Atleticana


Voltamos a viver como há dez anos atrás?
Março 1, 2009, 2:25 am
Arquivado em: Futebol

“É gol! Que felicidade! É gol! O meu time é a alegria da cidade”. Esta vinheta da Itatiaia traz sempre muita alegria pro meu coração. Porque ela sempre acompanha a narração dos gols do Galo (narração do Willy Gonzer, não sei porque o Caixa prefere axé…) e faz parte da minha memória afetiva desde que me entendo por gente. Me remete a manhãs sonolentas em que minha mãe me aprontava pra escola enquanto meu pai preparava o café e tirava biscoitos do forno a lenha, ouvindo as manchetes do Galo e os melhores momentos do jogo do dia anterior. Não sei dizer se meu amado Vilibaldo Alves também a usava, porque eu ficava tão extasiada ao ouvir o seu “adiviiiiiinhe” (que sempre vinha após o meu “acrediiiita” – é engraçado porque, mesmo que eu estivesse ouvindo novamente um lance que eu já tinha ouvido ao vivo no dia anterior, eu sempre torcia com meu “acredita, Galo” antes do gol).
A vinheta também me remete a grandes momentos vividos dez anos atrás. Na grande maioria das vezes, eu a ouvi voltando de um Mineirão superlotado. Era raro um público menor que 60.000 naquela época. E o Galo disputou a sua última final de Brasileiro naquele ano.
Coincidências que me deixam apreensiva em vez de esperançosa. Praticamente as mesmas pessoas no comando, tínhamos um time que nos enchia de alegria e gols belíssimos pra comemorar ao vivo ou pela tv (infelizmente ainda não tínhamos YouTube nem TV Galo para ficarmos vendo e revendo os gols sempre que quiséssemos). E o Galo não levou o título. Chorei por semanas, adoeci, perdi a voz, a fome, a vontade de sair às ruas, fui ameaçada de internação pelo meu pai pela enésima vez nesta vida (e pela minha mãe pela primeira), meu pai também adoeceu e nunca mais torceu com a mesma paixão de antes. O mundo perdeu o sentido.
Mas foi nesta mesma época, com o coração sangrando, que decidi que faria uma tatuagem para homenagear o Galo. Passaram-se oito anos até que ela finalmente passasse a existir. Mas não me arrependo. Viveria tudo de novo. Se eu ainda tivesse vinte anos…
Hoje o time goleia, mas eu não estou mais no campo. Pergunto pra alguém no shopping sobre o jogo e apenas sorrio ao saber que ganhávamos de 3a0. Entro no táxi e o taxista não sabe qual o dial da Itatiaia (dá pra acreditar?) e ainda ouço, distraída, o quarto gol. Meu coração não comemorou o gol. Minha alma me levou à infância ao ouvir a vinheta mais linda do mundo. O cérebro tentou me aborrecer me lembrando que esta vinheta já havia me enganado muitas vezes, quando o Galo começava ganhando e perdia a partida. E o conflito continua.
Um dia lindo de sol, quase 20.000 ingressos vendidos na última hora, confusão nas bilheterias, gente voltando para casa sem conseguir entrar pro campo, um espetáculo lindo para quem estava lá dentro, todos os jogadores vestindo a camisa de verdade após tanto tempo. Mas eu, por mais que tenha acordado com uma vontade quase incontrolável de ir pro campo, não estava lá.
E vai ser preciso ir além do amor, além da esperança, além do perdão e da mágoa para que eu realmente volte a torcer como antes. Eu hoje entendo meu pai e o porquê do encantamento que ele tinha pelo Galo ter perdido a força com o passar do tempo. Parafraseando Vínícius, já abusaram tanto da regra três que um dia o perdão cansou de perdoar.

Roberta de Oliveira tem medo do Kalil barbudo e sua cara de terrorista (só falta o turbante e uma faixa de Gaza). Ela também assume que continua antipatizando com ele com mais força a cada dia que passa.


1 Comentário até o momento
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Eu sei que é difícil, mas o problema é que eu não consigo perder as esperanças, tenho certeza que em poucos anos voltaremos a ser o número 1 do Brasil, como em 71. Enquanto isso vamos ver no que dá Copa do Brasil e Sulamericana, mas a essência da coisa é acreditar, e devagar Tardelli e Eder Luis vão se tornando os novos “Guilherme e Marques” de nossas vidas…

Comentário por Dan




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