Atleticana


Diário de viagem – parte II
Junho 28, 2009, 11:04 pm
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A viagem da semana passada foi à Curitiba. Apesar da chuva intermitente da quarta e do frio congelante da quinta, voltei completamente apaixonada pela cidade: impressionante como tudo funciona, como as pessoas são educadas, como o Centro é lindo e incrivelmente limpo. E, claro, como todos os que eu conheci adoram o Galo.
Numa feirinha na famosa Boca Maldita, era quase inacreditável a quantidade de souvenirs… do Galo! Minha coleção agradece!
Não sei a simpatia pelo Galo vem porque eles também têm um Atlético por lá, mas o fato é que esta história de “torcida amiga” está se tornando cada vez mais furada pra mim. Mesmo que o outro Atlético estampe na camisa duas cores que me causam arrepios, mesmo que o Coritiba seja também um clube centenário e ainda: mesmo que ambos tenham estádios, como o tem o Grêmio e o Inter e exerçam a rivalidade saudavelmente, o que parece valer na hora de torcer “pela amizade” entre os clubes, é a identificação pessoal, que tem mais a ver com paixão do que com meros apertos de mão entre as organizadas de cada estado.
Como eu não canso de dizer: eu só sei torcer pro Galo. Mas me faz feliz encontrar, aonde quer que eu vá, pessoas que simpatizam e até torcem verdadeiramente pelo Galo, independentemente da “simpatia” ou não que as torcidas possam nutrir umas pelas outras.

Comentário sobre o jogo contra o Barueri: nunca, jamais, subestime um time considerado pequeno. Pé no chão, Galo! Pé no chão! O Campeonato está apenas começando. Não vamos começar a achar que ganhar do Bosta no Mineirão lotado é chutar cachorro morto, que jogar contra as marias e os bambis em casa será fácil só porque estamos na frente na tabela. Mais humildade, serenidade e cabeça fria na hora de entrar em campo, por favor!

Roberta de Oliveira também não ligou a mínima pra “virada sensacional” do Brasil contra os EUA. Na verdade, ela ficou p. da vida quando viu a arrogância falando mais alto e se dizia que perder por 2a0 era uma zebra sem tamanho. Os EUA chegaram à final por mérito, não por capricho do destino.



Diário de viagem
Junho 21, 2009, 11:25 pm
Arquivado em: Futebol

Cheguei a Porto Alegre numa noite gelada e chuvosa, plena quarta-feira velha. Mas a cidade estava tensa: o Inter perdia por 2a0 pro Curíntia em Sampa e o Grêmio, apesar do 0a0 em pleno Olímpico, se classificava para as semi-finais da Libertadores.
O taxista sorria satisfeito, rádio ligado. Eu, estrangeira, me divertia com a narração do jogo colorado. O sotaque carregado do narrador inflamado, dizendo que o Inter haveria de virar o jogo no Beira Rio, os comentaristas denegrindo o pesado Fat Fenômeno (oh, dó… rsrs).
Na porta do hotel, ele sorriu satisfeito, querendo saber qual o meu time em Poa. Disse que só sabia torcer pro Galo, mas que achava engraçada a rivalidade entre gremistas e colorados. Eu ainda não sabia que passaria os dois próximos dias convivendo com torcedores inflamados dos dois lados, tentando me convencer qual time era melhor.
Eu sei que continuo não entendendo o porquê da torcida do Galo ser amiga da torcida gremista, já que o Inter é que o time mais popular de Porto Alegre. Não tenho preferência, mas saber que o Grêmio proíbia o acesso dos negros ao clube me deixa indignada. Daí o Inter adotar o Saci como um dos mascotes. Saber que o Grêmio tem azul no uniforme também me incomoda bastante. Já o Inter tem o vermelho da revolução. É… quase me convenceram…
Tentaram me contar a história dos dois times. E gaúcho adora ser bairrista, né? Sabem de cor o hino do RS e demoram pra lembrar o brasileiro; cantam o hino do RS após cantar o hino de seu time em todos os jogos. E isto é muito bonito. Eles valorizam cada detalhe de sua história. E a contam com os olhos brilhando de orgulho. E isto é muito bonito também.
Me contaram da festa do centenário do Inter. Do Beira Rio que recebeu grandes bandeiras brancas que transmitiam os jogos de todos os tempos do Clube. Do Gigantinho transformado em bola vermelho e branca. Da passeata que tomou a cidade. Me contaram que o Inter não é time de se entregar e que aquele campeonato roubado pelo Curíntia será vingado na final da Copa do Brasil. O Curíntia perdeu a final pro Sport ano passado, porque não pro Inter, que tem muitos motivos para se vingar?
Eu não sei. Sei que os taxistas eram todos gremistas e gostavam do Galo, um até me contou que assistiu a um jogo do Galo contra o Flamengo no Mineirão, uma goleada histórica (5a0, na década de 80, uau!). Sei que um dos correspondentes do banco também tinha tatuado o símbolo do seu time do coração às vésperas do centenário dele (“mas o símbolo original, de 1903, daí”, ele fez questão de dizer). Ele era gremista, tocava na banda da famosa geral, viajou o Brasil inteiro com o time e conhecia pelo nome quase todo mundo da Galoucura. Huuum…
Ao voltar pra casa, no caminho pro aeroporto, o taxista que viu o Galo golear o Flamengo me mostra um terreno enorme e aponta, orgulhoso: “É ali que nós vamos construir o novo estádio do Grêmio”. E eu, que apenas sonho em ter novamente um estádio pra chamar de meu, perguntei o porque de se fazer um novo estádio e ele: “ah, sim… a gente podia reformar o Olímpico, né? mas a gente preferiu fazer um novo, fica mais barato e é bom que daí a gente tem dois, né?”.
Ter títulos importantes para rivalizar um com o outro de igual pra igual, construir um estádio novo só pra sair na frente do rival, tentar convencer os forasteiros a todo custo que seu time do coração é o melhor do mundo, definitivamente, é coisa de gaúcho mesmo. Um ser bairrista e apaixonante por natureza.
Mas nem Grêmio nem Inter estão muito bem no campeonato. O Galo continua líder invicto no Brasileiro e eu continuo tentando entender este gaúcho esquisito chamado Celso Roth que resolveu fazer milagre no time este ano.

Roberta de Oliveira só torce pra outro time que não o Galo. Na verdade, é uma seleção: a italiana. Ela não sabe explicar o porquê, mas desde que se entende por gente é assim: Galo e Azzurra. Até o fim dos tempos.



Um ano de vida
Junho 17, 2009, 1:00 am
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Na próxima sexta-feira, dia 19 de junho, este singelo blog completará um ano de existência. Como estarei fora de BH, deixo antecipados os meus agradecimentos às 1210 visitas que ele recebeu mesmo com tão pouca divulgação.
Aos amigos queridos que me incentivaram a escrever “oficialmente” sobre o Galo, fica meu mais forte abraço.
E aos leitores fiéis, o meu sorriso mais sincero de alegria.

Roberta de Oliveira vai à Porto Alegre investigar os mistérios que transformaram Celso Roth no último grande messias do Galo. A resposta, meu amigo, só o vento sabe…



“Somos alvi-negros e apoiaremos o Galo para sempre!”
Junho 15, 2009, 1:40 am
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Então brinquei que iria chover hoje porque finalmente eu voltaria pro Mineirão pra ver o Galo jogar. Sei não porque: o coração simplesmente reclamou a semana toda e lá se foi todo o orgulho besta e a preguiça imensa de atravessar a cidade pra ver o Galo.
Acordei cedo e não era a ansiedade louca que sempre me acompanhou quando é dia de jogo. Tinha que acompanhar um amigo no ensaio da banda dele antes de subirmos pro campo. O ensaio terminou às 14h30 e eu ainda não estava tão pilhada quanto imaginei que estaria a quase uma hora do jogo. Há algum tempo atrás, eu já estaria no Peixe Vivo há horas… 
Passamos por lá só pra dizer um oi pra galera e minha preguiça começou a dar sinal de vida: fila pra entrar (era de estudante: passei direto, ufa!), pra encarar a revista da PM, a catraca estragou justo na minha hora (xinguei que a Ademg não aprendeu até hoje a trabalhar nos jogos do Galo)  e cheguei no bar sem fôlego (era taquicardia mesmo).
Comecei a sentir um nó estranho na garganta ao subir o último lance de escada. Não foi fácil encontrar o estádio cheio e ver o Galo Doido entrando em campo. Uma confusão sem fim de emoções à flor da pele. Como a tattoo exposta hoje, sendo fotografada sem que eu permitisse por uma turma do interior.
O Galo teve um jogador expulso logo aos nove minutos do jogo mas, por incrível que pareça, a organizada hoje resolveu dar uma de 105 e cantar o jogo todo. E o Galo foi pra cima do Náutico (e minha gastrite nervosa começou a dar sinais de vida). No intervalo o Danilinho apareceu no telão e eu fiquei rouca gritando seu nome, lágrimas nos olhos de saudade… Coração doendo de saudade…
Passei mal logo no início do segundo tempo. Tremia. E não era o frio da noite que caía. Continuei cantando o mantra do 105 pra me acalmar, que a organizada resolveu finalmente adotar: “Somos alvi-negros e apoiaremos o Galo para sempre”. Ou então: “ooooo, o Galo é o meu amor, oba oba oba”.
O Galo fez dois a zero e o Tardelli usou a bandeirinha do escanteio pra “tocar violão”. Não segurei as lágrimas com “Vou festejar”: cantá-la hoje nunca fez tanto sentido… Eu cobrava do Galo pela traição de ter me decepcionado tanto nos últimos meses e (quem sabe interpretar a mente de uma atleticana apaixonada me explique) o Galo me “respondia” que eu podia chorar sem medo, porque havia brigado com ele sem ter porquê. O terceiro gol foi apenas pra simbolizar a redenção final. Ainda não tô acostumada a ver o Massaraújo jogando tão bem…
Enfim: Galo líder, urubuzada foi goleada mais uma vez, as marias pegaram gripe suína em SP e eu finalmente, depois de meses, voltei feliz pra casa após um jogo do Galo.

Roberta de Oliveira não vai dizer que a boa fase do Galo deixa seu coração alvi-negro irradiando felicidade porque ela é muito pé no chão para isso. Mas ela não diz isto, principalmente, porque seu coração já está calejado demais para criar expectativas com apenas seis rodadas de Campeonato.



Comemoremos!
Junho 10, 2009, 11:31 pm
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Oh, Aleluia!! Finalmente o Galo se viu livre da peste do Juninho! Como prometido e honrando a cidade onde nasci, pelo menos uma caixa de fogos será lançada aos céus em agradecimento a Deus Nosso Senhor. Vá em paz e amadureça, Juninho!!
E as notícias por enquanto são boas, né? Continuamos reciclando o elenco, o time ainda não perdeu no Brasileiro e até que o Celso Roth não fez nenhuma besteira. Mas, como eu disse, por enquanto!
Espero do fundo da alma que esta boa fase do Galo continue assim até o final do ano, pelo menos. Mas se eu pudesse fazer como as crianças, eu prometia ser boazinha com todo mundo e não guardar rancor de ninguém (nem mesmo do Kalil), só pra ver o Galo campeão brasileiro de novo. E desta vez, da série A, por favor!!

Roberta de Oliveira tem rezado todos os dias pra ver se o Kalil cria juízo (é sério, gente! rsrs). Parece que a sua fé tem dado resultado… Ainda bem!