Atleticana


Nitroglicerina pura
Dezembro 15, 2008, 1:31 am
Arquivado em: Futebol

É… A fera vem aí. Emerson Leão se apresenta na próxima terça-feira como técnico do Galo. E o Kalil já avisou que ele terá aut0nomia para mandar no futebol do Clube.
Eu não colocava muita fé quando o Kalil disse que queria ficar longe da Cidade do Galo, que não queria ter que ir lá para apagar incêndios de vez em quando e que, por isso, queria um técnico que tivesse o poder de colocar ordem no time. Ou seja: Leão era, pra mim, alguém totalmente fora de cogitação neste caso! Ele saiu daqui deixando um time dividido, repleto de panelinhas e de jogadores com os egos à flor da pele… E Kalil, ex-diretor de futebol, longe da Cidade do Galo, é uma coisa quase que inimaginável.
Mas ele parece adorar me surpreender. Não que a contratação do Leão seja uma surpresa. Já haviam me contado sobre os bastidores desta negociação há uns 15 dias (e eu rezava pelo segundo nome todos os dias). Me surpreende é o Kalil continuar mantendo a máscara do dirigente centrado, esperto, que age nos bastidores. Simplesmente não me convence! 
Não que eu agora tenha resolvido me tornar uma atleticana pessimista mas, pra mim, Kalil e Leão juntos formam nitroglicerina pura. Vai ser difícil pra ambos sustentar uma relação de paz e amor, em que cada um fique na sua, fazendo sua parte sem interferir na do outro. Isto não existe. E quando os dois trabalharam juntos Kalil era diretor de futebol. Uma coisa é o Leão ser ídolo dos filhos do Kalil e de metade da torcida do Galo. Outra bem diferente é o Kalil, como presidente, ceder espaço pro Leão fazer o que quiser com o futebol do Galo, demitir e contratar jogadores, avaliar o projeto que o Kalil fez e dar palpites sobre ele. Será que o ego do Kalil aguenta?
Mas esta história só começa mesmo dia 16, às 15hs, na Sede de Lourdes. Que aliás, foi palco da renovação de outro ídolo, o Marques, na última quinta-feira. Será que o ego do Leão vai aceitar o Marques no time? Será que o Kalil vai trazer mais surpresas de Natal pra amaciar a torcida que ele mesmo repudiou por anos? Só nos resta aguardar…

Roberta de Oliveira, que sabe que futebol é coisa pra machos, mas não consegue entender porque ainda existe tanta vaidade nos bastidores…



Coração de atleticano não bate como os outros
Dezembro 9, 2008, 11:31 pm
Arquivado em: Futebol

Pois é, quem mandou a torcida mandar o Telê embora? Agora os bambis são hexa-campeões… Quem foi que ensinou o Muricy a trabalhar? O Telê!
Apesar dos “méritos” do São Paulo, vai ser difícil esquecer que, mesmo com a troca de juiz, o time ganhou de um Goiás apático (por quê será?) e ainda por cima com um gol irregular. Ainda que o Galo tenha colocado certa pressão no Grêmio no primeiro tempo, os gaúchos mereceram ganhar. Não que eu tenha simpatia por qualquer outro time brasileiro, pelo contrário: achei engraçado o pessoal do Inter mandar um recado pra torcida gremista numa faixa sobrevoando o estádio com os dizeres: “Nós já somos campeões de tudo”. Eu gosto mesmo é de ver o circo pegar fogo!
Mas o mais estranho desta “final de campeonato” foi ver um torcedor vascaíno querendo se jogar da marquise do estádio. Ninguém ama um time a ponto de morrer por ele, pelo simples fato de que, quem ama de verdade quer viver eternamente ao lado do seu objeto de adoração. Você se mata e aí? Como é que vai saber se o seu time subiu, quais foram as contratações, qual o técnico da temporada, qual o recorde de público da série B? Como é que você conseguiria viver longe do estádio? Como é que você conseguiria não estar presente em todos os momentos da história do seu time desde então?
Tem que ser muito idiota mesmo! Eu quero é viver bem mais que 100 anos, quero contar para os meus bisnetos como foram as festas de quando o Galo fez 150 anos. Quero morrer no campo, em plena partida, gritando Galo, vibrando por algum gol de alguma promessa da base. E depois, como Adelchi Ziller, ter minhas cinzas espalhadas aos pés da torcida num dia de Clássico.
Eu sei é que 2008 tá acabando, a máscara do Kalil já começa a cair e que eu quero férias do Galo, pelo menos até 2009 chegar. Meu coração já bate descompassado de tanto torcer e sofrer pelo Galo este ano. E não é brincadeira: num simples exame de rotina, me orientaram a procurar um cardiologista! Quem disse que eu perdi a piada? “Ah, normal, doutor: eu sou atleticana. Coração de atleticano não bate como os outros.”

Roberta de Oliveira, que vai deixar o exame com o cardiologista pra quando 2009 começar e as férias temporárias acabarem…



Enfim, a última decepção do ano!
Dezembro 2, 2008, 9:33 pm
Arquivado em: Futebol

Dizem por aí que amor não se explica: sente-se. O que me deixa livre pra dizer que já desisti de tentar entender o Galo. Como explicar que o Galo simplesmente não entrou em campo no último jogo do ano, em pleno Mineirão lotado, com a festa de despedida toda pronta há mais de duas semanas, com direito a bandeiras e campanha solidária e tudo o mais que lhe é de direito?
Como é que o Galo consegue tranformar toda a minha euforia, gerada por saber que eu também fazia parte daquela festa, em decepção? E tudo isto em menos de meia hora de jogo…
Chego ao campo em estado de graça, feliz por finalmente assistir a um jogo do Galo ao lado do meu querido irmão mais velho, almoço o meu tropeiro sem medo da gastrite nervosa atacar meu estômago assim que o time aparecer na beirada do campo, falo sem parar de tamanha ansiedade, choro ao ver as bandeiras balançando novamente nas arquibancadas (aos meninos do 105, meus parabéns pela bandeira em homenagem ao Rei e ao Dadá: de longe a mais bela de todas!) e o time não corresponde nem a um quinto do que se esperava…
Cadê o Renan Oliveira, o Leandro Almeida? Não pareciam ter entrado em campo! Nem o Marques, que conquistou uma marca histórica neste jogo, conseguiu acelerar meu pobre coração. Nem o Pepê, com um gol quase impossível de ser perdido, conseguiu me dar um instante sequer de emoção nesta partida lastimável.
O Galo não entrou em campo. E é como se eu também não estivesse ali. Como se eu não tivesse simplesmente existido durante aquelas duas horas. E era melhor mesmo não ter existido pra ver aquilo. Mas quem mandou criar expectativas demais quando o assunto é um time inconstante e imprevisível como o Galo?
Ainda bem que agora estou de férias do Galo: mais de cinquenta dias longe do Mineirão. E, como sempre acontece quando é o último jogo, me deixei ficar na cadeira até o estádio ficar praticamente vazio, curtindo cada segundo ali dentro. Já comecei a chorar de saudade ali mesmo, olhando o campo deserto, uma vontade enorme de me integrar a cada pedacinho dele, pra fazer parte dele, assim como ele já é parte de mim. Uma dor que vai na alma, que aperta o peito e que não se explica. E então eu começo a última parte do ritual e rezo para não adoecer de saudade enquanto desço as escadas.
De repente o Galo perde momentaneamente a graça e eu esqueço que ele talvez não merecia mesmo a festa que fizemos pra ele. Merece sim: o Galo não vive sem o Mineirão e eu não vivo sem os dois…

Roberta de Oliveira, que morre de medo só de pensar no que vai ser da vida dela quando o Mineirão fechar de novo para reformas e que conta as horas pra voltar a ver o Galo em campo.