. E ele há de chegar. Nem que eu tenha que buscá-lo com as próprias mãos, nem que eu tenha que dedicar minha vida a ele. E eu morreria o ser mais honrado do mundo só por saber que eu jamais abandonei meu Clube Atlético Mineiro no momento em que ele mais precisou de mim.
Que os covardes que alegam ter cuidado do Galo nos últimos anos tenham consciência do mal que fizeram à alma dos verdadeiros atleticanos. E possam, envergonhados, corrigir seus erros.
Temos que acreditar num ideal, ainda que seja pura utopia, de que um dia o torcedor vai ter voz ativa no Clube. E aí as crises internas do Conselho e Diretoria, quando acontecerem, serão também de nossa responsabilidade e não ficaremos mais sofrendo sozinhos, sem ter o que fazer além de esperar, ansiosamente, por alguma solução.



Para viver um grande amor
Setembro 12, 2008, 2:27 am
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Esta história é mais ou menos assim…
Estava eu dormindo, plena tarde de domingo, quando toca o telefone. 17h10. “Vamos embora pro Mineirão!”. “Acorda! O Galo já está em campo, mano!”. “Ou, acorda você: o jogo é 18h20. Você tem dez minutos pra se arrumar”.  “Já que é assim… Vamos, né, fazer o quê?”.
Quando entro no carro: “Uai, vamos só nós dois?”. E meu querido amigo/irmão (e futuro afilhado de casamento, o louco!), Lindemberg me diz: “Olha pra trás”. E de repente meu coração dispara: era um pedacinho de gente, de uniforme do Galo, me olhando todo assustado, encolhido num canto do banco de trás. Três anos de idade. Vítor. “Você já foi ao Mineirão, Vítor?”. Mexe com a cabeça pra dizer que não. “Quantos anos você tem?”. Mostra três dedinhos pra contar que tem três anos. “Então tá certo! O Galo hoje vai ganhar de 3a0. Três gols, igual à sua idade!”. E meu irmão solta uma sonora gargalhada: “Só você mesmo…”. “Duvida?! Pode apostar! Você acha mesmo que o Galo vai decepcionar o Vítor hoje?! Nem que eu tenha que entrar em campo! Né, Vítor?”. Ganhei o primeiro sorriso do menino! E que sorriso mais lindo ele tem…
Aí é aquela loucura… Desci do carro com o menino no colo, quinze minutos pra começar o jogo, correndo pra comprar ingresso. “Vamos de Charanga hoje? Pro Vítor nunca mais esquecer o que é ser atleticano?”. ”Mas eu só vou de 7A, mana!”.
“Toma Vítor, este é seu primeiro ingresso de milhares, mostra pro moço!… Agora espera o policial… Coloca o ingresso aqui, espera, agora dá o ingresso pro tio guardar pra você… Vamos correr até lá em cima?” Dois minutos e já estamos de frente pros últimos degraus, rindo exaustos da subida (preparo físico zero, né, dona Robertinha!)… “Eu vou ali no banheiro. Apresenta o Mineirão pro Vítor pra mim, mana!”. Meu coração disparou pela segunda vez naquele dia… E acabamos de subir as escadas, eu toda arrepiada, os olhos cheios dágua.
A mãozinha dele sumiu na minha. O time todo já na beirada do campo, aquele monte de criança, o Galo Doido, aquele monte de repórter, a torcida de pé, a Charanga tocando, a torcida cantando… Me ajoelho ao lado dele e falo, reverenciando, como se mostrasse um lugar sagrado:  ”Este aqui é o Mineirão, Vítor”, as lágrimas escorrendo pelo rosto. E ele, sem saber se ria ou chorava, apertando forte a minha mão, boquiaberto, os olhos brilhando tanto que acenderam meu coração de esperança, me acorda do êxtase: “Como é que faz pra descer?”. “A gente não vai descer… não hoje. Mas você pode escolher qual lugar a gente vai sentar!” (Que triste, né? Minha primeira vez no campo tinha tanta gente que eu quase nem vi o jogo de tão espremida que eu fiquei na multidão).
E a arquibancada foi do Vítor neste fim de tarde. A ficha dele demorou quase um primeiro tempo inteiro pra cair. Nao adiantava tentar ensinar gritos de incentivo ao Galo, bater palmas, mostrar cada jogador (“Aquele careca magricelo lá é o maior ídolo do time, o Marques. A camisa dele tem o mesmo número que a sua!” e os olhos dele brilharam ainda mais intensamente).
O Galo fez um, dois gols e o Vítor ainda não acordava do sonho. A gente vibrava e ele nada, puro êxtase. E a Charanga ecoando pelo Mineirão vazio, chegava a doer nos ouvidos… O Vítor parecia esperar que a minha promessa fosse cumprida. E foi mesmo! E logo por quem? Pelo Marques! 3a0. Vítor me abraçou tão forte, irradiando tamanha felicidade e paixão que, se o mundo acabasse ali, eu ia embora o ser mais feliz do universo. E, a partir dali, foi só festa. O Vítor se soltou e foi brincar, correndo pelos degraus da arquibancada. Confesso que me deu até uma certa inveja dele por ter tanto espaço assim! Metros e metros de arquibancada pra fazer o que quiser!
Mas, acreditem, eu ainda reclamei quando o Galo fez 4a0, estragando meu placar, no finalzinho do jogo… E fui correr com ele pelos degraus quando acabou o jogo. Depois fomos embora atrás da Charanga, dançando. “A música mais alta que eu já ouvi em toda a minha vida!”. Eu ganhei pra sempre o coração de mais um atleticano. E o Galo conquistou pra sempre mais uma alma alvi-negra.
Um dia ainda hei de reviver esta história com meus filhos, mas este jogo vai ficar marcado pra sempre no meu coração. Porque existem malucos como o Lindemberg que não me deixam desistir do Galo e me arrastam pro Mineirão pra viver emoções únicas que só o Galo sabe proporcionar a quem o ama verdadeiramente.



Ai, Jesus!
Setembro 1, 2008, 1:17 am
Arquivado em: Futebol

Haja paciência e sangue frio pra assistir aos jogos do Galo! Que segurança eu posso sentir com um goleiro como o Edson? Quando é que eu vou parar de sentir calafrios toda vez que vejo o Leandro Almeida chegar (ou tentar chegar) perto da bola? Quando é que finalmente o Galo vai ganhar da Lusa no Canindé ou melhor: quando é que vamos nos livrar da zica dos 1a1??

Enfim… se Atlético e Portuguesa no primeiro turno me rendeu alguns momentos inesquecíveis no Mineirão, que vou guardar com muito amor e carinho dentro do canto mais precioso do meu coração, este jogo de hoje me rendeu foi uma taquicardia sem graça nenhuma!