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Então brinquei que iria chover hoje porque finalmente eu voltaria pro Mineirão pra ver o Galo jogar. Sei não porque: o coração simplesmente reclamou a semana toda e lá se foi todo o orgulho besta e a preguiça imensa de atravessar a cidade pra ver o Galo.
Acordei cedo e não era a ansiedade louca que sempre me acompanhou quando é dia de jogo. Tinha que acompanhar um amigo no ensaio da banda dele antes de subirmos pro campo. O ensaio terminou às 14h30 e eu ainda não estava tão pilhada quanto imaginei que estaria a quase uma hora do jogo. Há algum tempo atrás, eu já estaria no Peixe Vivo há horas…
Passamos por lá só pra dizer um oi pra galera e minha preguiça começou a dar sinal de vida: fila pra entrar (era de estudante: passei direto, ufa!), pra encarar a revista da PM, a catraca estragou justo na minha hora (xinguei que a Ademg não aprendeu até hoje a trabalhar nos jogos do Galo) e cheguei no bar sem fôlego (era taquicardia mesmo).
Comecei a sentir um nó estranho na garganta ao subir o último lance de escada. Não foi fácil encontrar o estádio cheio e ver o Galo Doido entrando em campo. Uma confusão sem fim de emoções à flor da pele. Como a tattoo exposta hoje, sendo fotografada sem que eu permitisse por uma turma do interior.
O Galo teve um jogador expulso logo aos nove minutos do jogo mas, por incrível que pareça, a organizada hoje resolveu dar uma de 105 e cantar o jogo todo. E o Galo foi pra cima do Náutico (e minha gastrite nervosa começou a dar sinais de vida). No intervalo o Danilinho apareceu no telão e eu fiquei rouca gritando seu nome, lágrimas nos olhos de saudade… Coração doendo de saudade…
Passei mal logo no início do segundo tempo. Tremia. E não era o frio da noite que caía. Continuei cantando o mantra do 105 pra me acalmar, que a organizada resolveu finalmente adotar: “Somos alvi-negros e apoiaremos o Galo para sempre”. Ou então: “ooooo, o Galo é o meu amor, oba oba oba”.
O Galo fez dois a zero e o Tardelli usou a bandeirinha do escanteio pra “tocar violão”. Não segurei as lágrimas com “Vou festejar”: cantá-la hoje nunca fez tanto sentido… Eu cobrava do Galo pela traição de ter me decepcionado tanto nos últimos meses e (quem sabe interpretar a mente de uma atleticana apaixonada me explique) o Galo me “respondia” que eu podia chorar sem medo, porque havia brigado com ele sem ter porquê. O terceiro gol foi apenas pra simbolizar a redenção final. Ainda não tô acostumada a ver o Massaraújo jogando tão bem…
Enfim: Galo líder, urubuzada foi goleada mais uma vez, as marias pegaram gripe suína em SP e eu finalmente, depois de meses, voltei feliz pra casa após um jogo do Galo.
Roberta de Oliveira não vai dizer que a boa fase do Galo deixa seu coração alvi-negro irradiando felicidade porque ela é muito pé no chão para isso. Mas ela não diz isto, principalmente, porque seu coração já está calejado demais para criar expectativas com apenas seis rodadas de Campeonato.
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Oh, Aleluia!! Finalmente o Galo se viu livre da peste do Juninho! Como prometido e honrando a cidade onde nasci, pelo menos uma caixa de fogos será lançada aos céus em agradecimento a Deus Nosso Senhor. Vá em paz e amadureça, Juninho!!
E as notícias por enquanto são boas, né? Continuamos reciclando o elenco, o time ainda não perdeu no Brasileiro e até que o Celso Roth não fez nenhuma besteira. Mas, como eu disse, por enquanto!
Espero do fundo da alma que esta boa fase do Galo continue assim até o final do ano, pelo menos. Mas se eu pudesse fazer como as crianças, eu prometia ser boazinha com todo mundo e não guardar rancor de ninguém (nem mesmo do Kalil), só pra ver o Galo campeão brasileiro de novo. E desta vez, da série A, por favor!!
Roberta de Oliveira tem rezado todos os dias pra ver se o Kalil cria juízo (é sério, gente! rsrs). Parece que a sua fé tem dado resultado… Ainda bem!
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Não quero que este blog se torne uma obrigação. Mas às vezes é muito difícil falar sobre o Galo. Eu tenho usado de muito sarcasmo e ironia pra falar dele nos últimos meses. Graças a um tal de Alexandre Kalil que insiste em querer destruir o Clube Atlético Mineiro como um Nero querendo incendiar Roma.
Então, vamos ao sarcasmo:
=> Vieram me contar que um tal de Júlio César vem pro Galo. E eu não me contive: Júlio César?? Da Inter de Milão?! Que grande jogada de marketing! Sério?? Quero ver o Curíntia ganhar desta em nível de “grandes surpresas do futebol nacional de 2009″!! Agooora sim podemos dizer que o time tem um goleiro! Sabia que o Bebeto de Freitas não me decepcionaria!!
Quem me contou esta ficou tão sem reação que até ensaiou outro assunto: sobre o tempo instável de outono e a gripe suína rondando BH…
=> Também me contaram que o Celso Roth escalou o Edson no gol mesmo conhecendo bem o time adversário, que ele ajudou a montar e, fato consumado, desenvolveu um bom trabalho por lá, até jogar tudo fora nos últimos instantes do campeonato brasileiro do ano passado. Você chama isto de escalação de gênio? Sim! De gênio da lâmpada: concederemos três desejos aos jogadores gremistas na partida de hoje. Quanta generosidade!!
Ou melhor: seria uma jogada de mágico. O Grande Celso quer confundir o adversário. Tipo ilusão de ótica: você vê o Edson no gol e acha que é o Pelé, daí treme nas bases e corre por todos os cantos do gramado, menos em direção ao gol. Quem teria coragem de fazer um gol no Rei, não é mesmo?
=> A situação tende a se agravar quando ouço que um tal de Aranha pode ser nosso goleiro. Grande técnica: ele vai tecendo suas teias ao redor do gol e a bola simplesmente fica ali, grudada. Pelo menos ela não entra, né? Seria o Aranha um super-herói? Que vai nos salvar de mais uma ameaça de rebaixamento? Uau!! Este nome deve mesmo impor respeito ao adversário. Como Rogério Ceni, Marcos, Julio César, Bruno, Eduardo, João Leite, Kafunga (tá bom, Kafunga não é um nome que mete medo, mas olha pro tamanho dele!).
=> Também pode ser que venha Carini. Pra quem é acostumada a ver campeonato italiano e ver o Amelia jogando no gol, não me espanto com o nome feminino do nosso provável novo goleiro. Melhor que Aranha. Mas não impõe respeito de jeito nenhum. Não estou sendo machista: apenas me resguardando de possíveis chacotas de marias no futuro próximo!
=> Eu vou guardar um pouco do meu sarcasmo pra mais tarde em vez de falar das demais contratações que o Galo andou apresentando nestes últimos dias. Melhor poupar um pouco das minhas risadas cínicas pra quando eles começarem a jogar.
Roberta de Oliveira tem cada vez mais ódio de Alexandre “Nero” Kalil. E nem é preciso muito esforço para alimentar este ódio. O cara tem uma capacidade quase inata de conseguir reunir ódio ao seu redor.
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Ok. Mais uma vez o filme se repete. Exatamente como ano passado. Só que desta vez eu não tenho uma homenagem na Sede me esperando alguns dias depois pra me consolar e apagar de vez qualquer tristeza ou me encher de esperança, de orgulho por ser Atleticana. Não. Desta vez eu vou ter que engolir a seco.
E é melhor que seja assim. Eu já não alimentava mesmo qualquer espectativa em relação ao Galo. Cheguei a uma certa idade, como diz meu amado pai, que a gente vira gato escaldado e tudo o que vier é lucro. A gente passa a viver das emoções e sentimentos. E só. Atleticano é o ser que mais entende o que é isso. Porque comemora o instante imediato, não o que vem depois, seja lá o que for o depois. Se for um gol, uma vitória, um título, tudo bem. E se for mais uma chance perdida, mais um jogo repetido, tudo bem também. O amor do atleticano não acaba assim tão facilmente. Ele se abala, às vezes, cria cicatrizes que só de olhar, doem. Porque trazem consigo a lembrança do tal instante imediato em que surgiram. Mas passa. Ele sabe que passa. A única coisa que nunca passa é a intensidade do seu amor. Esta, só aumenta com o passar do tempo.
Mas não posso deixar, mais uma vez, de criticar o atual presidente e a torcida. Ouvir o Kalil dizer que não foi ao Mineirão porque estava sem carro?? PQP! Que presidente é esse que fala merda a semana toda, cuja arrogância estrapola todos os limites do bom senso e na hora H não está no campo do lado da torcida que, agora que lhe convém, é sua grande aliada? Pedir desculpas à torcida pra que? Ela também abandonou o time no meio do jogo. E depois vem os dois se dizerem os mais apaixonados? Que paixão é essa que abandona o time quando ele mais precisa? Falar depois do jogo é fácil. Dar a cara a tapa depois do jogo é mais fácil ainda. Assim se esconde mais uma vez a total falta de competência técnica, que tenta, a todo custo, fazer milagres num time medíocre. Difícil mesmo é ser Presidente de verdade. É fazer as coisas andarem reto, sem floreios, sem meias verdades. Quero ver aonde vai parar tanta mediocridade, Kalil!
Roberta de Oliveira vive à flor da pele todos os dias. E reconhece que uns bem mais que os outros.
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O meu amor pelo Galo está diretamente ligado a duas pessoas: meu pai e Telê Santana. Impossível medir a intensidade deste amor, comparando-a entre os três. Eu simplesmente não consigo falar do Telê sem que lágrimas rolem pelo meu rosto, sejam elas de alegria, de orgulho ou de saudade.
Como não consigo ver imagens dele sem me emocionar profundamente. Se me perguntam qual o meu maior ídolo no Galo, eu, contrariando a máxima de se escolher um jogador, digo sem pestanejar: Telê Santana.
Quando nasci, Telê não estava mais no Galo. Foi dar ao Grêmio um título que eles amargaram oito anos pra tirar do Inter. Mas, influenciados pela verdadeira adoração do meu pai por ele, eu e meus irmãos acompanhávamos cada passo seu. As Copas de 82 e 86 foram um exemplo disso. Eu não torcia pela Seleção. Eu torcia pelo time do Telê. E vê-lo dirigir o Galo foi maravilhoso, ainda que por pouco tempo. Telê saiu do Galo magoado com a torcida (e talvez venha daí minha birra pelas organizadas: não sabem reconhecer um verdadeiro apaixonado pelo Galo).
Acompanhei Telê dirigindo o São Paulo, feliz da vida. Ainda não tinha me tornado uma atleticana fanática (fato que só ocorreu entre 93 e 95). Meu irmão caçula passou a dividir seu amor entre o Galo e o São Paulo, comprando camisas e tudo o mais, tudo porque simplesmente adorava o Telê.
E meu pai sempre enriquecia nossa memória afetiva, contando casos e mais casos do grande Mestre. Telê se tornou uma lenda lá em casa. E, em janeiro de 1996, quando eu tinha recém-adoecido pelo Galo (final da Commenbol de 95), Telê sofreu uma isquemia cerebral e foi afastado do futebol. Chorei dias seguidos, rezando pra ele não nos abandonar. E dez anos se passaram até que ele finalmente pudesse descansar em paz.
Hoje, 21 de abril de 2009, faz três anos que Telê se foi. Mas seu sorriso cativante continua gravado pra sempre na minha alma alvi-negra.
Roberta de Oliveira também chora toda vez que se lembra que tem uma foto dela na mesma galeria onde reina absoluto seu grande Mestre e ídolo Telê.
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Hoje, 19 de abril de 2009, faz 13 anos que BH me adotou como cidadã. Impulsiva por natureza, vim pra cá de repente, pra ver um show dos Paralamas para o lançamento do Fiat Palio (sim, também faz 13 anos que nosso ex-patrocinador lançava aquele que seria um dos seus carros mais populares, em cores divertidas espalhadas pela cidade, lembra?).
Então aproveitei a oportunidade e declarei pro meu pai: vou mudar pra BH e saí fazendo a mala. Na despedida, ele, segurando o choro, me deu várias recomendações, incluindo olhar pros dois lados da rua ao atravessar. Mas teve duas recomendações expressas que eu nunca esqueci: de jamais pisar no Mineirão em dia de Clássico e principalmente, jamais procurar briga nas arquibancadas. Falo recomendações expressas, porque uma ficou no bilhete que ele me deu pra ler no ônibus (nunca ir a um Clássico porque era perigoso).
Meu pai sabia que eu jamais cumpriria nenhuma das duas recomendações. Sabendo do meu gênio rebelde e explosivo, apenas quis garantir que eu soubesse que ele se preocupava comigo, numa tentativa frustrada de me persuadir a poupá-lo de possíveis infartos.
E não deu outra: primeiro Clássico logo após eu pisar em BH lá estava eu no Mineirão. Lotadaço. Fiquei espremida no 7A. Era uma luta pra acompanhar qualquer lance do jogo. Mas era a minha estréia no Mineirão e fiz questão de ligar pro meu pai pra contar que estava lá…
Depois deste jogo virou tradição ligar pro meu pai do campo, de preferência após um gol do Galo. Como o fiz no domingo passado, depois de dois meses e meio longe do campo. Acabei narrando o golaço do Éder Luis pra ele: “Ah, o jogo tá uma droga, morno pra c****, tá um tédio só. Eu te ligo quando Galo fizer gol então. Nãããão! Espera aí! Não desliga não! Não desliga não! Gooooooooooool!! Gaaaaaaloooo!” e virei o telefone pra torcida, crente que meu pai ouvia, já que ele não tinha desligado. Que nada! No dia seguinte liguei de novo e ele, rindo à beça, me contou que jogou o telefone longe e correu pra ver o replay do gol na TV!
Nestes 13 anos de BH já perdi a conta de quantos jogos e clássicos assisti no Mineirão. Já briguei várias vezes na arquibancada, já bati boca uma infinidade de vezes também. Às vezes como um Dom Quixote, brigando com a organizada porque ela está calada (e talvez por isso eu me identifique tanto com o Movimento 105).
Já chorei de alegria, de puro nervosismo num jogo já ganho que não acabava nunca, já chorei desolada quando o Galo caiu, quando perdemos de 5a0 pras marias, quando eu ia pro campo ano passado e só tinha cinco mil pessoas na torcida e eu tinha brigado com meio mundo pra me acompanhar e ninguém queria saber mais do Galo.
Já ri muito também. Já me diverti muito xingando Ronildos, Bilús e Caçapas, mesmo quando eles não estavam em campo. Coloquei apelidos em metade do time em cada temporada. Já quis matar o traidor do Guilherme quando ele mandou a torcida calar a boca num clássico (e não há nada que me faça perdoá-lo por isso). E quis a cabeça de alguns jogadores retardados das marias, como o Cris, que jogou um sinalizador azul pra torcida e apanhou do Dudu e pediu pra ir embora das marias após ameaças de morte.
Como quis matar o diretor que trouxe o Fábio Jr. pra jogar no Galo duas vezes. Eu não tenho nada a ver com a falta de amor do cara à camisa das marias! Outro que pediu pra sair chorando.
São momentos inesquecíveis, carregados de emoção e significado. Que voltam a mim toda vez em que ameaço largar o campo por pirraça contra o idiota do Kalil. Que me fazem recordar que já tivemos presidentes piores, diretorias e técnicos ainda mais medíocres. E Leão talvez seja a única coisa que me segura os pés no chão este ano. Saber que ele comanda o time me dá mais segurança, mesmo sem um goleiro pra honrar a camisa. É pelo time que o Leão tem tentado equilibrar que eu ainda não abandonei o Galo.
E é por todos os momentos inesquecíveis que vivi ao lado do Glorioso, que o meu amor pelo Galo vai superar o meu ódio pelo Kalil.
Roberta de Oliveira luta todos os dias pra equilibrar amor e ódio quando pensa no Galo. Mas ela sabe: amor e ódio, yin e yang, preto e branco, tudo se mistura e se equilibra. Este o tempero da vida!!
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Tudo bem. Falemos do Galo!
Continuo com um pé atrás com esta euforia toda da torcida, com as “campanhas” tipo “Yes, we CAM” (apesar de ter encomendado minha camisa… rsrs) e este amor cego a qualquer contratação esquisita do Kalilzinho paz e amor.
Élder Granja no Galo? Só se for pra fazer jus ao nome: granja, galo, parece que combina, né? (ok, piadinha infame, reconheço!). Mas eu não sei, não… Outro dia meu pai, que insiste em me dar notícias sobre o Galo mesmo que eu tenha tirado férias do time, enfim, meu pai me contou que estão querendo trazer de volta o Caçapa! Já que é assim eu quero o Bilú também!
Que saudades eu tenho do Bilú, de xingá-lo a cada minuto dos jogos, mesmo naqueles em que ele nem estava escalado…
Sei lá, este time do Galo, mesmo ganhando todas, não me convence! Campeonato Mineiro não serve de base para muita coisa. O único time de verdade contra o qual jogamos é sempre o das marias. Aí vocês vão me falar da Copa do Brasil. E eu pergunto: e daí? Basta chegar naquela fase de jogar contra Botafogos e Curíntias pro time mostrar sua verdadeira face.
Será que o futebol brasileiro tá tão meia furada assim que Éder Luís e Tardelli poderão concorrer com o Fat Fenômeno sobre quem será o grande nome do Campeonato Brasileiro de 2009?
Só falta mesmo a torcida do Galo começar a viver como a dez anos atrás, achando que este ano só vai dar Galo e Curíntia no Brasileirão…
Sério. Me desculpem pela total descrença no Galo do primeiro trimestre de 2009. É preguiça, cansaço mesmo. Chega uma hora que seu coração fica meio cético: porque cansou de sofrer em vão, de viver de ilusões.
Pode ganhar das marias de quatro a zero de novo, com gol esquisito de novo. Pode ser campeão mineiro com todos os méritos para Tardelli e Éder e metade da categoria de base sendo testada. Pode ser campeão mineiro mesmo tendo um péssimo goleiro. E começar o Brasileirão com este mesmo péssimo goleiro, só pra dar uma emoção a mais.
Pra mim não faz mais a menor diferença. Quando o Galo chegar ao terceiro lugar (e estou sendo o mais otimista que consigo) no Brasileiro este ano, aí sim, eu comemorarei e, quem sabe, até dê o braço a torcer e reconheça que o idiota do Kalil soube fazer alguma coisa boa, pelo menos com o time. Porque com o Galo, todos sabemos, não tem feito muito. O problema da torcida é que ela só enxerga o Galo como o time e se esquece que o Galo é mais que isso. É deste Galo, com toda sua história e seu legado, com toda a estrutura profissional e que Kalil insiste em querer destruir, acabando com futsal e desmotivando os profissionais que trabalham por amor ao Clube, que eu quero me orgulhar. Não quero me orgulhar apenas do time. É muito pouco diante do amor que sinto… Quero me orgulhar do CAM, o Clube Atlético Mineiro.
Roberta de Oliveira, a cada dia mais cética, se esforça pra acreditar que, sim, nós podemos, CAM.
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“É gol! Que felicidade! É gol! O meu time é a alegria da cidade”. Esta vinheta da Itatiaia traz sempre muita alegria pro meu coração. Porque ela sempre acompanha a narração dos gols do Galo (narração do Willy Gonzer, não sei porque o Caixa prefere axé…) e faz parte da minha memória afetiva desde que me entendo por gente. Me remete a manhãs sonolentas em que minha mãe me aprontava pra escola enquanto meu pai preparava o café e tirava biscoitos do forno a lenha, ouvindo as manchetes do Galo e os melhores momentos do jogo do dia anterior. Não sei dizer se meu amado Vilibaldo Alves também a usava, porque eu ficava tão extasiada ao ouvir o seu “adiviiiiiinhe” (que sempre vinha após o meu “acrediiiita” – é engraçado porque, mesmo que eu estivesse ouvindo novamente um lance que eu já tinha ouvido ao vivo no dia anterior, eu sempre torcia com meu “acredita, Galo” antes do gol).
A vinheta também me remete a grandes momentos vividos dez anos atrás. Na grande maioria das vezes, eu a ouvi voltando de um Mineirão superlotado. Era raro um público menor que 60.000 naquela época. E o Galo disputou a sua última final de Brasileiro naquele ano.
Coincidências que me deixam apreensiva em vez de esperançosa. Praticamente as mesmas pessoas no comando, tínhamos um time que nos enchia de alegria e gols belíssimos pra comemorar ao vivo ou pela tv (infelizmente ainda não tínhamos YouTube nem TV Galo para ficarmos vendo e revendo os gols sempre que quiséssemos). E o Galo não levou o título. Chorei por semanas, adoeci, perdi a voz, a fome, a vontade de sair às ruas, fui ameaçada de internação pelo meu pai pela enésima vez nesta vida (e pela minha mãe pela primeira), meu pai também adoeceu e nunca mais torceu com a mesma paixão de antes. O mundo perdeu o sentido.
Mas foi nesta mesma época, com o coração sangrando, que decidi que faria uma tatuagem para homenagear o Galo. Passaram-se oito anos até que ela finalmente passasse a existir. Mas não me arrependo. Viveria tudo de novo. Se eu ainda tivesse vinte anos…
Hoje o time goleia, mas eu não estou mais no campo. Pergunto pra alguém no shopping sobre o jogo e apenas sorrio ao saber que ganhávamos de 3a0. Entro no táxi e o taxista não sabe qual o dial da Itatiaia (dá pra acreditar?) e ainda ouço, distraída, o quarto gol. Meu coração não comemorou o gol. Minha alma me levou à infância ao ouvir a vinheta mais linda do mundo. O cérebro tentou me aborrecer me lembrando que esta vinheta já havia me enganado muitas vezes, quando o Galo começava ganhando e perdia a partida. E o conflito continua.
Um dia lindo de sol, quase 20.000 ingressos vendidos na última hora, confusão nas bilheterias, gente voltando para casa sem conseguir entrar pro campo, um espetáculo lindo para quem estava lá dentro, todos os jogadores vestindo a camisa de verdade após tanto tempo. Mas eu, por mais que tenha acordado com uma vontade quase incontrolável de ir pro campo, não estava lá.
E vai ser preciso ir além do amor, além da esperança, além do perdão e da mágoa para que eu realmente volte a torcer como antes. Eu hoje entendo meu pai e o porquê do encantamento que ele tinha pelo Galo ter perdido a força com o passar do tempo. Parafraseando Vínícius, já abusaram tanto da regra três que um dia o perdão cansou de perdoar.
Roberta de Oliveira tem medo do Kalil barbudo e sua cara de terrorista (só falta o turbante e uma faixa de Gaza). Ela também assume que continua antipatizando com ele com mais força a cada dia que passa.
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Não é segredo pra ninguém que mulher adora conversar. E eu, além de ser mulher e adorar um bom papo, sou jornalista e tenho paixão por colecionar boas histórias (para contar pros netos, para escrever um livro ou uma crônica como esta).
E qualquer lugar, qualquer situação me servem de cenário. Então estou eu presa dentro de um táxi, no trânsito infernal da Contorno pós temporal de verão e, fã que sou das histórias dos taxistas, deixei ele falar um pouco. Carro novo, recém-liberado no Detran, já tinha enfrentado aquela tempestade toda, parecia que o vento ia derrubar o carro e o granizo, por sorte, não era muito grande e tals. Eu fui logo puxando pro lado bom (pra variar) e dali o papo foi parar no Bar do Caixote e, boêmia inveterada que sou,contei pra ele a história do boteco e da época em que eu ia pra lá após o trabalho, tomar cerveja e falar de futebol com os meninos (lembrando: a época era 1999. Há dez anos atrás era uma delícia falar do Galo).
Aí ele, surpreso: “mas você gosta de futebol?”. “Claro! Por quê não?”. “Mas é do Galo ou do Cruzeiro?”. “Gaaaalo!”. “Que bom! Eu também!”. Nesta hora ele já tinha me contado que era baiano. Mas fez questão de me mostrar a proteção de tela do celular e o toque (que, obviamente, era o Hino). Mostrei a minha, que é a foto da tattoo: como todo mundo, ele ficou pasmo…
Daí fui puxar dele há quanto tempo ele morava em BH: 20 anos. E eu brinquei: que bom, chegou numa época em que o Galo ainda valia pena, então! “Mas eu sou atleticano desde lá na Bahia! Desde os sete anos de idade, acredita?”. Claro que eu acredito, me conte TUDO! Pensei cá comigo…
Ele me contou que o pai vinha muito pra BH, pra vender requeijão no Mercado Central e, certa vez, ele voltou pra casa com uma bola de gesso (?) com o símbolo do Galo de um lado e um galo “todo fortão”, pisando numa bola, do outro. Ele falou que foi amor à primeira vista. Ficou encantado com aquilo. E as encomendas a partir dali só aumentaram: pedia camisa, short, meião. E o pai trazia, feliz em agradar o filho.
Aí, uma tia que sofria de tuberculose, “tava só na pele e no osso e já desenganada a coitada”, ouviu falar que BH era uma terra muito boa pra se curar da doença e o pai dele, que já gostava do clima da cidade mesmo, trouxe “a baianada” toda pra BH pra acompanhar o tratamento da tia. “E não é que ela se curou 100%, menina?”.
Ele é que ficou cada vez mais doente… pelo Galo. Me contou da primeira vez em que pisou no Mineirão (e eu sempre me emociono muito nesta hora), relembramos dos bons tempos em que o Mineirão balançava, de quando a gente podia tomar cerveja, de quando ele levou o filho pela primeira vez ao Mineirão (pára, né? chorar uma vez só tá bom!).
Enfim. Chegando em casa: “Como é que o Sr. chama mesmo?”. “É Wily” (e eu juro que entendi “feeling”! Com baiano tudo é possível, ora! hahaha), vou te dar meu cartão”. E é claro que eu vou ligar pra ele de vez em quando só pra falar do Galo e do poder que este símbolo lindo que ele tem exerce sobre o coração das pessoas.
Roberta de Oliveira sabe que é meio suspeita pra falar sobre o poder que o símbolo do Galo exerce sobre as pessoas, porque fez uma tattoo com ele nas costas. Mas ela um dia ainda escreve sua tese sobre o assunto. Com conhecimento de causa!!
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Que tempo ele teve pra falar sobre entrosamento e pra sair por aí julgando os demais jogadores? Vamos tirar o chapéu pro cara: que experiência! que olho clínico!!
Ele pode até ter mais talento com a bola que boa parte do elenco. Mas isto não lhe dá o direito de rebaixar ninguém ali. Gente que, aliás, já estava no time há muito tempo. Ele que se vire pra entrar no clima e, se é tão bom assim, que tenha humildade pra ensinar aos colegas como se faz então!
Eu prefiro acreditar que o cara não reclamou ainda. Mas conhecendo a peça… tava demorando! Pra quem jogou nos bambis e nos urubus, o Galo não é nada, né? É um timinho qualquer. O cara não tem consciência da grandeza do Clube onde veio parar “por obrigação”. E vai espernear sempre que tiver uma chance. Tardelli não tem maturidade pra jogar no Galo e enfrentar a torcida.
E por mim que esperneie à vontade, desde que marque pelo menos um gol por partida. É pra isso que ele tá aqui.