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Não é segredo pra ninguém que mulher adora conversar. E eu, além de ser mulher e adorar um bom papo, sou jornalista e tenho paixão por colecionar boas histórias (para contar pros netos, para escrever um livro ou uma crônica como esta).
E qualquer lugar, qualquer situação me servem de cenário. Então estou eu presa dentro de um táxi, no trânsito infernal da Contorno pós temporal de verão e, fã que sou das histórias dos taxistas, deixei ele falar um pouco. Carro novo, recém-liberado no Detran, já tinha enfrentado aquela tempestade toda, parecia que o vento ia derrubar o carro e o granizo, por sorte, não era muito grande e tals. Eu fui logo puxando pro lado bom (pra variar) e dali o papo foi parar no Bar do Caixote e, boêmia inveterada que sou,contei pra ele a história do boteco e da época em que eu ia pra lá após o trabalho, tomar cerveja e falar de futebol com os meninos (lembrando: a época era 1999. Há dez anos atrás era uma delícia falar do Galo).
Aí ele, surpreso: “mas você gosta de futebol?”. “Claro! Por quê não?”. “Mas é do Galo ou do Cruzeiro?”. “Gaaaalo!”. “Que bom! Eu também!”. Nesta hora ele já tinha me contado que era baiano. Mas fez questão de me mostrar a proteção de tela do celular e o toque (que, obviamente, era o Hino). Mostrei a minha, que é a foto da tattoo: como todo mundo, ele ficou pasmo…
Daí fui puxar dele há quanto tempo ele morava em BH: 20 anos. E eu brinquei: que bom, chegou numa época em que o Galo ainda valia pena, então! “Mas eu sou atleticano desde lá na Bahia! Desde os sete anos de idade, acredita?”. Claro que eu acredito, me conte TUDO! Pensei cá comigo…
Ele me contou que o pai vinha muito pra BH, pra vender requeijão no Mercado Central e, certa vez, ele voltou pra casa com uma bola de gesso (?) com o símbolo do Galo de um lado e um galo “todo fortão”, pisando numa bola, do outro. Ele falou que foi amor à primeira vista. Ficou encantado com aquilo. E as encomendas a partir dali só aumentaram: pedia camisa, short, meião. E o pai trazia, feliz em agradar o filho.
Aí, uma tia que sofria de tuberculose, “tava só na pele e no osso e já desenganada a coitada”, ouviu falar que BH era uma terra muito boa pra se curar da doença e o pai dele, que já gostava do clima da cidade mesmo, trouxe “a baianada” toda pra BH pra acompanhar o tratamento da tia. “E não é que ela se curou 100%, menina?”.
Ele é que ficou cada vez mais doente… pelo Galo. Me contou da primeira vez em que pisou no Mineirão (e eu sempre me emociono muito nesta hora), relembramos dos bons tempos em que o Mineirão balançava, de quando a gente podia tomar cerveja, de quando ele levou o filho pela primeira vez ao Mineirão (pára, né? chorar uma vez só tá bom!).
Enfim. Chegando em casa: “Como é que o Sr. chama mesmo?”. “É Wily” (e eu juro que entendi “feeling”! Com baiano tudo é possível, ora! hahaha), vou te dar meu cartão”. E é claro que eu vou ligar pra ele de vez em quando só pra falar do Galo e do poder que este símbolo lindo que ele tem exerce sobre o coração das pessoas.
Roberta de Oliveira sabe que é meio suspeita pra falar sobre o poder que o símbolo do Galo exerce sobre as pessoas, porque fez uma tattoo com ele nas costas. Mas ela um dia ainda escreve sua tese sobre o assunto. Com conhecimento de causa!!
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Que tempo ele teve pra falar sobre entrosamento e pra sair por aí julgando os demais jogadores? Vamos tirar o chapéu pro cara: que experiência! que olho clínico!!
Ele pode até ter mais talento com a bola que boa parte do elenco. Mas isto não lhe dá o direito de rebaixar ninguém ali. Gente que, aliás, já estava no time há muito tempo. Ele que se vire pra entrar no clima e, se é tão bom assim, que tenha humildade pra ensinar aos colegas como se faz então!
Eu prefiro acreditar que o cara não reclamou ainda. Mas conhecendo a peça… tava demorando! Pra quem jogou nos bambis e nos urubus, o Galo não é nada, né? É um timinho qualquer. O cara não tem consciência da grandeza do Clube onde veio parar “por obrigação”. E vai espernear sempre que tiver uma chance. Tardelli não tem maturidade pra jogar no Galo e enfrentar a torcida.
E por mim que esperneie à vontade, desde que marque pelo menos um gol por partida. É pra isso que ele tá aqui.