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Bons tempos em que o Galo tomava um gol no início do jogo e a torcida, que sempre lota o estádio, começava a gritar mais alto e o Mineirão tremia e o Galo virava o jogo. E olha que eu falo de um tempo em que o Galo não disputava a liderança do campeonato como hoje. Em que tudo dependia apenas do apoio da torcida que se diz a mais apaixonada, a mais fanática do Brasil.
Não vejo mais este fanatismo a não ser nas cenas de violência gratuita pelas ruas da cidade qdo o time perde. Se ainda extravazasse todo sentimento vibrando pelo time durante a partida, talvez não sobrasse energia pra violência chegar e machucar outro ser humano à tôa.
Eu não gosto do Celso Roth, não sou obrigada a simpatizar com ele. E, como boa parte da torcida, me irrito com algumas substituições que ele faz. Hoje não foi diferente. Chorei de ódio dele, coisa que eu não fazia contra um técnico há anos.
Mas não vou culpá-lo porque perdemos pro Flamerda hoje. Futebol é assim mesmo: ano passado o presidente deles falou merda, dizendo que seriam campeões em cima da gente, 80 mil lotaram o Maraca e o Galo venceu por 3a0, silenciando o maior estádio do país. Este ano foi a vez deles. Ponto.
A culpa, se é que ela existe, é do torcedor. Que esgotou a carga máxima do Mineirão com dias de antecedência, prometeu fazer aquela festa, levou um bandeirão novo gigante (patrocinado, como tudo hoje em dia) e só cantou nos cinco primeiros minutos do jogo e qdo fizemos o gol.
Eu cheguei a pensar: agora vai. Mas a torcida, em vez de embalar o time pra que ele pelo menos empatasse, calou de novo! Como vencer um jogo assim?
Os jogadores, queiramos ou não, sentem o calor da torcida, sentem as emoções que transmitimos a eles. É esperar demais que o cara reaja sem um grito de incentivo.
Não dá pra dizer que a sorte não está do nosso lado este ano! O Galo já esteve perto da liderança várias vezes, dependendo apenas de si para chegar lá e não fez o dever de casa. Falta acreditar? Talvez falte. Mas não é só o time que precisa acreditar que este ano é nosso, que chegaremos ao topo e conquistaremos um lugar de destaque, que há anos não tinhamos. A torcida também precisa acreditar.
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Então quer dizer que o Ricardinho não se importa em ser reserva? Me diz, francamente, qual jogador, seja de qual esporte for, se contenta com o banco de reservas? Jogador de verdade quer é entrar em campo, mostrar seu talento, ser embalado pelo grito da torcida e, de preferência, comemorar um lindo passe ou um gol de placa.
Jogador de verdade quer entrar pra história dos clubes por onde passa. E faz de tudo pra mostrar ao técnico que ele é imprescindível ao time, que ele merece ser convocado como titular em todos os jogos. Não porque tem um nome, porque construiu uma carreira brilhante antes de parar ali, na reserva. Mas porque ele se importa com seu real valor, porque ele quer descobrir qual é a desta tal mística da camisa alvi-negra, o porque tanta gente fala tão bem da torcida do Galo, porque tanta gente treme só de pensar na responsabilidade de enfrentar esta torcida, num estádio lotado.
Este suposto conformismo do Ricardinho foi infeliz. Porque deu a entender que ele está sendo hipócrita. Coisa que não condiz, pelo menos aparentemente, com seu jeito se ser. Agora, tentar ser humilde pra conquistar o técnico também não vai fazê-lo entrar em campo. Devia ter sido mais honesto, mais franco consigo mesmo e com a torcida e dizer: “Eu mal posso esperar pra entrar em campo e dar o melhor de mim! Jogador nenhum gosta do banco, né?”. É isto que se espera de um grande jogador.
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Quando eu achava que nada mais relativo ao Galo fosse capaz de me decepcionar nesta vida, eis que vejo o meu amor, o meu grande ídolo, o imaculado, o boa praça, o grande exemplo a ser seguido pelas futuras gerações de jogadores do Clube, o Messias, o Calango, o Xodó da Massa, enfim, o Marques, no meio da organizada, em pleno jogo!
Eu, que chorei de felicidade ao vê-lo finalmente voltar aos treinos na semana passada, sofro este baque dias depois. Durou tão pouco a minha alegria… Meu pai já veio me contar todo empolgado que Marques será candidato a deputado estadual pelo PTB (partido que o meu pai também se filiou um dia, num de seus inúmeros acessos de insanidade, tsc!) e que, em “comemoração” a Galoucura saiu às ruas e, sem mais o que fazer, foi lá e destruiu alguma coisa relativa às marias (a loja, a sede da Máfia, sei lá, não importa, importa que é ridícula esta violência gratuita!).
Meu pai deverá pintar o muro lá de casa de novo, como o fez quando o Rei foi candidato. E muitos outros atleticanos deverão fazer o mesmo, por simpatia ou por amor ao Marques. Melhor candidato que muito idiota saqueador por aí, poderão argumentar.
Mas o que me entristece não é o Marques se tornar político. Faço votos de que faça uma carreira brilhante e tenho certeza de que deve ter realmente boas intenções. Porque eu o amo demais e sempre espero o melhor pra ele, assim como espero que ele faça o melhor pra todo mundo.
O que me machuca e entristece é o fato dele fazer política enquanto ainda faz parte do quadro de funcionários do Clube. É ele, que mal saiu da recuperação, subir as arquibancadas para fazer média com esta torcida alienada, enquanto deveria estar preocupado em voltar pro campo e encerrar a carreira dignamente antes de começar na política.
Enquanto for jogador é pra ser jogador. Depois que o Marques encerrar a carreira, ele pode fazer o que quiser. Pode exercer outra profissão, se tornar jornalista, médico, empresário e até político se quiser. Mas enquanto estiver usando o manto sagrado, deverá respeitá-lo até o último instante, até derramar a última gota de suor ou de lágrima, na última partida disputada. Não gostei e não perdoarei, nem mesmo sendo o Marques.
E vai que machuca no meio daquela bagunça? Meu coração não aguenta! Deixa pra fazer política no ano que vem, amor! Agora não é hora de viajar nesta. Volta pro campo que lá ainda é seu lugar. Chega de brincar com meu pobre coração!
Roberta de Oliveira adora tanto futebol quanto política, desde que as duas coisas não se misturem.
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Se não me engano, a última vez que escrevi por aqui, há quase um mês atrás, tinha sido a última vitória do Galo no Brasileirão. Sinal de que agosto não é um mês bom pro Galo? Vai saber…
O fato é que setembro chegou e a uruca passou. Ainda bem! Agora é continuar vencendo e acreditar que ainda dá pra chegar à Libertadores ano que vem. Sem alimentar ilusões, que este coraçãozinho aqui já sofreu demais nestes últimos dias…
Tenho certeza de que a torcida vai voltar ao campo em breve. É só o Galo melhorar um pouquinho que a casa enche… E pensar que cresci vendo a torcida do Galo enchendo o Mineirão, independente da fase em que o time se encontrasse. Esta história de “nunca vou te abandonar”, me desculpem, tá muito mais praquela organizada lá de SP, do “timão”…
Tenho certeza também que as críticas ao Roth e ao Kalil vão diminuir temporariamente. E que os torcedores vão colocar o Renteria nos ombros, mais cedo ou mais tarde. Assim como vão aclamar o goleiro reserva da Juve e da Inter de Milão, um tal de Carini que não jogou muito na Europa, mas trouxe alguns nomes ilustres no currículo.
Viveremos a ilusão que os CTs da Europa lhe ensinaram a “prática” de bom goleiro. E ficaremos felizes se ele nos defender de todo o mal, principalmente no próximo Clássico. Que assim seja, já que não temos mais alternativas.
E assim seguiremos até o final do campeonato, esperando que dezembro não demore muito a chegar e que Papai Noel nos traga um bom presente de Natal este ano.
Roberta de Oliveira está com o coração cansado de torcer por milagres todos os jogos do Galo.
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E por amor ao Galo eu sigo em frente. Contra todas as mazelas, todas as dores, as decepções, doenças, quedas e dificuldades do caminho. Tenho um escudo tatuado nas costas, me protegendo de tudo isso. Trago no meu coração um amor tão grande que não tem limite e que me faz acreditar em coisas absurdas, como o fato de um time nem bom nem ruim ser capaz de vencer o campeonato, numa disputa ponto a ponto, até o final.
É este meu amor pelo Galo que me faz acreditar num mundo perfeito, onde todos tem oportunidades de serem felizes. É este meu amor pelo Galo que enche minha alma de esperança, para um dia finalmente alcançar o, hoje, inalcansável. É este meu amor pelo Galo que faz acordar todos os dias e meditar um pouco sobre um tapete que tem seu símbolo e acreditar que o dia será único e que só dependerá de mim fazer dele o melhor dia da minha vida. E fazer do Galo uma razão pra seguir em frente: eu vivo pra ver o Galo bem. Porque se ele está bem, tudo o mais se transforma, tudo fica belo.
É este meu amor pelo Galo que um dia vou compartilhar com alguém. Que ainda vou compartilhar com meus filhos, como o fez tão apaixonadamente o meu pai.
É este meu amor pelo Galo que me fez sair de casa com o coração em frangalhos num domingo ensolarado, quase sem forças pra seguir adiante. E, ao mesmo tempo, me fez caminhar 6kms pela orla da Lagoa enquanto esperava o momento único de vê-lo entrar em campo e ser campeão. E fomos campeões: meninos que não cabiam em si tamanho o orgulho que sentiam por vestir aquela camisa listrada e que deram a alma pra nos trazer alegria.
E, logo após, um jogo emocionante, daqueles que servem mais pra nos fazer reafirmar o amor que sentimos, porque veio cheio de garra, de vontade de vencer, mas também veio recheado de tropeços. É um daqueles jogos em que o futebol imita a vida. Literalmente.
E voltar pra casa com o coração ainda sangrando, mas feliz porque pelo menos uma única certeza jamais será abandonada: eu amo o Galo.
Roberta de Oliveira não poderá assistir ao Galo contra o Palmeiras na próxima quarta-feira no Mineirão. E morre um pouco por dentro todas as vezes que se lembra disso. Mas pelo menos ela verá o mar…
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Há exatos 15 anos, o Brasil conquistava o tetra-campeonato. Não me esqueço desta data por vários motivos: pelo meu choro inconsolável ao ver meu idolatrado Roberto Baggio perder o pênalti que deu o (pra mim imerecido) título ao Brasil; pela tristeza que me acompanhou por semanas por causa disto; pela paixão pelo futebol italiano que ganhou uma força imensa depois daquela Copa e me rendeu uma simpatia descarada pela Juve (o bianconero italiano); do meu desprezo pela Seleção que ganhava mais força a medida em que meu amor pela Itália crescia.
Isto tudo pra dizer que o tão aclamado tetra não faz a menor diferença pra mim, assim como todos os títulos e “honrarias” da tal seleção canarinho. Títulos e status nunca fizeram minha cabeça. Me interessa sempre e muito mais o caminho percorrido, os obstáculos vencidos, o suor, o sonho, a persistência, a luta diária para se conquistar alguma coisa. Me importa muito mais a paixão que me move rumo aos meus objetivos. Cada lágrima ou gota de suor derramados, cada sorriso de alegria incontida, cada suspiro seja ele de plena angústia, expectativa, suspense, dor, de cansaço, paixão. Porque eu sou Atleticana.
E Atleticanos com “A” maiúsculo vivem dos presentes que a vida lhes dá diariamente, vivem cada instante como se não existisse um futuro, logo ali, no próximo passo, no dia seguinte ou daqui a alguns dias. E toda felicidade, bem como toda tristeza também, pra gente é sentida até se esgotarem todos os limites da lógica e da razão. Sempre seremos mais coração e mais alma que razão e ciência.
E jamais saberemos descrever com palavras nosso sentimento, seja em relação ao Clube de nossa devoção, seja em relação à Vida. Porque o Atlético e a nossa Vida são indissociáveis. E para cada alegria que ela nos dá, a gente sempre dá um jeito de colocar o Galo no meio. Como se ele fosse, de certa maneira, responsável por tudo que nos acontece, de bom ou de ruim. É um companheiro invisível, onipresente, quase um guardião de nossa própria vida. Dependemos do Galo pra sobreviver quando estamos tristes, quando o destino insiste em guiar nossos passos e a vida nos dá um susto imenso. Dependemos do Galo para nos encher de esperança, pra inundar nosso coração de uma alegria incontida, pelo simples saber-se alvi-negro. Isto às vezes é a única certeza, a única força que nos move. Porque sabemos que cair e levantar faz parte da vida, que a alegria, bem como a tristeza também, são passageiras, companheiras efêmeras na dura caminhada rumo ao progresso.
E nestes dias loucos, em que o destino insistiu em me dar uma bela puxada de orelha, em que o choro, gerado quase sempre pela minha mania de perseguir uma perfeição inalcansável, saber-me Atleticana me fortaleceu, trouxe de volta a alegria pro meu coração.
Nesta última semana, quem olhava para qualquer atleticano na rua, podia sentir de longe a alegria que emanava do seu coração. E não era apenas a goleada no Clássico, a derrota das marias na final da Libertadores em casa ou a reafirmação de uma liderança que nos acompanha de perto há 11 rodadas, conquistada no dia seguinte, num Mineirão lotado, após horas e horas comemorando pelas ruas da cidade a derrota do rival. A alegria desta semana inesquecível, apesar de toda satisfação que nos traz, é passageira, por mais que a gente queira que ela dure por muito mais.
Eu falo de outro tipo de alegria: daquela alegria que a gente não consegue descrever em palavras, como a que tomou meu coração ontem, ao ver o Tardelli fazendo o gol mais rápido do campeonato, com pouco mais de um minuto de jogo, e que me fez literalmente explodir no choro na primeira meia hora de jogo, porque a felicidade era tanta, que simplesmente não cabia mais dentro do peito. Pular e cantar enlouquecida junto à massa não conseguiam extravasar todo sentimento. Quem olhava pra mim se emocionava comigo e sorria. E entendia quando eu não conseguia encontrar palavras pra descrever o porque do choro, afinal o Galo estava ganhando o jogo! E ria de novo, me vendo gesticular sem parar, as lágrimas descendo pelo rosto e uma única palavra gritada, mais com a alma do que que com a própria voz: GALO!
Esta alegria única, que só quem é Atleticano sabe o que é. A alegria de saber-se alvi-negro, pronto pro que der e vier, se fortalecendo a cada dia, na alegria e na tristeza, na derrota e na vitória. Vivendo cada emoção em sua plenitude, sabendo que ela, assim como seu amor pelo Galo, é única. A alegria de saber que o vencer, como diz o hino (e a minha tattoo), é o nosso ideal. E buscar o ideal é sempre mais importante que conquistá-lo. Enquanto existir um ideal, viveremos. E apoiaremos o Galo. Para sempre. Incondicionalmente.
Roberta de Oliveira só teve olhos pra um tetra esta semana: aquele conquistado pelo Estudiantes num Mineirão lotado de simpatizantes.
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Pois é, né? Voltamos à liderança. Já é, como se diz lá no Rio. Ou podemos brincar também com as iniciais dos jogadores que marcaram os três gols contra as marias: Júnior, Alessandro e Éder Luís.
Já não era sem tempo. Mesmo contra um time reserva, mesmo elas tendo um jogador expulso aos 12 segundos de partida (dizem que foi a expulsão mais rápida da história), mesmo que quase ninguém tenha ido assistir ao jogo (apenas 22 mil pessoas). Com destino não se brinca!
E hoje ele quis que voltássemos à liderança, mesmo que tenhamos jogado fora pontos importantes nas duas partidas anteriores. O passado não conta quando o destino quer decidir nosso presente. E voltar a ser líder após alguns tropeços, em cima do rival, é mais que um presente, é inesquecível. Não tem tempo que apague. Fica gravado para sempre.
Roberta de Oliveira, apesar de toda a felicidade, continua com os dois pés bem grudados no chão. Comemorar mesmo, só na última rodada do campeonato.
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A viagem da semana passada foi à Curitiba. Apesar da chuva intermitente da quarta e do frio congelante da quinta, voltei completamente apaixonada pela cidade: impressionante como tudo funciona, como as pessoas são educadas, como o Centro é lindo e incrivelmente limpo. E, claro, como todos os que eu conheci adoram o Galo.
Numa feirinha na famosa Boca Maldita, era quase inacreditável a quantidade de souvenirs… do Galo! Minha coleção agradece!
Não sei a simpatia pelo Galo vem porque eles também têm um Atlético por lá, mas o fato é que esta história de “torcida amiga” está se tornando cada vez mais furada pra mim. Mesmo que o outro Atlético estampe na camisa duas cores que me causam arrepios, mesmo que o Coritiba seja também um clube centenário e ainda: mesmo que ambos tenham estádios, como o tem o Grêmio e o Inter e exerçam a rivalidade saudavelmente, o que parece valer na hora de torcer “pela amizade” entre os clubes, é a identificação pessoal, que tem mais a ver com paixão do que com meros apertos de mão entre as organizadas de cada estado.
Como eu não canso de dizer: eu só sei torcer pro Galo. Mas me faz feliz encontrar, aonde quer que eu vá, pessoas que simpatizam e até torcem verdadeiramente pelo Galo, independentemente da “simpatia” ou não que as torcidas possam nutrir umas pelas outras.
Comentário sobre o jogo contra o Barueri: nunca, jamais, subestime um time considerado pequeno. Pé no chão, Galo! Pé no chão! O Campeonato está apenas começando. Não vamos começar a achar que ganhar do Bosta no Mineirão lotado é chutar cachorro morto, que jogar contra as marias e os bambis em casa será fácil só porque estamos na frente na tabela. Mais humildade, serenidade e cabeça fria na hora de entrar em campo, por favor!
Roberta de Oliveira também não ligou a mínima pra “virada sensacional” do Brasil contra os EUA. Na verdade, ela ficou p. da vida quando viu a arrogância falando mais alto e se dizia que perder por 2a0 era uma zebra sem tamanho. Os EUA chegaram à final por mérito, não por capricho do destino.
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Cheguei a Porto Alegre numa noite gelada e chuvosa, plena quarta-feira velha. Mas a cidade estava tensa: o Inter perdia por 2a0 pro Curíntia em Sampa e o Grêmio, apesar do 0a0 em pleno Olímpico, se classificava para as semi-finais da Libertadores.
O taxista sorria satisfeito, rádio ligado. Eu, estrangeira, me divertia com a narração do jogo colorado. O sotaque carregado do narrador inflamado, dizendo que o Inter haveria de virar o jogo no Beira Rio, os comentaristas denegrindo o pesado Fat Fenômeno (oh, dó… rsrs).
Na porta do hotel, ele sorriu satisfeito, querendo saber qual o meu time em Poa. Disse que só sabia torcer pro Galo, mas que achava engraçada a rivalidade entre gremistas e colorados. Eu ainda não sabia que passaria os dois próximos dias convivendo com torcedores inflamados dos dois lados, tentando me convencer qual time era melhor.
Eu sei que continuo não entendendo o porquê da torcida do Galo ser amiga da torcida gremista, já que o Inter é que o time mais popular de Porto Alegre. Não tenho preferência, mas saber que o Grêmio proíbia o acesso dos negros ao clube me deixa indignada. Daí o Inter adotar o Saci como um dos mascotes. Saber que o Grêmio tem azul no uniforme também me incomoda bastante. Já o Inter tem o vermelho da revolução. É… quase me convenceram…
Tentaram me contar a história dos dois times. E gaúcho adora ser bairrista, né? Sabem de cor o hino do RS e demoram pra lembrar o brasileiro; cantam o hino do RS após cantar o hino de seu time em todos os jogos. E isto é muito bonito. Eles valorizam cada detalhe de sua história. E a contam com os olhos brilhando de orgulho. E isto é muito bonito também.
Me contaram da festa do centenário do Inter. Do Beira Rio que recebeu grandes bandeiras brancas que transmitiam os jogos de todos os tempos do Clube. Do Gigantinho transformado em bola vermelho e branca. Da passeata que tomou a cidade. Me contaram que o Inter não é time de se entregar e que aquele campeonato roubado pelo Curíntia será vingado na final da Copa do Brasil. O Curíntia perdeu a final pro Sport ano passado, porque não pro Inter, que tem muitos motivos para se vingar?
Eu não sei. Sei que os taxistas eram todos gremistas e gostavam do Galo, um até me contou que assistiu a um jogo do Galo contra o Flamengo no Mineirão, uma goleada histórica (5a0, na década de 80, uau!). Sei que um dos correspondentes do banco também tinha tatuado o símbolo do seu time do coração às vésperas do centenário dele (“mas o símbolo original, de 1903, daí”, ele fez questão de dizer). Ele era gremista, tocava na banda da famosa geral, viajou o Brasil inteiro com o time e conhecia pelo nome quase todo mundo da Galoucura. Huuum…
Ao voltar pra casa, no caminho pro aeroporto, o taxista que viu o Galo golear o Flamengo me mostra um terreno enorme e aponta, orgulhoso: “É ali que nós vamos construir o novo estádio do Grêmio”. E eu, que apenas sonho em ter novamente um estádio pra chamar de meu, perguntei o porque de se fazer um novo estádio e ele: “ah, sim… a gente podia reformar o Olímpico, né? mas a gente preferiu fazer um novo, fica mais barato e é bom que daí a gente tem dois, né?”.
Ter títulos importantes para rivalizar um com o outro de igual pra igual, construir um estádio novo só pra sair na frente do rival, tentar convencer os forasteiros a todo custo que seu time do coração é o melhor do mundo, definitivamente, é coisa de gaúcho mesmo. Um ser bairrista e apaixonante por natureza.
Mas nem Grêmio nem Inter estão muito bem no campeonato. O Galo continua líder invicto no Brasileiro e eu continuo tentando entender este gaúcho esquisito chamado Celso Roth que resolveu fazer milagre no time este ano.
Roberta de Oliveira só torce pra outro time que não o Galo. Na verdade, é uma seleção: a italiana. Ela não sabe explicar o porquê, mas desde que se entende por gente é assim: Galo e Azzurra. Até o fim dos tempos.
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Na próxima sexta-feira, dia 19 de junho, este singelo blog completará um ano de existência. Como estarei fora de BH, deixo antecipados os meus agradecimentos às 1210 visitas que ele recebeu mesmo com tão pouca divulgação.
Aos amigos queridos que me incentivaram a escrever “oficialmente” sobre o Galo, fica meu mais forte abraço.
E aos leitores fiéis, o meu sorriso mais sincero de alegria.
Roberta de Oliveira vai à Porto Alegre investigar os mistérios que transformaram Celso Roth no último grande messias do Galo. A resposta, meu amigo, só o vento sabe…