Atleticana


O viajar é sempre mais que a viagem
Julho 17, 2009, 11:39 pm
Arquivado em: Futebol

Há exatos 15 anos, o Brasil conquistava o tetra-campeonato. Não me esqueço desta data por vários motivos: pelo meu choro inconsolável ao ver meu idolatrado Roberto Baggio perder o pênalti que deu o (pra mim imerecido) título ao Brasil; pela tristeza que me acompanhou por semanas por causa disto; pela paixão pelo futebol italiano que ganhou uma força imensa depois daquela Copa e me rendeu uma simpatia descarada pela Juve (o bianconero italiano); do meu desprezo pela Seleção que ganhava mais força a medida em que meu amor pela Itália crescia.
Isto tudo pra dizer que o tão aclamado tetra não faz a menor diferença pra mim, assim como todos os títulos e “honrarias” da tal seleção canarinho. Títulos e status nunca fizeram minha cabeça. Me interessa sempre e muito mais o caminho percorrido, os obstáculos vencidos, o suor, o sonho, a persistência, a luta diária para se conquistar alguma coisa. Me importa muito mais a paixão que me move rumo aos meus objetivos. Cada lágrima ou gota de suor derramados, cada sorriso de alegria incontida, cada suspiro seja ele de plena angústia, expectativa, suspense, dor, de cansaço, paixão. Porque eu sou Atleticana.
E Atleticanos com “A” maiúsculo vivem dos presentes que a vida lhes dá diariamente, vivem cada instante como se não existisse um futuro, logo ali, no próximo passo, no dia seguinte ou daqui a alguns dias. E toda felicidade, bem como toda tristeza também, pra gente é sentida até se esgotarem todos os limites da lógica e da razão. Sempre seremos mais coração e mais alma que razão e ciência.
E jamais saberemos descrever com palavras nosso sentimento, seja em relação ao Clube de nossa devoção, seja em relação à Vida. Porque o Atlético e a nossa Vida são indissociáveis. E para cada alegria que ela nos dá, a gente sempre dá um jeito de colocar o Galo no meio. Como se ele fosse, de certa maneira, responsável por tudo que nos acontece, de bom ou de ruim. É um companheiro invisível, onipresente, quase um guardião de nossa própria vida. Dependemos do Galo pra sobreviver quando estamos tristes, quando o destino insiste em guiar nossos passos e a vida nos dá um susto imenso. Dependemos do Galo para nos encher de esperança, pra inundar nosso coração de uma alegria incontida, pelo simples saber-se alvi-negro. Isto às vezes é a única certeza, a única força que nos move. Porque sabemos que cair e levantar faz parte da vida, que a alegria, bem como a tristeza também, são passageiras, companheiras efêmeras na dura caminhada rumo ao progresso.
E nestes dias loucos, em que o destino insistiu em me dar uma bela puxada de orelha, em que o choro, gerado quase sempre pela minha mania de perseguir uma perfeição inalcansável, saber-me Atleticana me fortaleceu, trouxe de volta a alegria pro meu coração. 
Nesta última semana, quem olhava para qualquer atleticano na rua, podia sentir de longe a alegria que emanava do seu coração. E não era apenas a goleada no Clássico, a derrota das marias na final da Libertadores em casa ou a reafirmação de uma liderança que nos acompanha de perto há 11 rodadas, conquistada no dia seguinte, num Mineirão lotado, após horas e horas comemorando pelas ruas da cidade a derrota do rival. A alegria desta semana inesquecível, apesar de toda satisfação que nos traz, é passageira, por mais que a gente queira que ela dure por muito mais.
Eu falo de outro tipo de alegria: daquela alegria que a gente não consegue descrever em palavras, como a que tomou meu coração ontem, ao ver o Tardelli fazendo o gol mais rápido do campeonato, com pouco mais de um minuto de jogo, e que me fez literalmente explodir no choro na primeira meia hora de jogo, porque a felicidade era tanta, que simplesmente não cabia mais dentro do peito. Pular e cantar enlouquecida junto à massa não conseguiam extravasar todo sentimento. Quem olhava pra mim se emocionava comigo e sorria. E entendia quando eu não conseguia encontrar palavras pra descrever o porque do choro, afinal o Galo estava ganhando o jogo! E ria de novo, me vendo gesticular sem parar, as lágrimas descendo pelo rosto e uma única palavra gritada, mais com a alma do que que com a própria voz: GALO!
Esta alegria única, que só quem é Atleticano sabe o que é. A alegria de saber-se alvi-negro, pronto pro que der e vier, se fortalecendo a cada dia, na alegria e na tristeza, na derrota e na vitória. Vivendo cada emoção em sua plenitude, sabendo que ela, assim como seu amor pelo Galo, é única. A alegria de saber que o vencer, como diz o hino (e a minha tattoo), é o nosso ideal. E buscar o ideal é sempre mais importante que conquistá-lo. Enquanto existir um ideal, viveremos. E apoiaremos o Galo. Para sempre. Incondicionalmente.

Roberta de Oliveira só teve olhos pra um tetra esta semana: aquele conquistado pelo Estudiantes num Mineirão lotado de simpatizantes.



J.A. É!!
Julho 12, 2009, 10:33 pm
Arquivado em: Futebol

Pois é, né? Voltamos à liderança. Já é, como se diz lá no Rio. Ou podemos brincar também com as iniciais dos jogadores que marcaram os três gols contra as marias: Júnior, Alessandro e Éder Luís.
Já não era sem tempo. Mesmo contra um time reserva, mesmo elas tendo um jogador expulso aos 12 segundos de partida (dizem que foi a expulsão mais rápida da história), mesmo que quase ninguém tenha ido assistir ao jogo (apenas 22 mil pessoas). Com destino não se brinca!
E hoje ele quis que voltássemos à liderança, mesmo que tenhamos jogado fora pontos importantes nas duas partidas anteriores. O passado não conta quando o destino quer decidir nosso presente. E voltar a ser líder após alguns tropeços, em cima do rival, é mais que um presente, é inesquecível. Não tem tempo que apague. Fica gravado para sempre.

Roberta de Oliveira, apesar de toda a felicidade, continua com os dois pés bem grudados no chão. Comemorar mesmo, só na última rodada do campeonato.