Atleticana


O dia em que outro Wily conseguiu me emocionar.
Fevereiro 3, 2009, 11:37 pm
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Não é segredo pra ninguém que mulher adora conversar. E eu, além de ser mulher e adorar um bom papo, sou jornalista e tenho paixão por colecionar boas histórias (para contar pros netos, para escrever um livro ou uma crônica como esta).
E qualquer lugar, qualquer situação me servem de cenário. Então estou eu presa dentro de um táxi, no trânsito infernal da Contorno pós temporal de verão e, fã que sou das histórias dos taxistas, deixei ele falar um pouco. Carro novo, recém-liberado no Detran, já tinha enfrentado aquela tempestade toda, parecia que o vento ia derrubar o carro e o granizo, por sorte, não era muito grande e tals. Eu fui logo puxando pro lado bom (pra variar) e dali o papo foi parar no Bar do Caixote e, boêmia inveterada que sou,contei pra ele a história do boteco e da época em que eu ia pra lá após o trabalho, tomar cerveja e falar de futebol com os meninos (lembrando: a época era 1999. Há dez anos atrás era uma delícia falar do Galo).
Aí ele, surpreso: “mas você gosta de futebol?”. “Claro! Por quê não?”. “Mas é do Galo ou do Cruzeiro?”. “Gaaaalo!”. “Que bom! Eu também!”. Nesta hora ele já tinha me contado que era baiano. Mas fez questão de me mostrar a proteção de tela do celular e o toque (que, obviamente, era o Hino). Mostrei a minha, que é a foto da tattoo: como todo mundo, ele ficou pasmo… 
Daí fui puxar dele há quanto tempo ele morava em BH: 20 anos. E eu brinquei: que bom, chegou numa época em que o Galo ainda valia pena, então! “Mas eu sou atleticano desde lá na Bahia! Desde os sete anos de idade, acredita?”. Claro que eu acredito, me conte TUDO! Pensei cá comigo…
Ele me contou que o pai vinha muito pra BH, pra vender requeijão no Mercado Central e, certa vez, ele voltou pra casa com uma bola de gesso (?) com o símbolo do Galo de um lado e um galo “todo fortão”, pisando numa bola, do outro. Ele falou que foi amor à primeira vista. Ficou encantado com aquilo. E as encomendas a partir dali só aumentaram: pedia camisa, short, meião. E o pai trazia, feliz em agradar o filho.
Aí, uma tia que sofria de tuberculose, “tava só na pele e no osso e já desenganada a coitada”, ouviu falar que BH era uma terra muito boa pra se curar da doença e o pai dele, que já gostava do clima da cidade mesmo, trouxe “a baianada” toda pra BH pra acompanhar o tratamento da tia. “E não é que ela se curou 100%, menina?”.
Ele é que ficou cada vez mais doente… pelo Galo. Me contou da primeira vez em que pisou no Mineirão (e eu sempre me emociono muito nesta hora), relembramos dos bons tempos em que o Mineirão balançava, de quando a gente podia tomar cerveja, de quando ele levou o filho pela primeira vez ao Mineirão (pára, né? chorar uma vez só tá bom!).
Enfim. Chegando em casa: “Como é que o Sr. chama mesmo?”. “É Wily” (e eu juro que entendi “feeling”! Com baiano tudo é possível, ora! hahaha), vou te dar meu cartão”. E é claro que eu vou ligar pra ele de vez em quando só pra falar do Galo e do poder que este símbolo lindo que ele tem exerce sobre o coração das pessoas.

Roberta de Oliveira sabe que é meio suspeita pra falar sobre o poder que o símbolo do Galo exerce sobre as pessoas, porque fez uma tattoo com ele nas costas. Mas ela um dia ainda escreve sua tese sobre o assunto. Com conhecimento de causa!!



Fala menos e joga mais Tardelli!
Fevereiro 1, 2009, 1:49 pm
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Peraí…vocês querem que eu acredite que o Tardelli, que acabou de chegar no Clube, já está reclamando dos coleguinhas?
Que tempo ele teve pra falar sobre entrosamento e pra sair por aí julgando os demais jogadores? Vamos tirar o chapéu pro cara: que experiência! que olho clínico!!
Ele pode até ter mais talento com a bola que boa parte do elenco. Mas isto não lhe dá o direito de rebaixar ninguém ali. Gente que, aliás, já estava no time há muito tempo. Ele que se vire pra entrar no clima e, se é tão bom assim, que tenha humildade pra ensinar aos colegas como se faz então!
Eu prefiro acreditar que o cara não reclamou ainda. Mas conhecendo a peça… tava demorando! Pra quem jogou nos bambis e nos urubus, o Galo não é nada, né? É um timinho qualquer. O cara não tem consciência da grandeza do Clube onde veio parar “por obrigação”. E vai espernear sempre que tiver uma chance. Tardelli não tem maturidade pra jogar no Galo e enfrentar a torcida.
E por mim que esperneie à vontade, desde que marque pelo menos um gol por partida. É pra isso que ele tá aqui.


“Tristeza não tem fim. Felicidade sim…”
Janeiro 26, 2009, 1:20 am
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Então você acorda radiante porque finalmente chegou o dia em que você vai matar aquela saudade doída de ir pro Mineirão. Dois longos meses distante do seu amor, o Galo. Dois longos meses acompanhando de longe as alterações do time, rezando pra que os novos jogadores não nos decepcionem, tentando acreditar que o novo time tem potencial pra chegar a uma final de Copa do Brasil.
Mas, desde que o Kalil chegou, eu entrei numas de ser uma atleticana meio ao estilo de São Tomé. Daquelas que só acredita vendo. E, desde que o comboio aportou na cidade, eu venho falando: quero ver quando encontrar a torcida. Tardelli saiu artilheiro do Torneio Verano e eu continuei a fala: quero ver quando encontrar a torcida.
Eu não sei o que acontece com estes jogadores que, ao se deparar com um Mineirão lotado (mais de 35.000 pessoas hoje), tremem nas bases. Até tentam algumas jogadas brilhantes, mas não sei: a torcida do Galo se tornou, com o passar dos anos, uma lenda. Todo jogador que se dispõe a vestir o manto sagrado parece (literalmente) sentir na pele o peso que esta camisa traz. E sabe que qualquer tropeço diante da torcida não tem perdão.
Daí o time hoje não ter jogado o suficiente para me convencer que tem potencial. Daí o time sair vaiado do campo. Daí eu ter chegado ao limite e finalmente ter criado vergonha na cara e desistido de perder meu tempo e paciência com o Galo.
Não subo mais as arquibancadas enquanto o Galo não me provar que todo o amor que lhe dedico valhe a pena e deve continuar a ser vivido, alimentado, sentido intensamente.
Já ultrapassei todos os limites possíveis e imagináveis da razão e da emoção em nome deste amor doentio. Mas não aguento mais subir as arquibancadas e passar raiva ao ver um time apático, que não sabe honrar a camisa que veste, que não se dedica em campo. Ver alguns jogadores andando em campo, ver o goleiro falhar gravemente numa saída de bola e rezar pra agradecer o instinto alvi-negro do Leandro Almeida e isto tudo diante do América, um time que acabou de voltar da segunda divisão do Campeonato Mineiro, que há anos não consegue sair da 3ª divisão do Brasileiro! Não dá! Não tem perdão! Não há coração que aguente… E quando chegar o Brasileiro e for jogar com um time grande?
Não quero reviver, pela enésima vez, o drama que acompanha este time há quase quatro anos. Não quero ir pro Mineirão irradiando alegria porque o trânsito não anda e a cidade parou porque tem estréia do Galo no Mineiro e voltar chorando de raiva, debaixo de chuva, vendo os carros em cortejo silencioso, vendo os ônibus lotados: milhares de atleticanos pendurados dentro dos ônibus, sacrificando seu único dia de descanso pra ver seu time jogar e voltando pra casa tristes, cabisbaixos, tendo que aguentar os colegas marias no dia seguinte enchendo o saco porque o tão falado “time” que o KLB formou não consegue vencer um clássico.
É triste demais. Triste saber que estes jogadores não têm a consciência do que é ser atleticano, do que o time em que eles jogam representa para a sua torcida. Triste constatar que qualquer proposta mais polpuda leva qualquer um. Que nenhum jogador tem mais o apego e o amor à camisa de anos atrás. O que me consola é saber que isto não ocorre só no Galo, mas em qualquer time de futebol do mundo.
Mas dói saber que isto existe no meu Galo. Na minha razão de viver. Naquilo que deveria ser meu motivo de maior orgulho e que, atualmente, só tem me trazido tristeza e vergonha. Dói demais dizer que cansei. Dói dizer que não dá mais. Que minha paciência finalmente se esgotou. Eu, que de alguns meses pra cá vi todos os meus amigos abandonando o campo e que briguei com cada um deles por isto. Eu, que compro as maiores brigas por amor ao Galo, que lutarei até o último instante pra vê-lo bem, pra que meus filhos sintam orgulho de serem atleticanos. Eu desisto. Temporariamente, mas desisto!
E sei que dizer isto pra muitos dos meus amigos vai significar algo como: “Putz, se a Beta desistiu é porque o Galo não tem mais solução mesmo”. Mas no fundo, bem lá no fundo, eu vou sempre acreditar que tem sim. Nem que eu tenha que ser Presidente do Clube. Por enquanto, tudo o que posso dizer é que pra mim já deu. Eu preciso de férias do Galo. Talvez meu amor não seja tão incondicional quanto parece.
Eu sei que esta não é a primeira nem será a última vez que digo isto. Talvez na estréia da Copa do Brasil eu crie forças e compareça ao campo. Talvez tudo não passe de mais um daqueles momentos de decepção passageira com o Galo. De mais um desabafo doído, cansativo. 
E eu sei que é verdade: tudo não passa de mais um desabafo. Porque hoje, ao terminar o jogo, eu liguei pra falar com meu pai e dizer que eu desistia e a minha sobrinha de sete anos atendeu e me perguntou quando é que eu vou levá-la ao campo. Porque existe alguma força sobrenatural que me impede de desistir do meu amor todas as vezes em que eu acho que já senti demais. Porque todas as vezes em que eu penso que o Galo não merece o amor que lhe dedico, ele sempre me prova o contrário.

Roberta de Oliveira, sem palavras pra explicar o que lhe pesa tanto o coração neste dia em que o Clube Atlético Mineiro completou 100 anos e dez meses de vida.



Às vezes eu também luto contra moinhos de vento
Janeiro 10, 2009, 7:26 pm
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Às vezes eu também luto contra moinhos de vento…
É esta paixão incondicional que me move, que me faz comprar brigas e dar a cara pra bater nas questões que, naquele momento, meu coração colocava como as mais importantes do universo.
E assim eu continuo, até o fim. Até alguém me parar, me segurar pelos ombros, me chamar à razão e me dizer: “não tem futuro. Já era. Esquece.”
Mas eu nunca esqueço… E ainda volto de vez em quando naquela questão. Porque meu coração ainda não parou de bater, a cada dia mais apaixonado, pelo meu Clube Atlético Mineiro, pela sua História, por todas as suas conquistas e por tudo que faz parte dele, inclusive aquelas coisas que insistem em querer ter fim.



Bandeja de prata pro Kalil !!
Janeiro 8, 2009, 11:01 pm
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“O Clube Atlético Mineiro comunica que, infelizmente, necessitou encerrar as atividades do seu departamento de futsal.
O departamento custava, com os encargos, a quantia de R$ 524.244,43 por ano, sem contabilizar o material utilizado.
Desde que assumiu, a nova diretoria deixou claro que a redução dos gastos de outros setores seria fundamental para viabilizar a instituição.
Lamentamos o encerramento das atividades de uma das modalidades esportivas do Atlético, porém entendemos que a medida era necessária neste momento.
O Clube está aberto a parcerias com patrocinadores para custear a continuidade do futsal e de outros esportes.”
Alexandre Kalil
Presidente
(do site oficial do Galo)

O que dizer da nota acima?
Que eu quero a cabeça do Kalil numa bandeja de prata? Que este hipócrita nojento acabou com um dos poucos motivos de orgulho da massa nos últimos anos, alegando corte de gastos? Pouco mais de R$ 500.000,00 POR ANO não é nada comparado com os altos custos de se manter jogadores medíocres no elenco, de se contratar leões e bebetos para fazer média.
R$ 500.000,00 ao ano não pagam o preço de ter que suportar um cara que diz trabalhar na surdina pra fazer o melhor possível pro Galo e nos apresenta qualquer jogador e acaba com o futsal, alegando que isto é o melhor que pode ser feito no momento ou que não temos jogadores no mercado. Como é que os demais clubes estão negociando? Se ele próprio adora cuspir na cara de todo mundo que os clubes estão quebrados e não apenas o Galo, porque eles conseguem boas negociações e o Galo não? Porque os demais dirigentes agem na surdina e aparecem com Fenômenos pra vender camisa e fazer caixa pro centenário como o Curíntia fez?
Se esta palhaçada do Kalil acabar com o futsal for só pra forçar patrocínio, que ele consegue fácil com ex-presidentes que vibram não apenas o futebol de campo do Clube, ele está apenas me provando que não passa de mais um hipócrita e que sua máscara realmente tem dias contados pra cair.
Hipócrita porque fez oposição a pessoas que hoje liberam grana pra manter o Clube de pé, enquanto ele paga de bom moço pra agradar a massa. E é óbvio que vai conseguir mais, mas que ninguém jamais saiba, pra não ferir esta “boa imagem” que ele agora quer manter.
Hipócrita porque seus atos não condizem com suas palavras. Porque na realidade nada sabe fazer além de torcer pra que tudo dê certo, pra que sua máscara jamais caia, pra que todos o amem e respeitem, pra que ele consiga o pico máximo do seu ego e entrar pra história do Clube como um cara que revolucionou, que fez e aconteceu.  Reza, Kalil. Vai rezando daí, que eu do lado de cá torcerei todos os dias pela sua derrocada. Porque eu a princípio ainda rezava pra que você me convencesse da “verdade” de suas boas intenções, que eu tivesse que dar o braço a torcer mais cedo ou mais tarde. Mas isto não tem sido mais possível. Em um mês, meu sangue ferveu mais de indignação pelas suas atitudes do que em um ano e meio de Ziza. Nisto eu tenho que te parabenizar: eu achava que ninguém mais me irritaria tanto quanto o Ziza. E você se superou!
Pra ser presidente de verdade, Kalil, é preciso fazer e ser mais. É preciso deixar de ser apenas mais um. É preciso ser único. E nisto, talvez você realmente seja: único em sua hipocrisia. Único em sua arrogância. Único em sua loucura e insensatez. Pra finalizar: apenas mais um babaca na história do Clube.

Roberta de Oliveira, que não aguenta mais o trio KLB (Kalil, Leão e Bebeto) fazendo festinha no Clube de seu coração.



Nitroglicerina pura
Dezembro 15, 2008, 1:31 am
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É… A fera vem aí. Emerson Leão se apresenta na próxima terça-feira como técnico do Galo. E o Kalil já avisou que ele terá aut0nomia para mandar no futebol do Clube.
Eu não colocava muita fé quando o Kalil disse que queria ficar longe da Cidade do Galo, que não queria ter que ir lá para apagar incêndios de vez em quando e que, por isso, queria um técnico que tivesse o poder de colocar ordem no time. Ou seja: Leão era, pra mim, alguém totalmente fora de cogitação neste caso! Ele saiu daqui deixando um time dividido, repleto de panelinhas e de jogadores com os egos à flor da pele… E Kalil, ex-diretor de futebol, longe da Cidade do Galo, é uma coisa quase que inimaginável.
Mas ele parece adorar me surpreender. Não que a contratação do Leão seja uma surpresa. Já haviam me contado sobre os bastidores desta negociação há uns 15 dias (e eu rezava pelo segundo nome todos os dias). Me surpreende é o Kalil continuar mantendo a máscara do dirigente centrado, esperto, que age nos bastidores. Simplesmente não me convence! 
Não que eu agora tenha resolvido me tornar uma atleticana pessimista mas, pra mim, Kalil e Leão juntos formam nitroglicerina pura. Vai ser difícil pra ambos sustentar uma relação de paz e amor, em que cada um fique na sua, fazendo sua parte sem interferir na do outro. Isto não existe. E quando os dois trabalharam juntos Kalil era diretor de futebol. Uma coisa é o Leão ser ídolo dos filhos do Kalil e de metade da torcida do Galo. Outra bem diferente é o Kalil, como presidente, ceder espaço pro Leão fazer o que quiser com o futebol do Galo, demitir e contratar jogadores, avaliar o projeto que o Kalil fez e dar palpites sobre ele. Será que o ego do Kalil aguenta?
Mas esta história só começa mesmo dia 16, às 15hs, na Sede de Lourdes. Que aliás, foi palco da renovação de outro ídolo, o Marques, na última quinta-feira. Será que o ego do Leão vai aceitar o Marques no time? Será que o Kalil vai trazer mais surpresas de Natal pra amaciar a torcida que ele mesmo repudiou por anos? Só nos resta aguardar…

Roberta de Oliveira, que sabe que futebol é coisa pra machos, mas não consegue entender porque ainda existe tanta vaidade nos bastidores…



Coração de atleticano não bate como os outros
Dezembro 9, 2008, 11:31 pm
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Pois é, quem mandou a torcida mandar o Telê embora? Agora os bambis são hexa-campeões… Quem foi que ensinou o Muricy a trabalhar? O Telê!
Apesar dos “méritos” do São Paulo, vai ser difícil esquecer que, mesmo com a troca de juiz, o time ganhou de um Goiás apático (por quê será?) e ainda por cima com um gol irregular. Ainda que o Galo tenha colocado certa pressão no Grêmio no primeiro tempo, os gaúchos mereceram ganhar. Não que eu tenha simpatia por qualquer outro time brasileiro, pelo contrário: achei engraçado o pessoal do Inter mandar um recado pra torcida gremista numa faixa sobrevoando o estádio com os dizeres: “Nós já somos campeões de tudo”. Eu gosto mesmo é de ver o circo pegar fogo!
Mas o mais estranho desta “final de campeonato” foi ver um torcedor vascaíno querendo se jogar da marquise do estádio. Ninguém ama um time a ponto de morrer por ele, pelo simples fato de que, quem ama de verdade quer viver eternamente ao lado do seu objeto de adoração. Você se mata e aí? Como é que vai saber se o seu time subiu, quais foram as contratações, qual o técnico da temporada, qual o recorde de público da série B? Como é que você conseguiria viver longe do estádio? Como é que você conseguiria não estar presente em todos os momentos da história do seu time desde então?
Tem que ser muito idiota mesmo! Eu quero é viver bem mais que 100 anos, quero contar para os meus bisnetos como foram as festas de quando o Galo fez 150 anos. Quero morrer no campo, em plena partida, gritando Galo, vibrando por algum gol de alguma promessa da base. E depois, como Adelchi Ziller, ter minhas cinzas espalhadas aos pés da torcida num dia de Clássico.
Eu sei é que 2008 tá acabando, a máscara do Kalil já começa a cair e que eu quero férias do Galo, pelo menos até 2009 chegar. Meu coração já bate descompassado de tanto torcer e sofrer pelo Galo este ano. E não é brincadeira: num simples exame de rotina, me orientaram a procurar um cardiologista! Quem disse que eu perdi a piada? “Ah, normal, doutor: eu sou atleticana. Coração de atleticano não bate como os outros.”

Roberta de Oliveira, que vai deixar o exame com o cardiologista pra quando 2009 começar e as férias temporárias acabarem…



Enfim, a última decepção do ano!
Dezembro 2, 2008, 9:33 pm
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Dizem por aí que amor não se explica: sente-se. O que me deixa livre pra dizer que já desisti de tentar entender o Galo. Como explicar que o Galo simplesmente não entrou em campo no último jogo do ano, em pleno Mineirão lotado, com a festa de despedida toda pronta há mais de duas semanas, com direito a bandeiras e campanha solidária e tudo o mais que lhe é de direito?
Como é que o Galo consegue tranformar toda a minha euforia, gerada por saber que eu também fazia parte daquela festa, em decepção? E tudo isto em menos de meia hora de jogo…
Chego ao campo em estado de graça, feliz por finalmente assistir a um jogo do Galo ao lado do meu querido irmão mais velho, almoço o meu tropeiro sem medo da gastrite nervosa atacar meu estômago assim que o time aparecer na beirada do campo, falo sem parar de tamanha ansiedade, choro ao ver as bandeiras balançando novamente nas arquibancadas (aos meninos do 105, meus parabéns pela bandeira em homenagem ao Rei e ao Dadá: de longe a mais bela de todas!) e o time não corresponde nem a um quinto do que se esperava…
Cadê o Renan Oliveira, o Leandro Almeida? Não pareciam ter entrado em campo! Nem o Marques, que conquistou uma marca histórica neste jogo, conseguiu acelerar meu pobre coração. Nem o Pepê, com um gol quase impossível de ser perdido, conseguiu me dar um instante sequer de emoção nesta partida lastimável.
O Galo não entrou em campo. E é como se eu também não estivesse ali. Como se eu não tivesse simplesmente existido durante aquelas duas horas. E era melhor mesmo não ter existido pra ver aquilo. Mas quem mandou criar expectativas demais quando o assunto é um time inconstante e imprevisível como o Galo?
Ainda bem que agora estou de férias do Galo: mais de cinquenta dias longe do Mineirão. E, como sempre acontece quando é o último jogo, me deixei ficar na cadeira até o estádio ficar praticamente vazio, curtindo cada segundo ali dentro. Já comecei a chorar de saudade ali mesmo, olhando o campo deserto, uma vontade enorme de me integrar a cada pedacinho dele, pra fazer parte dele, assim como ele já é parte de mim. Uma dor que vai na alma, que aperta o peito e que não se explica. E então eu começo a última parte do ritual e rezo para não adoecer de saudade enquanto desço as escadas.
De repente o Galo perde momentaneamente a graça e eu esqueço que ele talvez não merecia mesmo a festa que fizemos pra ele. Merece sim: o Galo não vive sem o Mineirão e eu não vivo sem os dois…

Roberta de Oliveira, que morre de medo só de pensar no que vai ser da vida dela quando o Mineirão fechar de novo para reformas e que conta as horas pra voltar a ver o Galo em campo.



O Galo e o poder transformador do amor verdadeiro
Novembro 20, 2008, 7:41 pm
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Se você pretendia assistir ao jogo do Galo contra o Santos nos portões 9 ou 12 e ainda não garantiu seu ingresso, esqueça. Apesar de ainda faltarem dez dias para o confronto, mais de 20.000 ingressos já foram vendidos desde segunda-feira, quando começaram as vendas antecipadas, e os ingressos para estes portões se esgotaram ontem à tarde. Os preços populares e a volta temporária das bandeiras às arquibancadas do Mineirão parecem ter animado os atleticanos para o último jogo do Galo em casa no ano de seu Centenário. Pra fazer média (e porque não é bobo nada!), Kalil promete aumentar a carga dos ingressos na semana que vem. E até que ele tem cumprido com a palavra nestes seus 21 dias de mandato… Quando se trata de Galo, eu prefiro manter um pé atrás em relação àqueles que o comandam, então eu continuo seguindo meu pensamento: Kalil é um presidente que cultiva boas relações com Atleticanos de peso. Some-se a isto que ele tem se mostrado um bom estrategista. Fato. Não se fala mais nisso.
Mesmo porque o motivo deste post é para falar sobre esta reta final do Galo no ano do Centenário. Confesso que eu, apesar de todo otimismo que me é característico, cheguei a duvidar inúmeras vezes do meu livre pensamento, que insistia em me dizer que o Galo chegaria ao final do Campeonato numa fase mais tranquila. Sei lá, vai ver é porque no ano passado aconteceu mais ou menos a mesma coisa e a gente ia pro campo pra ver o Galo ganhar de 3a1, quase sempre de virada (bastava o Galo levar o primeiro gol e eu apenas olhava pros meninos: “ih, 3a1… tô pagando pra ver o jogo de semana passada de novo” e era dito e feito. Acho que isto aconteceu umas três vezes… rsrsrs).
O fato é que este ano o Galo sofreu muito nas mãos de muita gente, da torcida principalmente. Que abandonou o time nos momentos mais difíceis, que invadiu a Sede, que fez ameaças, que quase acabou de vez com o bem mais precioso da minha vida: a alegria de ir ao campo ver o Galo jogar. E este ano eu cheguei ao ponto de ir sozinha pro Mineirão porque fui perdendo aos poucos todos os meus companheiros, que acreditaram nesta viagem absurda de protestar em casa… Eu ainda ficava feliz quando chegava no estádio vazio e via que tinha mais de 5000 pessoas!! Eram 5000 apaixonados e aquilo me bastava…
Acho que este ano o meu amor pelo Galo foi testado de todas as maneiras possíveis. Ultrapassou as barreiras da doença (é só falar que o jogo vai começar que a gastrite nervosa dá sinais de vida), da sanidade mental (minhas manias só aumentam com o passar dos anos), do fundamentalismo (a tatuagem me impede de esquecer do Galo: alguém sempre me lembra, por onde eu ando, que eu sou atleticana de verdade e ainda me reverenciam! Não sei quem é mais doido… rsrs).
Meu amor pelo Galo já ultrapassou até as barreiras do próprio sentir. Que eu já não sabia distinguir quem eu sou do que o Galo representa pra minha vida é uma descoberta que fiz há cerca de dez anos atrás. Mas agora é mais que isso… Ok, podem dizer: a Beta enlouqueceu de vez. Que eu vou continuar sorrindo, feliz com minha escolha de amar única e exclusivamente ao Galo.
Ver o MIneirão lotado no último jogo do ano vai ser pra mim uma lavada na alma: porque eu sempre acreditei que o Galo é maior que a própria torcida, maior que o próprio amor que eu sinto por ele. Pra quem que, como eu e os quase 5000 Atleticanos de verdade, comemorou cada lance dentro de um estádio praticamente vazio durante boa parte do ano, esta festa siginifica muito: nós sobrevivemos!!

Roberta de Oliveira, que ainda vai sobreviver a muitas batalhas em nome do amor.



Talento e dedicação: é esta a fórmula mágica do sucesso
Novembro 15, 2008, 7:20 pm
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E eis que o Kalizinho teve sua auto-exigida “festa da posse”… 42 mil pessoas lotaram o Mineirão para ver uma goleada em cima do Vasco. Não deu pra colocar o time do Miranda na segundona como sonharam alguns, mas dá pra começar a pensar sobre algumas coisas…
Coincidência ou não, desde que o Kalil voltou pro Galo o time não perdeu mais. E lá estava ele, quarta-feira, jantando com os jogadores antes da goleada. No dia seguinte, a nota oficial de que o Galo vai pedir a volta das bandeiras. Sinal de que, além da tabelinha com os jogadores, Kalil também quer tabelar com a torcida. Qualquer dirigente com a cabeça no lugar agiria assim, certo? Mas logo o Kalil, tão passional, tão inconstante e imprevisível… É, talvez a melhor palavra pra descrever o Kalilzinho seja esta: imprevisível.
Em menos de um mês ele já conseguiu cortar 200 mil da folha. Dizem que haviam cinco carros com motoristas à disposição dos diretores do Galo. Isto quer dizer que acabou a mordomia? Assim como ele proclamou em campanha: “a pedofilia no Atlético acabou”… Só vendo pra acreditar.
Enquanto isso o Galo nos mostra seus possíveis novos ídolos a cada partida: Renan Oliveira (dispensa comentários, nasceu craque, é um menino exemplar, amo!), Leandro Almeida (que, por achar que ele tem potencial pra isso, é o jogador que eu mais cobro quando vou ao campo: “Volta pra escolinha” eu aprendi com uma menina de seis anos há algumas semanas e virou lema… rsrsrs), Pedro Paulo (ouvir o Pepê todo feliz na Itatiaia outro dia me deixou com lágrimas nos olhos e ele ainda substitui o Marques nas partidas!!).
E este trabalho nada tem a ver com o Kalilzinho, ao contrário do que parece pensar a massa. É fruto de um trabalho de anos de um grande atleticano, jogador, torcedor e agora, merecidamente, treinador do Galo, Marcelo Oliveira. Se hoje, na reta final do campeonato, o Galo pode sonhar com lugares mais altos na tabela, a responsabilidade e o mérito é todo dele. Que conhece estes meninos como ninguém, quase como um pai mesmo. Que atravessou a pior crise dos últimos anos do Galo carregando o time nas costas, sozinho, praticamente abandonado (como ficaram muitos que trabalham lá, mas a visibilidade é sempre maior para o time). Que acredita na reação e na vitória até o último instante do jogo (como os verdadeiros Atleticanos o fazem). E que, principalmente, ama o que faz e nisto deposita todas as suas forças e toda a sua fé.
Se tem alguma coisa boa na era Ziza, foi a de ter dado espaço pro Marcelo Oliveira mostrar todo seu talento. Que ele alcance vôos maiores! Que continue nos trazendo motivos de orgulho e nos mostrando novos ídolos em potencial. E, ainda, que o Kalil deixe de ser megalomaníaco e mantenha a prata da casa em vez de sonhar com Leão, Levir ou Luxa. Não podemos nos esquecer que em 99 o time foi comandado por um colega do Marcelo, o Humberto Ramos, que pegou o time no meio do caminho e o levou à final.
O que o Galo precisa, Kalilzinho, é de acreditar e apostar todas as suas fichas naqueles que realmente o amam, naqueles que dedicam suas vidas e sonhos por amor a ele.

Roberta de Oliveira (que não tem parentesco nem com o Renan nem com o Marcelo, mas adora ouvir seu sobrenome ser gritado das arquibancadas)