Atleticana


Diário de viagem
Junho 21, 2009, 11:25 pm
Arquivado em: Futebol

Cheguei a Porto Alegre numa noite gelada e chuvosa, plena quarta-feira velha. Mas a cidade estava tensa: o Inter perdia por 2a0 pro Curíntia em Sampa e o Grêmio, apesar do 0a0 em pleno Olímpico, se classificava para as semi-finais da Libertadores.
O taxista sorria satisfeito, rádio ligado. Eu, estrangeira, me divertia com a narração do jogo colorado. O sotaque carregado do narrador inflamado, dizendo que o Inter haveria de virar o jogo no Beira Rio, os comentaristas denegrindo o pesado Fat Fenômeno (oh, dó… rsrs).
Na porta do hotel, ele sorriu satisfeito, querendo saber qual o meu time em Poa. Disse que só sabia torcer pro Galo, mas que achava engraçada a rivalidade entre gremistas e colorados. Eu ainda não sabia que passaria os dois próximos dias convivendo com torcedores inflamados dos dois lados, tentando me convencer qual time era melhor.
Eu sei que continuo não entendendo o porquê da torcida do Galo ser amiga da torcida gremista, já que o Inter é que o time mais popular de Porto Alegre. Não tenho preferência, mas saber que o Grêmio proíbia o acesso dos negros ao clube me deixa indignada. Daí o Inter adotar o Saci como um dos mascotes. Saber que o Grêmio tem azul no uniforme também me incomoda bastante. Já o Inter tem o vermelho da revolução. É… quase me convenceram…
Tentaram me contar a história dos dois times. E gaúcho adora ser bairrista, né? Sabem de cor o hino do RS e demoram pra lembrar o brasileiro; cantam o hino do RS após cantar o hino de seu time em todos os jogos. E isto é muito bonito. Eles valorizam cada detalhe de sua história. E a contam com os olhos brilhando de orgulho. E isto é muito bonito também.
Me contaram da festa do centenário do Inter. Do Beira Rio que recebeu grandes bandeiras brancas que transmitiam os jogos de todos os tempos do Clube. Do Gigantinho transformado em bola vermelho e branca. Da passeata que tomou a cidade. Me contaram que o Inter não é time de se entregar e que aquele campeonato roubado pelo Curíntia será vingado na final da Copa do Brasil. O Curíntia perdeu a final pro Sport ano passado, porque não pro Inter, que tem muitos motivos para se vingar?
Eu não sei. Sei que os taxistas eram todos gremistas e gostavam do Galo, um até me contou que assistiu a um jogo do Galo contra o Flamengo no Mineirão, uma goleada histórica (5a0, na década de 80, uau!). Sei que um dos correspondentes do banco também tinha tatuado o símbolo do seu time do coração às vésperas do centenário dele (“mas o símbolo original, de 1903, daí”, ele fez questão de dizer). Ele era gremista, tocava na banda da famosa geral, viajou o Brasil inteiro com o time e conhecia pelo nome quase todo mundo da Galoucura. Huuum…
Ao voltar pra casa, no caminho pro aeroporto, o taxista que viu o Galo golear o Flamengo me mostra um terreno enorme e aponta, orgulhoso: “É ali que nós vamos construir o novo estádio do Grêmio”. E eu, que apenas sonho em ter novamente um estádio pra chamar de meu, perguntei o porque de se fazer um novo estádio e ele: “ah, sim… a gente podia reformar o Olímpico, né? mas a gente preferiu fazer um novo, fica mais barato e é bom que daí a gente tem dois, né?”.
Ter títulos importantes para rivalizar um com o outro de igual pra igual, construir um estádio novo só pra sair na frente do rival, tentar convencer os forasteiros a todo custo que seu time do coração é o melhor do mundo, definitivamente, é coisa de gaúcho mesmo. Um ser bairrista e apaixonante por natureza.
Mas nem Grêmio nem Inter estão muito bem no campeonato. O Galo continua líder invicto no Brasileiro e eu continuo tentando entender este gaúcho esquisito chamado Celso Roth que resolveu fazer milagre no time este ano.

Roberta de Oliveira só torce pra outro time que não o Galo. Na verdade, é uma seleção: a italiana. Ela não sabe explicar o porquê, mas desde que se entende por gente é assim: Galo e Azzurra. Até o fim dos tempos.


2 Comentários até o momento
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Nossa, eu também penso assim sobre o Inter, muito mais haver comigo, mas a Itália eu discordo, é muito difícil torcer pra Itália, uma vez que “elas” (proibido citar nome) já se chamaram palestra…

Comentário por Dan

Essas meninas não sabem nada do que é ser italiano. Só sabem copiar as cores da camisa e mais nada. E a camisa nova da Azzurra está linda este ano, nem lembra mais aquele azul horroroso delas. =)

Comentário por betavox




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