Atleticana


“Tristeza não tem fim. Felicidade sim…”
Janeiro 26, 2009, 1:20 am
Arquivado em: Futebol

Então você acorda radiante porque finalmente chegou o dia em que você vai matar aquela saudade doída de ir pro Mineirão. Dois longos meses distante do seu amor, o Galo. Dois longos meses acompanhando de longe as alterações do time, rezando pra que os novos jogadores não nos decepcionem, tentando acreditar que o novo time tem potencial pra chegar a uma final de Copa do Brasil.
Mas, desde que o Kalil chegou, eu entrei numas de ser uma atleticana meio ao estilo de São Tomé. Daquelas que só acredita vendo. E, desde que o comboio aportou na cidade, eu venho falando: quero ver quando encontrar a torcida. Tardelli saiu artilheiro do Torneio Verano e eu continuei a fala: quero ver quando encontrar a torcida.
Eu não sei o que acontece com estes jogadores que, ao se deparar com um Mineirão lotado (mais de 35.000 pessoas hoje), tremem nas bases. Até tentam algumas jogadas brilhantes, mas não sei: a torcida do Galo se tornou, com o passar dos anos, uma lenda. Todo jogador que se dispõe a vestir o manto sagrado parece (literalmente) sentir na pele o peso que esta camisa traz. E sabe que qualquer tropeço diante da torcida não tem perdão.
Daí o time hoje não ter jogado o suficiente para me convencer que tem potencial. Daí o time sair vaiado do campo. Daí eu ter chegado ao limite e finalmente ter criado vergonha na cara e desistido de perder meu tempo e paciência com o Galo.
Não subo mais as arquibancadas enquanto o Galo não me provar que todo o amor que lhe dedico valhe a pena e deve continuar a ser vivido, alimentado, sentido intensamente.
Já ultrapassei todos os limites possíveis e imagináveis da razão e da emoção em nome deste amor doentio. Mas não aguento mais subir as arquibancadas e passar raiva ao ver um time apático, que não sabe honrar a camisa que veste, que não se dedica em campo. Ver alguns jogadores andando em campo, ver o goleiro falhar gravemente numa saída de bola e rezar pra agradecer o instinto alvi-negro do Leandro Almeida e isto tudo diante do América, um time que acabou de voltar da segunda divisão do Campeonato Mineiro, que há anos não consegue sair da 3ª divisão do Brasileiro! Não dá! Não tem perdão! Não há coração que aguente… E quando chegar o Brasileiro e for jogar com um time grande?
Não quero reviver, pela enésima vez, o drama que acompanha este time há quase quatro anos. Não quero ir pro Mineirão irradiando alegria porque o trânsito não anda e a cidade parou porque tem estréia do Galo no Mineiro e voltar chorando de raiva, debaixo de chuva, vendo os carros em cortejo silencioso, vendo os ônibus lotados: milhares de atleticanos pendurados dentro dos ônibus, sacrificando seu único dia de descanso pra ver seu time jogar e voltando pra casa tristes, cabisbaixos, tendo que aguentar os colegas marias no dia seguinte enchendo o saco porque o tão falado “time” que o KLB formou não consegue vencer um clássico.
É triste demais. Triste saber que estes jogadores não têm a consciência do que é ser atleticano, do que o time em que eles jogam representa para a sua torcida. Triste constatar que qualquer proposta mais polpuda leva qualquer um. Que nenhum jogador tem mais o apego e o amor à camisa de anos atrás. O que me consola é saber que isto não ocorre só no Galo, mas em qualquer time de futebol do mundo.
Mas dói saber que isto existe no meu Galo. Na minha razão de viver. Naquilo que deveria ser meu motivo de maior orgulho e que, atualmente, só tem me trazido tristeza e vergonha. Dói demais dizer que cansei. Dói dizer que não dá mais. Que minha paciência finalmente se esgotou. Eu, que de alguns meses pra cá vi todos os meus amigos abandonando o campo e que briguei com cada um deles por isto. Eu, que compro as maiores brigas por amor ao Galo, que lutarei até o último instante pra vê-lo bem, pra que meus filhos sintam orgulho de serem atleticanos. Eu desisto. Temporariamente, mas desisto!
E sei que dizer isto pra muitos dos meus amigos vai significar algo como: “Putz, se a Beta desistiu é porque o Galo não tem mais solução mesmo”. Mas no fundo, bem lá no fundo, eu vou sempre acreditar que tem sim. Nem que eu tenha que ser Presidente do Clube. Por enquanto, tudo o que posso dizer é que pra mim já deu. Eu preciso de férias do Galo. Talvez meu amor não seja tão incondicional quanto parece.
Eu sei que esta não é a primeira nem será a última vez que digo isto. Talvez na estréia da Copa do Brasil eu crie forças e compareça ao campo. Talvez tudo não passe de mais um daqueles momentos de decepção passageira com o Galo. De mais um desabafo doído, cansativo. 
E eu sei que é verdade: tudo não passa de mais um desabafo. Porque hoje, ao terminar o jogo, eu liguei pra falar com meu pai e dizer que eu desistia e a minha sobrinha de sete anos atendeu e me perguntou quando é que eu vou levá-la ao campo. Porque existe alguma força sobrenatural que me impede de desistir do meu amor todas as vezes em que eu acho que já senti demais. Porque todas as vezes em que eu penso que o Galo não merece o amor que lhe dedico, ele sempre me prova o contrário.

Roberta de Oliveira, sem palavras pra explicar o que lhe pesa tanto o coração neste dia em que o Clube Atlético Mineiro completou 100 anos e dez meses de vida.



Às vezes eu também luto contra moinhos de vento
Janeiro 10, 2009, 7:26 pm
Arquivado em: Futebol

Às vezes eu também luto contra moinhos de vento…
É esta paixão incondicional que me move, que me faz comprar brigas e dar a cara pra bater nas questões que, naquele momento, meu coração colocava como as mais importantes do universo.
E assim eu continuo, até o fim. Até alguém me parar, me segurar pelos ombros, me chamar à razão e me dizer: “não tem futuro. Já era. Esquece.”
Mas eu nunca esqueço… E ainda volto de vez em quando naquela questão. Porque meu coração ainda não parou de bater, a cada dia mais apaixonado, pelo meu Clube Atlético Mineiro, pela sua História, por todas as suas conquistas e por tudo que faz parte dele, inclusive aquelas coisas que insistem em querer ter fim.



Bandeja de prata pro Kalil !!
Janeiro 8, 2009, 11:01 pm
Arquivado em: Futebol

“O Clube Atlético Mineiro comunica que, infelizmente, necessitou encerrar as atividades do seu departamento de futsal.
O departamento custava, com os encargos, a quantia de R$ 524.244,43 por ano, sem contabilizar o material utilizado.
Desde que assumiu, a nova diretoria deixou claro que a redução dos gastos de outros setores seria fundamental para viabilizar a instituição.
Lamentamos o encerramento das atividades de uma das modalidades esportivas do Atlético, porém entendemos que a medida era necessária neste momento.
O Clube está aberto a parcerias com patrocinadores para custear a continuidade do futsal e de outros esportes.”
Alexandre Kalil
Presidente
(do site oficial do Galo)

O que dizer da nota acima?
Que eu quero a cabeça do Kalil numa bandeja de prata? Que este hipócrita nojento acabou com um dos poucos motivos de orgulho da massa nos últimos anos, alegando corte de gastos? Pouco mais de R$ 500.000,00 POR ANO não é nada comparado com os altos custos de se manter jogadores medíocres no elenco, de se contratar leões e bebetos para fazer média.
R$ 500.000,00 ao ano não pagam o preço de ter que suportar um cara que diz trabalhar na surdina pra fazer o melhor possível pro Galo e nos apresenta qualquer jogador e acaba com o futsal, alegando que isto é o melhor que pode ser feito no momento ou que não temos jogadores no mercado. Como é que os demais clubes estão negociando? Se ele próprio adora cuspir na cara de todo mundo que os clubes estão quebrados e não apenas o Galo, porque eles conseguem boas negociações e o Galo não? Porque os demais dirigentes agem na surdina e aparecem com Fenômenos pra vender camisa e fazer caixa pro centenário como o Curíntia fez?
Se esta palhaçada do Kalil acabar com o futsal for só pra forçar patrocínio, que ele consegue fácil com ex-presidentes que vibram não apenas o futebol de campo do Clube, ele está apenas me provando que não passa de mais um hipócrita e que sua máscara realmente tem dias contados pra cair.
Hipócrita porque fez oposição a pessoas que hoje liberam grana pra manter o Clube de pé, enquanto ele paga de bom moço pra agradar a massa. E é óbvio que vai conseguir mais, mas que ninguém jamais saiba, pra não ferir esta “boa imagem” que ele agora quer manter.
Hipócrita porque seus atos não condizem com suas palavras. Porque na realidade nada sabe fazer além de torcer pra que tudo dê certo, pra que sua máscara jamais caia, pra que todos o amem e respeitem, pra que ele consiga o pico máximo do seu ego e entrar pra história do Clube como um cara que revolucionou, que fez e aconteceu.  Reza, Kalil. Vai rezando daí, que eu do lado de cá torcerei todos os dias pela sua derrocada. Porque eu a princípio ainda rezava pra que você me convencesse da “verdade” de suas boas intenções, que eu tivesse que dar o braço a torcer mais cedo ou mais tarde. Mas isto não tem sido mais possível. Em um mês, meu sangue ferveu mais de indignação pelas suas atitudes do que em um ano e meio de Ziza. Nisto eu tenho que te parabenizar: eu achava que ninguém mais me irritaria tanto quanto o Ziza. E você se superou!
Pra ser presidente de verdade, Kalil, é preciso fazer e ser mais. É preciso deixar de ser apenas mais um. É preciso ser único. E nisto, talvez você realmente seja: único em sua hipocrisia. Único em sua arrogância. Único em sua loucura e insensatez. Pra finalizar: apenas mais um babaca na história do Clube.

Roberta de Oliveira, que não aguenta mais o trio KLB (Kalil, Leão e Bebeto) fazendo festinha no Clube de seu coração.