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Hoje, 19 de abril de 2009, faz 13 anos que BH me adotou como cidadã. Impulsiva por natureza, vim pra cá de repente, pra ver um show dos Paralamas para o lançamento do Fiat Palio (sim, também faz 13 anos que nosso ex-patrocinador lançava aquele que seria um dos seus carros mais populares, em cores divertidas espalhadas pela cidade, lembra?).
Então aproveitei a oportunidade e declarei pro meu pai: vou mudar pra BH e saí fazendo a mala. Na despedida, ele, segurando o choro, me deu várias recomendações, incluindo olhar pros dois lados da rua ao atravessar. Mas teve duas recomendações expressas que eu nunca esqueci: de jamais pisar no Mineirão em dia de Clássico e principalmente, jamais procurar briga nas arquibancadas. Falo recomendações expressas, porque uma ficou no bilhete que ele me deu pra ler no ônibus (nunca ir a um Clássico porque era perigoso).
Meu pai sabia que eu jamais cumpriria nenhuma das duas recomendações. Sabendo do meu gênio rebelde e explosivo, apenas quis garantir que eu soubesse que ele se preocupava comigo, numa tentativa frustrada de me persuadir a poupá-lo de possíveis infartos.
E não deu outra: primeiro Clássico logo após eu pisar em BH lá estava eu no Mineirão. Lotadaço. Fiquei espremida no 7A. Era uma luta pra acompanhar qualquer lance do jogo. Mas era a minha estréia no Mineirão e fiz questão de ligar pro meu pai pra contar que estava lá…
Depois deste jogo virou tradição ligar pro meu pai do campo, de preferência após um gol do Galo. Como o fiz no domingo passado, depois de dois meses e meio longe do campo. Acabei narrando o golaço do Éder Luis pra ele: “Ah, o jogo tá uma droga, morno pra c****, tá um tédio só. Eu te ligo quando Galo fizer gol então. Nãããão! Espera aí! Não desliga não! Não desliga não! Gooooooooooool!! Gaaaaaaloooo!” e virei o telefone pra torcida, crente que meu pai ouvia, já que ele não tinha desligado. Que nada! No dia seguinte liguei de novo e ele, rindo à beça, me contou que jogou o telefone longe e correu pra ver o replay do gol na TV!
Nestes 13 anos de BH já perdi a conta de quantos jogos e clássicos assisti no Mineirão. Já briguei várias vezes na arquibancada, já bati boca uma infinidade de vezes também. Às vezes como um Dom Quixote, brigando com a organizada porque ela está calada (e talvez por isso eu me identifique tanto com o Movimento 105).
Já chorei de alegria, de puro nervosismo num jogo já ganho que não acabava nunca, já chorei desolada quando o Galo caiu, quando perdemos de 5a0 pras marias, quando eu ia pro campo ano passado e só tinha cinco mil pessoas na torcida e eu tinha brigado com meio mundo pra me acompanhar e ninguém queria saber mais do Galo.
Já ri muito também. Já me diverti muito xingando Ronildos, Bilús e Caçapas, mesmo quando eles não estavam em campo. Coloquei apelidos em metade do time em cada temporada. Já quis matar o traidor do Guilherme quando ele mandou a torcida calar a boca num clássico (e não há nada que me faça perdoá-lo por isso). E quis a cabeça de alguns jogadores retardados das marias, como o Cris, que jogou um sinalizador azul pra torcida e apanhou do Dudu e pediu pra ir embora das marias após ameaças de morte.
Como quis matar o diretor que trouxe o Fábio Jr. pra jogar no Galo duas vezes. Eu não tenho nada a ver com a falta de amor do cara à camisa das marias! Outro que pediu pra sair chorando.
São momentos inesquecíveis, carregados de emoção e significado. Que voltam a mim toda vez em que ameaço largar o campo por pirraça contra o idiota do Kalil. Que me fazem recordar que já tivemos presidentes piores, diretorias e técnicos ainda mais medíocres. E Leão talvez seja a única coisa que me segura os pés no chão este ano. Saber que ele comanda o time me dá mais segurança, mesmo sem um goleiro pra honrar a camisa. É pelo time que o Leão tem tentado equilibrar que eu ainda não abandonei o Galo.
E é por todos os momentos inesquecíveis que vivi ao lado do Glorioso, que o meu amor pelo Galo vai superar o meu ódio pelo Kalil.
Roberta de Oliveira luta todos os dias pra equilibrar amor e ódio quando pensa no Galo. Mas ela sabe: amor e ódio, yin e yang, preto e branco, tudo se mistura e se equilibra. Este o tempero da vida!!
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Muito legal, tem uns 5 anos que eu voltei a morar em BH, mas eu sou mesmo daqui, também costumo ligar para o meu pai do Mineirão, mas nunca dei a sorte de “transmitir” um gol ao vivo, quem sabe um dia?
Sugestão de pauta pra uma futura postagem: Conta pra gente como surgiu essa paixão pelo Galo, já que você não morava em BH…
Comentário por Dan Abril 20, 2009 @ 2:15 pm