Arquivado em: Futebol
Ok. Mais uma vez o filme se repete. Exatamente como ano passado. Só que desta vez eu não tenho uma homenagem na Sede me esperando alguns dias depois pra me consolar e apagar de vez qualquer tristeza ou me encher de esperança, de orgulho por ser Atleticana. Não. Desta vez eu vou ter que engolir a seco.
E é melhor que seja assim. Eu já não alimentava mesmo qualquer espectativa em relação ao Galo. Cheguei a uma certa idade, como diz meu amado pai, que a gente vira gato escaldado e tudo o que vier é lucro. A gente passa a viver das emoções e sentimentos. E só. Atleticano é o ser que mais entende o que é isso. Porque comemora o instante imediato, não o que vem depois, seja lá o que for o depois. Se for um gol, uma vitória, um título, tudo bem. E se for mais uma chance perdida, mais um jogo repetido, tudo bem também. O amor do atleticano não acaba assim tão facilmente. Ele se abala, às vezes, cria cicatrizes que só de olhar, doem. Porque trazem consigo a lembrança do tal instante imediato em que surgiram. Mas passa. Ele sabe que passa. A única coisa que nunca passa é a intensidade do seu amor. Esta, só aumenta com o passar do tempo.
Mas não posso deixar, mais uma vez, de criticar o atual presidente e a torcida. Ouvir o Kalil dizer que não foi ao Mineirão porque estava sem carro?? PQP! Que presidente é esse que fala merda a semana toda, cuja arrogância estrapola todos os limites do bom senso e na hora H não está no campo do lado da torcida que, agora que lhe convém, é sua grande aliada? Pedir desculpas à torcida pra que? Ela também abandonou o time no meio do jogo. E depois vem os dois se dizerem os mais apaixonados? Que paixão é essa que abandona o time quando ele mais precisa? Falar depois do jogo é fácil. Dar a cara a tapa depois do jogo é mais fácil ainda. Assim se esconde mais uma vez a total falta de competência técnica, que tenta, a todo custo, fazer milagres num time medíocre. Difícil mesmo é ser Presidente de verdade. É fazer as coisas andarem reto, sem floreios, sem meias verdades. Quero ver aonde vai parar tanta mediocridade, Kalil!
Roberta de Oliveira vive à flor da pele todos os dias. E reconhece que uns bem mais que os outros.
Arquivado em: Futebol
O meu amor pelo Galo está diretamente ligado a duas pessoas: meu pai e Telê Santana. Impossível medir a intensidade deste amor, comparando-a entre os três. Eu simplesmente não consigo falar do Telê sem que lágrimas rolem pelo meu rosto, sejam elas de alegria, de orgulho ou de saudade.
Como não consigo ver imagens dele sem me emocionar profundamente. Se me perguntam qual o meu maior ídolo no Galo, eu, contrariando a máxima de se escolher um jogador, digo sem pestanejar: Telê Santana.
Quando nasci, Telê não estava mais no Galo. Foi dar ao Grêmio um título que eles amargaram oito anos pra tirar do Inter. Mas, influenciados pela verdadeira adoração do meu pai por ele, eu e meus irmãos acompanhávamos cada passo seu. As Copas de 82 e 86 foram um exemplo disso. Eu não torcia pela Seleção. Eu torcia pelo time do Telê. E vê-lo dirigir o Galo foi maravilhoso, ainda que por pouco tempo. Telê saiu do Galo magoado com a torcida (e talvez venha daí minha birra pelas organizadas: não sabem reconhecer um verdadeiro apaixonado pelo Galo).
Acompanhei Telê dirigindo o São Paulo, feliz da vida. Ainda não tinha me tornado uma atleticana fanática (fato que só ocorreu entre 93 e 95). Meu irmão caçula passou a dividir seu amor entre o Galo e o São Paulo, comprando camisas e tudo o mais, tudo porque simplesmente adorava o Telê.
E meu pai sempre enriquecia nossa memória afetiva, contando casos e mais casos do grande Mestre. Telê se tornou uma lenda lá em casa. E, em janeiro de 1996, quando eu tinha recém-adoecido pelo Galo (final da Commenbol de 95), Telê sofreu uma isquemia cerebral e foi afastado do futebol. Chorei dias seguidos, rezando pra ele não nos abandonar. E dez anos se passaram até que ele finalmente pudesse descansar em paz.
Hoje, 21 de abril de 2009, faz três anos que Telê se foi. Mas seu sorriso cativante continua gravado pra sempre na minha alma alvi-negra.
Roberta de Oliveira também chora toda vez que se lembra que tem uma foto dela na mesma galeria onde reina absoluto seu grande Mestre e ídolo Telê.
Arquivado em: Futebol
Hoje, 19 de abril de 2009, faz 13 anos que BH me adotou como cidadã. Impulsiva por natureza, vim pra cá de repente, pra ver um show dos Paralamas para o lançamento do Fiat Palio (sim, também faz 13 anos que nosso ex-patrocinador lançava aquele que seria um dos seus carros mais populares, em cores divertidas espalhadas pela cidade, lembra?).
Então aproveitei a oportunidade e declarei pro meu pai: vou mudar pra BH e saí fazendo a mala. Na despedida, ele, segurando o choro, me deu várias recomendações, incluindo olhar pros dois lados da rua ao atravessar. Mas teve duas recomendações expressas que eu nunca esqueci: de jamais pisar no Mineirão em dia de Clássico e principalmente, jamais procurar briga nas arquibancadas. Falo recomendações expressas, porque uma ficou no bilhete que ele me deu pra ler no ônibus (nunca ir a um Clássico porque era perigoso).
Meu pai sabia que eu jamais cumpriria nenhuma das duas recomendações. Sabendo do meu gênio rebelde e explosivo, apenas quis garantir que eu soubesse que ele se preocupava comigo, numa tentativa frustrada de me persuadir a poupá-lo de possíveis infartos.
E não deu outra: primeiro Clássico logo após eu pisar em BH lá estava eu no Mineirão. Lotadaço. Fiquei espremida no 7A. Era uma luta pra acompanhar qualquer lance do jogo. Mas era a minha estréia no Mineirão e fiz questão de ligar pro meu pai pra contar que estava lá…
Depois deste jogo virou tradição ligar pro meu pai do campo, de preferência após um gol do Galo. Como o fiz no domingo passado, depois de dois meses e meio longe do campo. Acabei narrando o golaço do Éder Luis pra ele: “Ah, o jogo tá uma droga, morno pra c****, tá um tédio só. Eu te ligo quando Galo fizer gol então. Nãããão! Espera aí! Não desliga não! Não desliga não! Gooooooooooool!! Gaaaaaaloooo!” e virei o telefone pra torcida, crente que meu pai ouvia, já que ele não tinha desligado. Que nada! No dia seguinte liguei de novo e ele, rindo à beça, me contou que jogou o telefone longe e correu pra ver o replay do gol na TV!
Nestes 13 anos de BH já perdi a conta de quantos jogos e clássicos assisti no Mineirão. Já briguei várias vezes na arquibancada, já bati boca uma infinidade de vezes também. Às vezes como um Dom Quixote, brigando com a organizada porque ela está calada (e talvez por isso eu me identifique tanto com o Movimento 105).
Já chorei de alegria, de puro nervosismo num jogo já ganho que não acabava nunca, já chorei desolada quando o Galo caiu, quando perdemos de 5a0 pras marias, quando eu ia pro campo ano passado e só tinha cinco mil pessoas na torcida e eu tinha brigado com meio mundo pra me acompanhar e ninguém queria saber mais do Galo.
Já ri muito também. Já me diverti muito xingando Ronildos, Bilús e Caçapas, mesmo quando eles não estavam em campo. Coloquei apelidos em metade do time em cada temporada. Já quis matar o traidor do Guilherme quando ele mandou a torcida calar a boca num clássico (e não há nada que me faça perdoá-lo por isso). E quis a cabeça de alguns jogadores retardados das marias, como o Cris, que jogou um sinalizador azul pra torcida e apanhou do Dudu e pediu pra ir embora das marias após ameaças de morte.
Como quis matar o diretor que trouxe o Fábio Jr. pra jogar no Galo duas vezes. Eu não tenho nada a ver com a falta de amor do cara à camisa das marias! Outro que pediu pra sair chorando.
São momentos inesquecíveis, carregados de emoção e significado. Que voltam a mim toda vez em que ameaço largar o campo por pirraça contra o idiota do Kalil. Que me fazem recordar que já tivemos presidentes piores, diretorias e técnicos ainda mais medíocres. E Leão talvez seja a única coisa que me segura os pés no chão este ano. Saber que ele comanda o time me dá mais segurança, mesmo sem um goleiro pra honrar a camisa. É pelo time que o Leão tem tentado equilibrar que eu ainda não abandonei o Galo.
E é por todos os momentos inesquecíveis que vivi ao lado do Glorioso, que o meu amor pelo Galo vai superar o meu ódio pelo Kalil.
Roberta de Oliveira luta todos os dias pra equilibrar amor e ódio quando pensa no Galo. Mas ela sabe: amor e ódio, yin e yang, preto e branco, tudo se mistura e se equilibra. Este o tempero da vida!!
Arquivado em: Futebol
Tudo bem. Falemos do Galo!
Continuo com um pé atrás com esta euforia toda da torcida, com as “campanhas” tipo “Yes, we CAM” (apesar de ter encomendado minha camisa… rsrs) e este amor cego a qualquer contratação esquisita do Kalilzinho paz e amor.
Élder Granja no Galo? Só se for pra fazer jus ao nome: granja, galo, parece que combina, né? (ok, piadinha infame, reconheço!). Mas eu não sei, não… Outro dia meu pai, que insiste em me dar notícias sobre o Galo mesmo que eu tenha tirado férias do time, enfim, meu pai me contou que estão querendo trazer de volta o Caçapa! Já que é assim eu quero o Bilú também!
Que saudades eu tenho do Bilú, de xingá-lo a cada minuto dos jogos, mesmo naqueles em que ele nem estava escalado…
Sei lá, este time do Galo, mesmo ganhando todas, não me convence! Campeonato Mineiro não serve de base para muita coisa. O único time de verdade contra o qual jogamos é sempre o das marias. Aí vocês vão me falar da Copa do Brasil. E eu pergunto: e daí? Basta chegar naquela fase de jogar contra Botafogos e Curíntias pro time mostrar sua verdadeira face.
Será que o futebol brasileiro tá tão meia furada assim que Éder Luís e Tardelli poderão concorrer com o Fat Fenômeno sobre quem será o grande nome do Campeonato Brasileiro de 2009?
Só falta mesmo a torcida do Galo começar a viver como a dez anos atrás, achando que este ano só vai dar Galo e Curíntia no Brasileirão…
Sério. Me desculpem pela total descrença no Galo do primeiro trimestre de 2009. É preguiça, cansaço mesmo. Chega uma hora que seu coração fica meio cético: porque cansou de sofrer em vão, de viver de ilusões.
Pode ganhar das marias de quatro a zero de novo, com gol esquisito de novo. Pode ser campeão mineiro com todos os méritos para Tardelli e Éder e metade da categoria de base sendo testada. Pode ser campeão mineiro mesmo tendo um péssimo goleiro. E começar o Brasileirão com este mesmo péssimo goleiro, só pra dar uma emoção a mais.
Pra mim não faz mais a menor diferença. Quando o Galo chegar ao terceiro lugar (e estou sendo o mais otimista que consigo) no Brasileiro este ano, aí sim, eu comemorarei e, quem sabe, até dê o braço a torcer e reconheça que o idiota do Kalil soube fazer alguma coisa boa, pelo menos com o time. Porque com o Galo, todos sabemos, não tem feito muito. O problema da torcida é que ela só enxerga o Galo como o time e se esquece que o Galo é mais que isso. É deste Galo, com toda sua história e seu legado, com toda a estrutura profissional e que Kalil insiste em querer destruir, acabando com futsal e desmotivando os profissionais que trabalham por amor ao Clube, que eu quero me orgulhar. Não quero me orgulhar apenas do time. É muito pouco diante do amor que sinto… Quero me orgulhar do CAM, o Clube Atlético Mineiro.
Roberta de Oliveira, a cada dia mais cética, se esforça pra acreditar que, sim, nós podemos, CAM.